sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Meditação - Jesus homem das dores, por Santo Afonso de Ligório.

11/09/2015 - Sexta-Feira - Jesus, homem das dores.


Virum dolorum et scientem infirmitatem - Um homem de dores e experimentado nos trabalhos. (Is. 53,3)


    É assim que o profeta Isaias chamou o nosso Redentor: Homem de dores e experimentado nos trabalhos; isto é, experimentado e provado nos sofrimentos. Salviano, considerando as dores de Jesus Cristo, escreve: Ó amor de meu Jesus, não como Vos chamar, doce ou cruel. Parece-me que ois ao mesmo tempo um e outro; fostes doce para conosco, amando-nos tanto depois de tantas ingratidões; mas fostes demasiado cruel para com Vós mesmos, aceitando uma vida cheia de dores e uma morte tão cruel, para satisfazer os nossos pecados.
    Diz o angélico Santo Tomas que, para nos salvar do inferno, Jesus Cristo abraçou a dor mais acerba e o desprezo mais profundo: Assumpsit dolorem summum, vituperationem summam. Para satisfazer por nós a justiça divina, bastava que Jesus sofresse uma dor qualquer; mas não, Ele quis sofrer as injúrias mais ignominiosas e as dores mais cruciantes, para nos fazer compreender a malícia dos nossos pecados e o amor que seu Coração nutria para conosco. - Por isso Jesus disse, como escreve São Paulo: Corpus autem aptasti mihi. - Preparaste-me um corpo. O corpo foi dado a Jesus Cristo exatamente para sofrer. Pelo que a sua carne foi sumamente sensitiva e delicada; sensitiva de modo que sentia as dores mais vivamente; e delicada e tão tenra, que cada golpe no corpo de Jesus abria uma ferida. Numa palavra, o corpo sacrossanto de Jesus foi um corpo formado expressamente para sofrer.

  Todas as dores que Jesus Cristo padeceu até o último suspiro, teve-as presentes desde o primeiro instante de sua Encarnação. Viu-as todas e abraçou-as todas de boa vontade, para cumprir a vontade de Deus.q ue desejava fosse Ele sacrificado pela nossa salvação: Tunc dixi: Ecce venio, ut faciam, Deus, voluntatem tuam. - Então disse: Eis que venho para fazer, ó Deus, a vossa vontade. Foi esta oferta, acrescenta o Apóstolo, que nos alcançou a graça divina: por essa vontade é que temos sido santificados pela oblação do Corpo de Jesus Cristo, feita uma só vez.
    Quem deseja ver um homem de dores, olhe para Jesus Cristo sobre a Cruz. Ei-lo como se apoia com todo o peso do corpo sobre as chagas de suas mãos e pés transpassados. Cada membro tem o seu sofrimento particular sem algum alívio. É com muita exatidão que as três horas durante as quais Jesus Cristo esteve crucificado se chamam as três horas de agonia do Salvador; porquanto durante aquelas três horas sofre uma agonia contínua e uma dor que aos poucos lhe ia tirando a vida; como finamente lha tirou, visto que Jesus terminou a  vida, morrendo de pura dor
    Qual o cristão, ó meu Jesus, que poderá viver sem Vos amar, vendo-Vos feito homem de dores, e morto por ele na cruz? Mas então como é que eu pude viver tantos anos no vosso esquecimento; como é que pude dar tantos desgostos a um Deus que me amou tão excessivamente? Oh! Não ter eu morrido antes e nunca Vos ter ofendido! Ó amor de minha alma, quem me dera morrer por Vós, como Vós morrestes por mim! Amo-Vos, meu Jesus, de todo o coração, e prometo, sempre que disso me lembre, fazer atos de amor. Entre todas as criaturas possíveis me escolhestes para Vos amar; eu também vos elejo, ó soberano Bem, para Vos amar sobre todos os outros bens.
    Meu Senhor, Vós ides adiante com a vossa cruz; não quero mais deixar de Vos seguir com a cruz que me queirais dar a levar. Abraço todas as mortificações e penas que me venham de vossas mãos. Basta que não me priveis da vossa graça, e estou satisfeito. - Maria, minha esperança, obtende-me de Deus a perseverança e a graça de o amar, e nada mais vos peço.

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