terça-feira, 15 de setembro de 2015

Meditação - Devemos recear que o primeiro novo pecado talvez seja o último.

15/09/2015 - Terça-Feira - Devemos recear que o primeiro novo pecado seja talvez o último.

Fili, peccasti? Ne adicias iterum; sed et de pristinis deprecare ut tibi dimittantur - Filho, pecaste? Não tornes a pecar, pelo contrário roga para que os pecados cometidos te sejam perdoados. (Ecl. 21,1)

     Tal é o conselho que nos dá o Senhor, porque nos quer salvar: que não tornemos a ofende-Lo, e que de hoje em diante procuremos obter o perdão dos pecados cometidos: Ne adicias iterum sed et de pristinis deprecare, ut tibi dimittantur. Meu irmão, quanto mais ofendeste a Deus, tanto mais deves recear-te de uma nova ofensa, porque um pecado a mais poderia fazer baixar a balança da divina justiça, e ficarias condenado. Não digo que depois de mais um pecado não haverá absolutamente perdão para ti; não sei; mas pode acontecer. Dize, pois, quando fores tentado: Quem sabe se Deus ainda me quererá perdoar e se não ficarei condenado?

    Dize-me: se fosse provável que alguma iguaria contem veneno, havias de prova-la? Se cresses com certa probabilidade que em algum caminho os teus inimigos estão a tua espreita para te tirar a vida, passarias por ele, havendo outro mais seguro? E que certeza, ou mesmo que probabilidade tens de que, pecando de novo, terás depois verdadeiro arrependimento e não recairás outra vez? Ou que Deus não te deixará morrer no ato mesmo do pecado, ou depois dele te abandone?
    Ó Deus! Quando compras uma casa, tomas toda as providências para legalizar o negócio e não perder o dinheiro. Quando tomas um remédio, primeiro procuras certificar-te de que não te fará mal. Se passas um rio, tomas precauções para não cair na água. E depois por uma satisfação miserável, por um prazer imundo, quererás por em risco a salvação eterna dizendo: Espero que me hei de confessar? - Escuta o que te diz Santo Agostinho: Deus, assim fala o Santo, prometeu o perdão ao que se arrepende, mas não prometeu o dia seguinte ao que o ofende. Se pecares, pode ser que Deus te dê tempo de fazer penitência, pode ser que não. Se não te der, que será de ti em toda a eternidade? Entretanto, perdes a alma por miserável prazer e a põe em perigo de ficar eternamente perdida.
    Avivemos a nossa fé. Dize-me, meu irmão, a existência do céu e do inferno é uma verdade santa, ou uma pura invenção? Crês que, se a morte te colhesse em estado de pecado, estarias perdido para sempre? Que temeridade, pois, o condenar-te a uma eternidade de penas, dizendo: Espero mais tarde raparar as minhas faltas! Nemo sub spe salutis vult aegrotare - Não há ninguém tão louco, diz Santo Agostinho, que tome veneno e diga: Pode ser que depois me cure com remédios. E queres condenar-te a uma morte eterna, dizendo: talvez me livre mais tarde?
    Ó loucuras, que arrastou e continua a arrastar tantas almas ao inferno, segundo a ameaça do Senhor: Pecaste, fiando-te temerariamente na misericórdia divina; mas o castigo cairá de improviso sobre ti, sem que sabias de onde vem.
    Eis me aqui, Senhor, um desses insensatos que tantas vezes perdeu a sua alma e a vossa graça, esperando readquiri-las. Ai! Que seria de mim, se me tivésseis deixado morrer em tal tempo, ou durante estas noites, que passei em estado de pecado? Agradeço a vossa misericórdia o ter esperado por mim, e ter-me feito conhecer o meu desvairamento. Vejo que quereis a minha salvação e quero salvar-me. Arrependo-me, bondade infinita, de vos ter tantas vezes voltado as costas; amo-Vos de todo o coração e espero pelos merecimentos de vossa Paixão, nunca mais ser tão insensato.
    Ó meu Jesus, apressai-Vos a perdoar-me, recebei-me na vossa graça, já que não mais me quero afastar de Vós. Não quero sofrer a desgraça e a confusão de me ver no futuro privado da vossa graça e do vosso amor. Concedei-me a santa perseverança e fazei que sempre Vo-la peça; particularmente, quando for tentado, implorando então em meu auxílio o vosso santo Nome e o de vossa santa Mãe, dizendo: Meu Jesus, ajudai-me; Maria, minha Mãe, socorrei-me. Se a tentação persistir, concedei-me a graça de eu também persistir em invocar.

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