terça-feira, 15 de setembro de 2015

15/09/15 - Nossa Senhora das Dores, Santo Afonso de Ligório

15/09/2015 - Dia de Nossa Senhora das Dores, meditação por Santo Afonso de Ligório.
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Compatimur ut et glorificemur - Padecemos com ela, para sermos também com ela glorificados. (Rom. 8,17)
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    Consideremos o modo admirável de que o Senhor glorificou já nesta terra á Santíssima Virgem, por se ter associado voluntariamente a Paixão do seu divino Filho. - Primeiro, forneceu-lhe assim a ocasião para patentear ao mundo as suas sublimes virtudes, especialmente a sua ardente caridade para com Deus e o próximo. Com efeito, sendo o sofrer pela pessoa amada a prova mais patente do amor, e tendo Maria sofrido mais do que outro qualquer, pelo amor de Jesus Cristo e dos homens, provou igualmente que mais do que nenhum outro amava estes dois objetos tão caros ao seu Coração.
     Em segundo lugar, a recompensa pelo martírio indizível que a Virgem sofreu no Coração, comunicou-lhe Deus o título glorioso de Rainha dos Mártires; assim como deu a seu filho o título de Rei das Dores, em recompensa dos tormentos inexprimíveis sofridos no corpo.
     Finalmente, assim como Jesus Cristo se tornou o nosso Redentor, por nos ter remido da escravidão do demônio pelos merecimentos da sua Paixão, também Maria, porque uniu voluntariamente as suas penas com as do Filho, e pelos merecimentos das suas dores, coadjuvou a causa da nossa salvação, tornou-se Coredentora do gênero humano. - É exatamente o que Jesus Cristo declarou do alto da cruz, depositando nas mãos dela, como diz São Bernardo, todo o preço da Redenção, e proclamou-a Mãe de todos os fiéis na pessoa de João: Mulier, ecce filius tuus - Mulher eis aí teu filho.
     Também nós temos a dita de ser filhos desta grande Mãe; e por isso, alegremo-nos com ela pela glorificação das suas dores e sejamos-lhe sempre devotos, reconhecendo-a como criatura mais abrasada em amor e como verdadeira Rainha dos Mártires e Coredentora do mundo.
Sendo esta terra um lugar de merecimentos, é chamada com razão vale de lágrimas; pois que todos somos destinados a sofrer. O merecimento, porém, não consiste somente em sofrermos, mas em sofremos com paciência e conformidade com a vontade divina. São João viu todos os santos com palmas, símbolo do martírio, nas mãos: Vidi turbam magnam... Et palmae in manibus eorum. Desta forma insinua que todos os adultos venham a salvar-se, devem ser mártires, quer pelo sangue, quer pela paciência.
    Nós também, como observa São Gregório, podemos, assim como a divina Mãe, ser mártires sem o fero do algoz, praticando a virtude da paciência. - Se, pois, oferecermos a Deus, pela conversão dos pecadores, as penas que forçosamente havemos de sofrer, e se sofrermos estas penas exatamente com a intenção de cooperarmos para esta conversão, então, na palavra de Pedro de Blois, seremos também de alguma sorte coredentores.
    Como fruto desta meditação, abracemos com resignação e pelo amor de Deus todas as tribulações que nos possam vir durante o dia, especialmente as enfermidades, as perseguições, as injúrias, os desprezos. E quando sentirmos o peso das cruzes, olhemos para a Rinha dos Mártires, e pensando na sua glorificação, digamos: Padecemos com Maria, para também sermos com Maria glorificados. - Ó Mãe das dores, proponho imitar as vossas virtudes, e especialmente a vossa paciência; ajudai-me a ser-vos fiel.
     E Vós, meu Jesus, sede-me propício, e concedei-me a graça de experimentar o feliz efeito da vossa Paixão, na qual, como o havia profetizado Simeão, uma espada de dor transpassou a alma tão terna da gloriosa Virgem Maria, vossa Mãe, cujas dores celebramos e honramos.

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