sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Aos homens casados - São João Crisóstomo.

Se aquele que olhar uma mulher para desejá-la já cometeu com ela adultério (cfr. Mt 5, 28), quem a todo o custo se empenha em vê-Ia nua não ficará mil vezes cativo? [...] Quando se trata de preeminências, aspirais ao primeiro lugar em toda a terra, por ter sido a vossa cidade [Antioquia] a primeira que se coroou com o nome de "cristão"; mas neste combate da pureza, não vos envergonhais de ocupar um lugar inferior ao das mais rústicas aldeias! "Muito bem - respondeis-me -, que queres então que façamos? Que subamos esses montes e nos façamos monges?" Isto é o que me faz gemer, que penseis que a modéstia e a castidade convêm somente aos monges. Não, Cristo promulgou leis comuns a todos. Com efeito, quando disse: Aquele que olhar uma mulher para desejá-la, não falava com o monge, mas com o homem casado, pois desses homens estava cheio o monte sobre o qual o Senhor falava. [...] Não te proíbo de te casares nem me oponho a que te divirtas. Só quero que o faças com temperança, não com impudor, não com culpas e pecados sem conta. Não imponho como lei que vades aos montes e aos desertos, mas que sejais bons, modestos e castos, mesmo vivendo no meio das cidades. Para dizer a verdade, temos em comum com os monges todas as leis divinas, com exceção do matrimônio [...]. Permanece na tua casa com a tua mulher e os teus filhos, mas não ultrajes essa mesma mulher, não desonres os teus próprios filhos, não metas na tua casa a peste dos teatros. Não ouves Paulo que diz: O varão não tem poder sobre o seu corpo, mas a mulher? (1 Cor 7, 4). [O Apóstolo] impõe leis comuns ao homem e à mulher. Tu, no entanto, se a tua mulher freqüenta a igreja, logo a cobres de implacáveis recriminações; mas passares tu o dia inteiro no teatro, não pensas que mereça recriminação alguma. És tão exigente quanto à castidade da tua mulher que chegas ao excesso e à falta de medida, a ponto de não lhe permitires as saídas necessárias; quanto a ti, porém, pensas que tudo te está permitido. Mas não será Paulo quem to permita, pois dá à mulher o mesmo poder que a ti: Pague o homem - afirma - a honra que deve à mulher. Mas que honra é essa, quando a ultrajas da maneira mais cortante e entregas a uma prostituta o corpo que lhe pertence - porque o teu corpo pertence a ela -, quando crias em tua casa alvoroços e guerras, quando fazes em praça pública o que não podes contar na intimidade sem envergonhares a tua esposa que te ouve, sem envergonhares a tua filha que está presente, sem te envergonhares antes a ti mesmo?

São João Crisóstomo. 

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