domingo, 6 de setembro de 2015

Meditação - O moço de Naim e a lembrança da morte, por Santo Afonso de Ligório

06/09/2015 - Décimo quinto domingo depois de pentecostes - O moço de Naim e a lembrança da morte.

Defunctus efferebatur, filius unicus matris suae - Levavam á sepultura um defunto, filho único de sua mãe. (Luc. 7,12)


    Refere São Lucas que "Jesus ia para uma cidade chamada Naim; e iam com ele os seus discípulos e uma grande multidão de povo. E quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que já era viúva, e vinha com ela muita gente da cidade." Antes de prosseguirmos, meu irmão, reflitamos nesta primeira parte da narração evangélica, e lemremo-nos da morte.
    É fora de dúvida que devemos morrer. Cremos nesta verdade, nao porque é um ponto da fé, mas porque a vemos também com nossos olhos, pois que cada dia se repete o fato do Evangelho: Ecce defunctus efferebatur - Um defunto é levado a sepultura. Se alguém se quisesse iludir pensando que não há de morrer, não seria tido por herege, mas sim por louco, que nega a evidência. - É, pois, certo que havemos de morrer; contra cada um de nós já foi lançada a sentença inapelável: Statutum est hominibus semel mori - Está decretado que os homens morram uma só vez. Mas onde é que morreremos? Como? Quando? Ninguém o sabe. "Nada mais certo do que a morte", diz o idiota, "e ao mesmo tempo, nada mais incerto do que a hora da morte."

    O filho da viúva de Naim era novo, na flor dos anos, herdeiro único de seu pai; única consolação de sua mãe; amado de seus concidadãos que por isso acompanhavam o cortejo fúnebre. Provavelmente não pensara que a morte o havia de surpreender em tais circunstâncias; mas apesar disso colheu-o. Tal será também a nossa sorte: quem no-lo diz é Jesus Cristo, a verdade mesma: Estote parati; quia qua hora non putatis, Filius hominis veniet - Estai preparados; porque á hora que não cuidais, o Filho do homem virá.
    O Evangelho continua a narração dizendo que o "o Senhor, vendo a viúva, e movido de compaixão para com ela, lhe disse: Não chores. E chegando-se ao esquife, acrescentou: Moço, eu te ordeno, levanta-te. E sentou-se o que havia estado morto, e começou a falar." Deste modo Jesus Cristo aproveitou-se da morte daquele moço para fazer um grande milagre, que consolou uma mãe extremamente aflita, e confirmou no bem os assistentes, que glorificavam a Deus e diziam: "Um grande profeta levantou-se entre nós; e Deus visitou o seu povo."
    É o que o Senhor continua ainda sempre a fazer nas almas por ele remidas pela meditação sobre a morte. Serve-se desta lembrança para consolar a Igreja, nossa mãe, pela ressurreição espiritual de tantos pecadores, seus filhos; e, depois de os ressuscitar, serve-se ainda da mesma consideração para os fazer perseverar no bem, enchendo-os de um temor salutar. - Procura, tu também, ter sempre diante dos olhos o pensamento da morte. Fazendo isso, se és pecador, ressuscitarás depressa a vida eterna da graça; se, como espero, és justo, o Espírito Santo te assegura que nunca mais tornarás a caria no pecado: Memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis - Lembra-te de teus novissimos, e nunca jamais pecarás.
    Ó meu Deus! Graças Vos dou pela luz que agora me comunicais. Já basta de anos perdidos! Quero empregar todo o resto da minha vida em me preparar para a morte, chorando as ofensas que Vos fiz, e reparando o tempo passado, por uma dedicação mais fiel a vosso serviço. Ajudai-me com a vossa santa graça. "Purificai-me, ó Senhor, e fortalecei-me com a vossa continua piedade; e, porque sem Vós nada pode subsistir, sustentai-me sempre com os vossos dons." - Doce Coração de Maria, sede a minha salvação;

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