sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A Fé, segundo Catecismo da Crise da Igreja.

+ Que é necessário pensar do slogan correntemente propagado, segundo o qual, nas nossas relações com os "cristãos separados", devemos olhar mais para o que nos une do que para aquilo que nos separa?

Quando se trata da Fé, é absolutamente falso e contrário ao ensinamento tradicional da Igreja dizer que é preciso olhar mais para o que nos é comum do que para aquilo que nos divide. Dá-se assim a impressão que as diferenças só se referem a detalhes sem importância, enquanto se trata, na realidade, da Verdade Revelada.

+ Mas a Fé não é principalmente um sentimento?

É um dos erros do Modernismo, condenado por São Pio X, em 1907, na encíclica Pascendi, dizer que a Fé é um sentimento, emergente do subconsciente, que exprime a necessidade do divino. Na verdade, o ato de Fé não é um sentimento, mas a recepção consciente e voluntária da Revelação Divina, tal como eta se apresenta ao homem na Sagrada Escritura e na Tradição.

+ O que é a Revelação para os modernistas?

Para os modernistas, a Revelação se produz quando o sentimento religioso passa da esfera do subconsciente àquele da consciência. A Fé só seria então algo sentimental e subjetivo. A Revelação não seria dada do exterior (do Alto), mas emergiria do interior do homem.

+ Que é então, para os modernistas, o papel de Cristo na revelação?

Na origem do cristianismo há, para os modernistas, a experiência religiosa de Jesus Cristo (cuja divindade é, claro, posta de lado). Cristo partilhou suas experiências com os outros, que as viveram eles mesmos e comunicaram-nas ao seu redor. A Igreja nasceu dessa necessidade dos fiéis de comunicar a outros suas experiências religiosas e de formar uma comunidade. A Igreja não é uma instituição divina: é somente - como os Sacramentos, o Papado e os dogmas - o resultado das necessidades religiosas dos crentes.

+ Não é verdade que o homem tem naturalmente um sentimento religioso?

O sentimento religioso natural deve ser cuidadosamente distinto da Fé sobrenatural do católico. Há certamente, no coração do homem, uma necessidade de Deus; mas que permanece um sentimento muito obscuro se Deus não intervém para Se revelar ao homem. Além do mais, como tudo o que é natural para nós, o sentimento religioso está ferido pelo pecado original: pode facilmente levar ao erro e mesmo ao pecado (superstição, idolatria, etc.)


+ A Fé não está, porém, ligada ao sentimento religioso?

É exato que um sentimento de segurança e de bem-estar está ligado a Fé; mas ai não está a essência da Fé. Esse sentimento, como todos os outros sentimentos, é cambiante e será ora mais fraco; ora mais forte; pode mesmo desaparecer completamente durante algum tempo. Grandes santos, como Vicente de Paulo, ou Tereza do Menino Jesus, foram às vezes, privados desta certeza sensível; sem, no entanto, tornarem-se hesitantes em sua convicção sobre a verdade e a certeza da fé.

+ Onde encontrar, sobre este ponto, o ensinamento certo da Igreja?

No juramento anti-modernista imposto por São Pio X, e que todos os padres deveriam pronunciar antes de sua ordenação (até 1967), está dito: "Tomo em toda certeza e professo sinceramente que a Fé não é um sentimento religiosos cego surgido das profundezas tenebrosas da subconsciência sob a pressão do coração e o impulso da vontade moralmente informada; mas sim que ela é um verdadeiro assentimento da inteligência à verdade recebida de fora, ex auditu: assentimento pelo qual cremos verdadeiro, por causa da autoridade de Deus, soberanamente verídica, tudo o que foi dito, atestado e revelado pelo Deus pessoal, nosso Criador e nosso Mestre."


+ A Fé pode mudar?

Para os modernistas, a Fé pode mudar, pois os dogmas só são a expressão de um sentimento e de uma necessidade religiosos. Devem, então, ser adaptados e formulados de maneira nova, logo que mudem os sentimentos e necessidades religiosos.
Ao contrário, se os dogmas exprimem de maneira infalível as Verdades de Fé, como ensina a Igreja, é evidente que não podem mudar, pois o que era verdadeiro ontem não pode ser falso hoje, e vice-versa. Tanto quanto a verdade, a Fé verdadeira é imutável. Por isso que São Pedro escreve: "Se nós mesmos ou um anjo vindo do céu vos anunciarem um outro evangelho diferente deste que vos temos ensinado, que seja anátema." (Gl, 1,8). "Jesus Cristo, heri et hodie, ipse et in saecula - Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente." (Hb 13,8).

+ Há um progresso na Fé?

Um progresso de doutrina da Fé é possível somente no sentido de que as Verdades da Fé são masi bem apreendidas e explicadas. Um tal desenvolvimento foi predito por Jesus Cristo à sua Igreja, quando disse: "O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á tudo e recorda-vos-á tudo o que Eu vos disse." (Jo 14,26)

+ O Espírito Santo não pode ensinar a Igreja novas Verdades?

A Revelação acabou desde a morte dos Apóstolos.¹ Desde então, o Espírito Santo não ensina novas Verdades, mas faz a Igreja entrar sempre mais profundamente na Verdade trazida pelo Cristo. Verdades reveladas que, até uma época, não tiveram mais que um papel de segundo plano na vida da Igreja, podem, pois, passar ao primeiro plano em outra época. As controvérsias que opuseram a Igreja aos hereges A forçaram também a expor de maneira sempre mais precisa e mais clara as Verdades de Fé - tomando explícitas Verdades até então implícitas - mas sem nunca acrescentar nada ao Depósito Revelado aos apóstolos.


¹Entre as proposições modernistas condenadas em 1907 pelo Papa São Pio X figura o erro seguinte "A Revelação, que é objeto da Fé Católica, não foi terminada com os Apóstolos."


Retirado do Catecismo da Crise da Igreja.

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