segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Meditação - Do zelo da salvação das almas que devem ter os religiosos, por Santo Afonso de Ligório

14/09/2015 - Segunda-Feira - Do zelo da salvação das almas que devem ter os religiosos.


Recupera proximum tuum secundum virtutem tuam - Assiste ao teu próximo segundo as tuas forças. (Ecl. 29,27)


    Quem é chamando a Congregação do Santíssimo Redentor (a alguma ordem de vida ativa), nunca será verdadeiro seguidor de Jesus Cristo, e nunca será santo, se não cumprir o fim de sua vocação e não vier o espírito do seu Instituto, que é o de salvar as amas, e as almas mais privadas de socorros espirituais, como são os pobres moradores do campo.
    Foi este também o fim com que o Redentor veio ao mundo, pois declara "Que o espírito do Senhor repousou sobre ele e que o consagrou com a sua unção para pregar o Evangelho aos pobres." Em nenhuma outra coisa quis experimentar se São Pedro o amava, senão na sua dedicação a salvação das almas: Simon Ionnis, diligis me? Pasce oves meas... - "Simão, filho de João, amas-me? Apascenta as minhas ovelhas." Não lhe impôs, diz São João Crisóstomo, esmolas, penitências, orações ou coisas semelhantes, ma somente que procurasse salvar as  suas ovelhas: Apascenta as minhas ovelhas: Jesus Cristo declarou que teria feito a si mesmo todo o benefício que fosse feito ao mínimo dos nossos semelhantes: Amen dico vobis: Quandiu fecistis uni ex his fratibus meis minimis, mihi fecistis. - Na verdade vos digo, que o que fizerdes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim é que o fizestes.

    Deve, portanto, qualquer membro da Congregação nutrir em supremo grau este zelo, este espírito de socorrer as almas. A este fim deve cada um dirigir todos os seus empenhos. E quando algum tempo os superiores o empregarem neste ministério, deve por nele todo o seu pensamente e toda atenção. Já não se poderia considerar como verdadeiro membro da congregação aquele que não aceitasse com todo o afeto este emprego, quando imposto pela obediência, para tratar só de si mesmo, na vida de solidão e retiro. - E que maior glória para o homem, que ser cooperador de Deus, como diz São Paulo, na grande obra da salvação das almas? Quem muito ama ao Senhor, não se contenta de ser só a ama-Lo. Quisera atrair todo o mundo ao seu amor, dizendo com Davi: "Engradecei o Senhor comigo, e exaltemos junto o seu nome." Portanto, como exorta Santo Agostinho todos os que amam a Deus: Sei Deum amatis, omnes ad amorem eius repite - Se amais a Deus, atrai todos ao seu amor.
    Grande motivo para esperar a sua salvação eterna tem aquele que com verdadeiro zelo se emprega em salvar as almas. Diz Santo Agostinho: "Se salvaste uma alma, predestinastes ao mesmo tempo a tua." E o Espírito Santo promete: Cum effuderis esurienti animam tuam - quando te tiveres empenhado pelo bem de um pobre, - et animam afflictam repleveris - e o tiveres enchido da graça divina por teu zelo - implebit spendoribus animam tuam requiem dabit tibi Dominus - o Senhor te encherá a alma de luz e de paz. São Paulo punha a esperança de sua salvação eterna na salvação dos outros que ele procurava; pelo que diz aos seus discípulos de Thessalonica: Vos enim estis gloria nostra et gaudium - Vós sois a nossa glória e alegria.
    Senhor meu Jesus Cristo, como posso agradecer-Vos dignamente, vendo-me por Vós chamado ao mesmo ministério que Vós exercitastes na terra, ao ministério de, com as minhas fracas forças, ajudar as almas a se salvarem? Como merecia eu esta honra e este prêmio, depois de Vos haver ofendido tão gravemente, e sido causa de que outros Vos ofendessem? Sim, meu Salvador, já que me chamais a ajudar-Vos nesta grande obra, quero servir-Vos com todas as minhas forças. Eis-me aqui a oferecer Vos todos os meus trabalhos, e ainda o sangue e a vida para Vos obedecer. Não pretendo com isto satisfazer o meu próprio gênio, ou receber a estima e aplausos dos homens; outra coisa não pretendo senão ver-Vos amado de todos, como mereceis.
    Bendigo a minha sorte e me dou por feliz, por me haverdes escolhido para tão sublime ofício, no qual desde já faço o sincero protesto de renunciar a todos os louvores dos homens e a todos as minhas satisfações, e de querer só a vossa alegria. Seja vossa toda a honra, e satisfação, e para mim sejam somente os incômodos, os desprezos e amarguras. Aceitai, Senhor, esta oferta que Vos faz um miserável pecador, o qual Vos quer amar e ver-Vos também amado dos outros; dai-me forças para a executar. - Maria Santíssima, minha advogada, vós que tanto amais as almas, ajudai-me.

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