terça-feira, 8 de setembro de 2015

Meditação - Deus é misericordioso, mas também é justo, por Santo Afonso de Ligório

08/09/2015 - Terça-Feira - Deus é misericordioso, mas também justo. 

Misericordia enim et ira ab illo cito proximant, et in peccatores respicit ira illius - A sua misericórdia e sua ira chegam rapidamente, e em sua ira olha para os pecadores. (Ecll. 5,7)

    Diz Santo Agostinho que o demônio engana os homens de dois modos: pelo desespero e pela esperança. Quando o pecador caiu, arrasta-o ao desespero, representando-lhe o rigor da divina justiça; mas antes do pecado, excita-o a comete-lo pela confiança na divina misericórdia. - Com efeito, será difícil encontrar um pecador tão desesperado que se queira condenar por si próprio. Os pecadores querem pecar, mas sem perderem a esperança de se salvar. Pecam e dizem: Deus é misericordioso; cometerei este pecado e depois irei confessar-me dele. Mas, ó Deus! É assim que falaram tantos que agora estão condenados.
    Avisa-nos o Senhor: "Não digas: são grandes as misericórdias de Deus, por muitos pecados que eu cometa, obterei o perdão por um só ato de contrição." Não digas assim, avisa-nos Deus; e porque? Porque a sua misericórdia e a sua justiça vão sempre juntas; e a sua indignação se inflama contra os pecadores impenitentes, que amontoam pecados sobre pecados e abusam da misericórdia para mais pecarem: A sua misericórdia e a sua ira chegam rapidamente, e a sua indignação vira-se contra os pecadores. - A misericórdia de Deus é infinita, mas os atos dessa misericórdia são finitos. Deus é misericordioso, mas é também justo. "Eu sou justo e misericordioso.", disse um dia o Senhor a Santa Brigida; "mas os pecadores julgam-me somente misericordioso."

    Não queiramos, escreve São Basílio, considerar só uma das faces de Deus. E o Bemaventurado João Avila acrescenta que tolerar os que abusam da misericórdia de Deus, para mais o ofenderem, não seria mais ato de misericórdia, mas falta de justiça. A misericórdia é prometida ao que teme a Deus, não ao que dela abusa: Et misericordia eius timentibus eum. A justiça ameaça os pecadores obstinados; e assim como Deus, observa Santo Agostinho, não falta as suas promessas, tão pouco faltará a suas ameaças.
    Meu irmão, escuta o belo conselho que te dá Santo Agostinho: Post peccatum spera misericordiam. Depois do pecado, confia na misericórdia; mas antes do pecado, receia a sua terrível justiça: Ante peccatum pertimesce iustitiam. Sim, porque é indigno da misericórdia de Deus quem dela abusa para o ofender. Aquele que ofende a justiça, diz Afonso Tostato, pode recorrer a misericórdia; mas a quem poderá recorrer o que ofende a própria misericórdia? Seria zombar de Deus querer continuar a ofende-lo e desejar depois do paraíso. Avisa-nos, porém, São Paulo, que Deus não consente que zombemos dele: Deus non irridetur.
    Ah, meu Jesus, eu sou um daqueles que Vos ofenderam, porque Vós ereis tão bom. Esperai, Senhor, não me abandoneis ainda, já que pela vossa graça espero nunca mais dar-Vos motivo para que me abandoneis. Pesa-me, ó bondade infinita, de Vos ter ofendido e abusado tanto da vossa paciência. Graças Vos dou por me terdes esperado até agora. No futuro, não mais Vos quero trair como no passado.
    Vós me suportastes tanto tempo, afim de me verdes um dia cativo amorosamente da vossa bondade. Esse dia já chegou, como espero. Amo-Vos, ó bondade infinita. Jesus, meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas; estimo a vossa a graça mais que todos os reinos do mundo; antes perder mil vezes a vida que perder a vossa afeição. - Meu Deus, pelo amor de Jesus Cristo, dai me, com o vosso amor, a santa perseverança até a morte. Não consintais que eu torne a trair-Vos, e deixe jamais de Vos amar. - Ó Maria, sois a minha esperança; obtende-me a perseverança e nada mais vos peço.

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