quinta-feira, 13 de agosto de 2015

XIX. A Raiz do Problema. Ensinamento Católico sobre a Santíssima Trindade


A Raiz do Problema
 
Ensinamento Católico sobre a Santíssima Trindade

Naturalmente que uma exposição dogmática mais profunda está bem além do objetivo desse artigo, mas de modo a compreender a gravidade dos erros dos Carismáticos é essencial entender as assim chamadas “missões externas”.

Uma missão, ou envio, pressupõe que haja um remitente, um envio e um destino para o qual algo é enviado. Com relação ao remitente e ao envio, os teólogos falam de acordo com as “apropriações” de Deus — Pai como sendo Aquele que envia; Deus Filho como Aquele que é enviado e ao mesmo tempo em que envia, e o Espírito Santo como Aquele que é enviado, mas que não envia. A Doutrina Católica sobre a Trindade ensina que todas as operações externas são comuns às três Pessoas Divinas. Com referência ao destino para o qual uma das divinas Pessoas é enviada, é bom que se fique claro que, embora Deus esteja presente em todas as partes do Universo, Seu modo de presença em qualquer dado lugar muda quando uma das Divinas Pessoas é enviada.

Existem dois tipos de missão externa da S. S Trindade: a visível e a invisível. A missão invisível é adequadamente, insensível à pessoa para quem a divina Pessoa é enviada, ao passo que a missão visível é também sensível. A missão insensível segue-se à conferência da graça santificante e tem como seu objetivo fazer com que Deus habite na alma do justo. Essa habitação na alma geralmente é atribuída ao Espírito Santo, mas juntamente com o Espírito Santo, também o Pai e o Filho habitam na alma do justo.


A missão visível do Espírito Santo compreende fenômenos sensíveis como quando o Espírito Santo apareceu sob a forma de pomba no Batismo de Nosso Senhor, ou Sua descida em forma de línguas de fogo sobre os Apóstolos no Pentecostes, bem como os verdadeiros carismas ocorridos na Era Apostólica da Igreja. “Mas por sua verdadeira natureza, a missão visível é transitória” (S. Tomás de Aquino — Summa Teológica). A missão invisível ocorre com a conferência da graça santificante, a qual acontece normalmente com a digna recepção dos sacramentos.

“Mas a obra principal do Espírito Santo é a santificação das almas através da graça... E mais especialmente através dos Sacramentos, e de forma ainda mais notável através do Sacramento da Confirmação que o Espírito Santo comunica Suas Graças e Seus Dons”. (Abade A. Boulenger.)

Portanto, toda essa insistência sobre a sensibilidade da graça, praticamente negando a graça santificante, faz com que se acabe por negar também a missão invisível do Espírito Santo e rebaixar os Sacramentos de seu alto posto, reduzindo-os apenas a canais ordinários por onde passa a graça e a meros ritos eclesiásticos cujo papel é “complementar” o sensível “batismo no Espírito” durante o processo de “Iniciação Cristã”.

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