segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Meditação - Do amor que Deus nos mostrou, por Santo Afonso de Ligório

07/09/2015 - Segunda-Feira - Do amor que Deus nos mostrou.


Nos ergo diligamus Deum, quoniam Deus prior dilexit nos - Amemos portanto a Deus, porque Deus nos amou primeiro. (I Jo 4,19)


    Considera primeiro que Deus merece teu amor, porque te amou antes de ser amado por ti e de todos os seres: In caritate perpetua dilexi te - Com amor eterno te amei. Os primeiros que te amaram na terra, foram teus pais; mas só te amaram depois de te terem conhecido. Deus já te amava, antes de existires. Ainda não existiam no mundo nem teu pai, nem tua mãe, e já Deus te amava. Não era ainda criado o mundo, e já Deus te amava.
    E quanto tempo antes da criação já te amava Deus? Talvez mil anos, mil século antes? Escusado é contar anos e séculos: In caritate perpetua dilexi te; ideo attraxi te, miserans tui - Com amor eterno te amei; por isso, compadecido de ti, te te atrai a mim. Numa palavra, Deus te amou desde que é Deus, e desde que se amou a si mesmo, amou-te também. Foi, portanto, com muita razão que a santa virgenzinha Inez respondeu as criaturas que a requestavam: Ab alio amatore praeventa sum - Outro amante vos precedeu.
    Assim, meu irmão, teu Deus te amou desde a eternidade. e é só por amor de ti que tirou do nada tantas outras criaturas formosas, afim de que te servissem e te recordasse sem cessar o amor que te tem, e o que lhes deves. O céu e a terra, exclamava Santo Agostinho, tudo me prega, ó meu Deus, quanto sou obrigado a amar-Vos. Quando o Santo olhava o sol, a lua, as estrelas, as montanhas, os rios, parecia-lhe que todas estas criaturas lhe diziam: Agostinho, ama a teu Deus, criou-nos para ti, para ganhar o teu amor.

    O abade de Rancé, fundador da Trappa, á vista das colinas, das fontes, das flores, dizia que todas estas criaturas lhe recordavam o amor que Deus lhe tinha. Santa Teresa dizia igualmente que as criaturas lhe repreendiam a sua ingratidão para com Deus. Quando Santa Maria Madelena de Pazzi tinha na mão uma bela flor ou qualquer fruto, sentia o coração ferido por uma seta do amor divino, dizendo consigo: "O meu Deus pensou desde a eternidade em criar esta flor, este fruto, afim de que o amasse!"
    Considera o amor particular de Deus para contigo, fazendo-te nascer num país cristão e no seio da verdadeira Igreja. Quantos não há que nascem no meio de idólatras, de judeus, de muçulmanos, os quais se perdem todos! Mas Deus te pôs no número dos que nascem em lugares onde reina a verdadeira fé.
    Ó dom inapreciável o da fé! Quantos milhões de pessoas se vêem privadas dos sacramentos, das instruções, dos bons exemplos e de todos os outros meios de salvação que nos oferece a nossa verdadeira Igreja! E Deus quis prodigalizar-te todas estas grandes vantagens sem nenhum merecimento de tua parte, ou, para melhor dizer, prevendo os teus desmerecimentos; porque, quando pensava em criar-te e fazer-te estas graças, já previa injúrias que lhe havias de fazer.
    Ó soberano Senhor do céu e da terra, como é que, tendo amado tanto os homens, sois tão desprezado por eles? Entre estes homens, ó meu Deus, amaste-me com amor particular, favorecendo-me com graças especiais, que recusaste a muitos outros, e eu Vos desprezei mais que os outros. Prostro-me a vossos pés, ó Jesus, meu Salvador;  Ne proicias me a facie tua - Não me repilais de vossa presença. Mereceria ser repelido por Vós por causa de minhas ingratidões; mas dissestes que não sabeis repelir um coração arrependido que volta para Vós: Eum qui venit ad me, non eiciam foras - Não rejeitarei aquele que vem a mim.
    Meu Jesus, misericórdia! Outrora não Vos conhecia; mas agora reconheço-Vos por meu Salvador, que morreu para me salvar e ser amado por mim. Agora Vos conheço, Vos adoro e Vos amo por todos aqueles infelizes que Vos ofendem, e nada desejo senão crescer sempre em vosso amor. - Meu Senhor, dai-me o vosso amor; mas um amor ardente, que me faça esquecer todas as criaturas; um amor forte, que me faça vencer todas as dificuldades para Vos agradar; um amor constante, que nunca mais se resfrie entre mim e Vós. Tudo espero dos vossos merecimentos, ó meu Jesus; e tudo espero também da vossa intercessão, ó minha Mãe Maria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário