quinta-feira, 13 de agosto de 2015

X. Ideias Fenomenalistas

Ideias Fenomenalistas


O Fenomenalismo, cujas raízes procedem do Iluminismo do século 18, é o principal fator subjacente do Movimento Carismático. A Enciclopédia Católica define o fenomenalismo da seguinte maneira:

Fenomenalismo literalmente significa qualquer sistema de pensamento que tem a ver com as aparências. O termo, contudo, é comumente restrito à designação de certas teorias pelos que elas determinam: 1) que não existe nenhum outro conhecimento a não ser o próprio fenômeno da negação da substância no senso metafísico; ou 2) que todo conhecimento é fenomenal negação do objeto em si e determinação de que toda a realidade é diretamente ou refletidamente presente no inconsciente.




Portanto, para o Carismático, uma pessoa não conhece verdadeiramente Deus, enquanto não tiver “experimentado” Deus de forma consciente, ou seja, enquanto não tiver tido uma experiência sensorial (normalmente emocional e às vezes até física, como no caso da glossolalia, ou “falar em línguas”). De fato, a “experiência espiritual” chega a anular a Revelação pública e os quase 2000 anos de ensinamento do Magistério Católico em matérias, tais como, só pra citar um exemplo, o Ecumenismo.

Para o Carismático, a mera presença hoje em dia de um fenômeno supostamente idêntico aos verdadeiros carismas presentes na Igreja Primitiva já é o bastante para provar sua origem divina. A experiência é o que importa, não o questionamento legítimo do intelecto, tal como “Por que esse intervalo de quase 2000 anos?” Seria essa experiência a mesma do fenômeno descrito nas Escrituras? Estaria esse “espírito” guiando-nos para uma vida plenamente Católica ou rumo à apostasia? O fracasso dos Carismáticos em fazer um autêntico discernimento dos espíritos é possivelmente sua gafe mais perigosa, uma vez que o demônio é capaz de operar prodígios, os quais são como imitações ou mímicas daqueles fenômenos verdadeiramente realizados por Deus.

De fato, o intelecto é radicalmente descartado pelos membros da RCC. Existe uma conversa generalizada a respeito da assim chamada “18 polegadas da cabeça para o coração” em quase toda literatura Carismática nos primeiros níveis do “crescimento espiritual”. Como já foi dito anteriormente, tal “conhecimento do coração”, que nada mais é senão confortantes e agradáveis sentimentos em relação a Deus, de forma alguma é algo espiritual e sim puramente emocional — o que também significa físico! Esses escritores e autores Carismáticos desprezam de tal forma o intelecto, como se Deus não o tivesse dado ao homem para seu próprio proveito: “Intellectum tibi dabo” (Salmo 31).

Para a mente fenomenalista do Carismático, nem mesmo os Sacramentos estão imunes ao pensamento subjetivista a respeito da graça. Os Católicos sabem que o sacramento produz a graça ex opere operato, independente do estado espiritual do ministro ou do recipiente. Naturalmente o recipiente pode estar mais ou menos bem disposto para receber as graças concedidas, mas a graça é produzida independente das disposições subjetivas das partes envolvidas. Para o Carismático, qualquer coisa na vida espiritual que não produz uma consolação subjetiva ou emoção, não é experiência de fé válida e, portanto, não confere a graça.

Assim, o seguinte trecho do livro “Healings Sacraments” escrito por um sacerdote Carismático sobre a Confissão, nos dá um bom exemplo disso:

“Durante o Sacramento da Reconciliação nós recebemos a cura na forma do perdão e na forma de uma grande resistência contra a tentação. Eis porque nos sentimos mais leves e muito melhores depois de termos feito uma boa confissão”. (Fr. Dave Schwarz.)

Nem mesmo o Sacramento da Eucaristia está imune a tal princípio subjetivista:

“Quando você estiver orando depois de ter recebido a Comunhão, eu sugiro que você visualize raios luminosos de cura saindo da hóstia consagrada que você acabou de receber e fluindo através de todo o seu ser”...

Para o fenomenalista, assim como para o Carismático, o objeto não tem verdadeira existência quando separado do sujeito. Essa lógica extrema torna-se então uma questão do relacionamento da consciência consigo própria. Assim não é difícil ver no que a moderna religião pós-conciliar se tornou... de acordo com algumas acusações, a religião do homem adorando-se a si próprio.

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