quinta-feira, 13 de agosto de 2015

VI. Firme Estabelecimento no Solo da Igreja. As Autoridades

Firme Estabelecimento no Solo da Igreja.

As Autoridades

Apesar das várias tentativas dos Carismáticos de tomar endossamentos pessoais de altos membros da Hierarquia e transformá-los em aprovações oficiais da Igreja, tais aprovações, no entanto, nunca existiram. Os Papas Paulo VI e João Paulo II receberam os Carismáticos várias vezes em audiência pública e falaram deles em seus pronunciamentos em várias ocasiões; como em 1990 quando o Conselho Pontifício para Leigos reconheceu a Fraternidade Católica de Comunidades de Aliança (uma organização Carismática internacional), como uma associação privada de leigos. Apesar disso, nenhum pronunciamento oficial foi feito sobre a RCC. Na verdade, os Carismáticos, como todos os Católicos liberais, tendem a atribuir uma pseudo-infalibilidade a pronunciamentos papais não-oficiais quando esses são a seu favor, ao mesmo tempo em que descartam completamente condenações oficiais e até mesmo dogmáticas relativas a muitas de suas práticas e crenças nada ortodoxas.



Apesar disso, podemos dizer que não existe escassez de adeptos do Movimento Carismático em nenhum nível da hierarquia ou do clero. Diáconos, padres, bispos, cardeais e papas têm sido e são grandes entusiastas da causa Carismática, isso quando não são membros diretos da RCC. Que esse povo, supostamente bem treinado em Ciências Sagradas, se deixe levar pelo sensacionalismo de um movimento sem nenhuma base doutrinária para suas crenças e práticas, não deixa de ser algo digno de reprovação.

Os “estudos quase oficiais” da Conferência Nacional de Bispos Católicos nunca foram aceitos por aquele mesmo órgão como sendo posições oficiais. Eles foram aceitos apenas como “Diretrizes Pastorais” para dioceses individuais. O relatório de 1969 alegava que:

Teologicamente o movimento possui razões legítimas para sua existência. Ele possui uma forte base bíblica. Seria difícil inibir a obra do Espírito a qual se manifestou tão abundantemente na Igreja Primitiva... Temos que admitir, no entanto, que tem havido abusos (no uso dos assim chamados carismas), mas a cura não é a negação da existência dos mesmos e sim o seu uso adequado.

A conclusão do relatório de 1969 recomenda que se permita que o movimento se desenvolva sob supervisão episcopal e com a participação sacerdotal.

É interessante notar que, aqui os bispos aceitam sem questionar uma das mais perigosas afirmações da RCC, ou seja, que o fenômeno atual, o qual se parece com a descrição dos verdadeiros carismas contidas no Novo Testamento, são verdadeiros carismas simplesmente devido a esta semelhança e que o Espírito Santo seria o autor do fenômeno atual, simplesmente em virtude do fato de que Ele era o mesmo autor dos verdadeiros carismas há quase 2000 anos atrás. Infelizmente para seu próprio prejuízo, bem como da inteira Igreja, eles sequer cogitam na possibilidade de que esse fenômeno extraordinário (o qual a RCC está tentando transformar em ordinário) possa ser apenas mais um engano do demônio, o qual não se importa de que tais pessoas até orem mais levados pela empolgação e pelo sensacionalismo, se depois tudo isso contribuir para levá-los direto para o Inferno.

Em 1975, os Bispos dos Estados Unidos lançaram um documento chamado “Declaração sobre a Renovação Carismática Católica”, o qual se definia como um documento “de cunho pastoral no tom e no conteúdo” e não como um “estudo exaustivo”. Esse documento reconhece alguns dos perigos inerentes ao Movimento: elitismo, fundamentalismo bíblico, exagero na importância dos dons, indiscriminado ecumenismo e as assim chamadas “pequenas comunidades de fé”. Por outro lado, encoraja a liderança e as orientações do movimento. É interessante notar que os bispos especificamente não se comprometem em dizer que a RCC é obra do Espírito Santo, embora admitam sinais encorajantes disso em algumas passagens.

Provavelmente o mais famoso advogado da RCC entre a hierarquia foi Sua Eminência, Cardeal Jozef Suenens, Arcebispo Emérito de Malines-Bruxelas, o qual, incidentalmente, foi uma das vozes liberais mais proeminentes durante o Concílio Vaticano II. No ano subsequente à sua aposentadoria em 1979, Cardeal Suenens passou o tempo todo viajando e escrevendo incessantemente em apoio à RCC. Por volta do 25º aniversário da RCC, Cardeal Suenens escreveu o seguinte trecho em seu artigo comemorativo:

“Os cristãos de hoje têm que redescobrir o coração da mensagem cristã; eles foram suficientemente ‘sacramentalizados’; mas não foram suficientemente ‘evangelizados’. Temos agora que encarar a tarefa de redescobrir e explicar o que realmente faz um cristão. Devemos ajudar os cristãos a se tornarem cada vez mais e continuamente cientes de sua fé e a vivê-la de um modo mais pessoal. Muitos devem, portanto, trocar aquele cristianismo sociológico ou herdado, por uma vida de fé mais plena e ativa, baseada em uma decisão pessoal e abraçada com completa consciência”.

Como a maioria das declarações dos liberais, esta também é ambígua o bastante para ser interpretada de modo ortodoxo; todavia, a terminologia nitidamente protestante é algo que não passa despercebido por ninguém.

O discurso do Papa João Paulo II, por ocasião do 6º aniversário da RCC em 1987, acabou por endossar de modo inacreditável a ideia tácita mencionada pelos Bispos americanos (a qual mostraremos que tem suas raízes no fenomenalismo) de que o Movimento se encaixa no “Espírito do Vaticano II”, bem como sua constante preocupação com a vinda do Novo Milênio:

“O vigor e os frutos da Renovação certamente atestam a poderosa presença do Espírito Santo na Igreja durante esses anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II. Graças ao Espírito, a Igreja mantém constantemente sua juventude e vitalidade. E a Renovação Carismática é uma eloquente manifestação dessa vitalidade nos dias de hoje, uma vigorosa afirmação do que ‘o Espírito está dizendo às Igrejas’ (Apoc. 2,7), na medida em que vamos nos aproximando do fim do segundo milênio”.

De qualquer modo, podemos dizer que um dos frutos positivos da total crise de autoridade na qual os católicos de hoje encontram-se imersos, é a sede saudável por conhecer mais sobre a história da Igreja e estudar os documentos de seu Magistério. A sabedoria comprovada dos Padres e Doutores da Igreja, Prelados genuinamente guiados pelo Espírito Santo, é de uma profundidade bem clara e de uma poderosa acuracidade. O surgimento de seitas “espiritualistas” é algo que já havia acontecido antes na história da Igreja, e um breve exame de como os modernos homens de Igreja lidam com elas serve-nos para obter um melhor entendimento da situação atual.

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