sexta-feira, 21 de agosto de 2015

JÁ NO TEMPO DE SANTA CATARINA DE SIENA, NOSSO SENHOR RECRIMINAVA OS PADRES QUE NÃO CONSAGRAVAM AS SAGRADAS PARTÍCULAS COMO DEVIAM

JÁ NO TEMPO DE SANTA CATARINA DE SIENA, NOSSO SENHOR RECRIMINAVA OS PADRES QUE NÃO CONSAGRAVAM AS SAGRADAS PARTÍCULAS COMO DEVIAM
“Certos sacerdotes, como demônios encarnados, simulam a consagração do pão e do vinho; não só por temer que os castigue, mas para contornar qualquer impedimento a determinado pecado. Ao se levantarem pela manhã, manchados, após uma noite de comes e bebes, são obrigados a celebrar a missa para o povo. Mas têm consciência do próprio mal, sabem que não podem dizer a missa – não por aversão ao pecado – mas por egoísmo; temem os meus castigos. Compreendes, filha? Ao invés de se arrependerem, com o propósito de emenda, solucionam o impasse com uma consagração simulada. Cegos, eles não percebem que recorrem a um pecado e erro maiores do que o primeiro. De fato, levam o povo à idolatria, fazendo-o adorar uma partícula não consagrada pela presença do corpo e sangue do meu Filho, todo-Deus e todo-Homem, como acontece quando as partículas são realmente consagradas. Fazem o povo adorar um pedaço de pão! Percebes como é enorme tal abominação e com que paciência a tolero?
Se não se corrigirem, tais sacerdotes verão transformar-se em condenação, toda a graça que receberam.
Num caso desses, como deveriam comportar-se os fiéis para evitar a idolatria? Dizer sob condição: ‘Se este sacerdote pronunciou as palavras da consagração que devia pronunciar, creio que tu és o Cristo, Filho do Deus vivo e verdadeiro, oferecido a mim como alimento em uma chama de imenso amor e como recordação da tua paixão, quando derramaste teu sangue em sacrifício, num grande ato de amor, para lavar nossas maldades’. Com tal atitude, a cegueira daquele ministro não produzirá a idolatria, com a adoração de uma coisa por outra; o pecado será somente do sacerdote, que faz os fiéis praticarem um ato desnecessário. Ó filha bondosa, que é que impede a terra de os devorar? Que é que detém meu poder de transformá-los em estátuas imóveis diante de todo o povo, para sua confusão? A minha misericórdia! Eu me contenho; por misericórdia, retenho a justiça. Quero vencê-los mediante o perdão. Infelizmente, tais sacerdotes são demônios obstinados, não reconhecem minha bondade. O orgulho os cegou: acreditam que meus dons lhes são devidos [por obrigação], não compreendem que tudo recebem gratuitamente, sem nenhuma obrigação minha”.

Sena, Santa Catarina de. O Diálogo. 11a edição. Ed. Paulus. pg.276 e 277

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