sábado, 12 de setembro de 2015

Nenhuma novidade, mas só o que tem sido transmitido.

Todos poderão ver, com mais claridade que a própria luz, com quanta fortaleza, diligência e zelo os veneráveis sucessores dos santos Apóstolos têm defendido sempre a integridade da doutrina recebida uma vez para sempre. 

Sucedeu que o bispo de Cartago, Agripino, de piedosa memória, teve a idéia de fazer que os hereges fossem rebatizados; e isto contra a Escritura, a norma da Igreja universal, a opinião de seus colegas, os costumes e os usos dos Padres. Isto deu origem a grandes males, porque não só oferecia a todos os hereges um exemplo de sacrilégio, mas também foi ocasião de erro para não poucos católicos. 

Dado que em todas as partes se protestava contra esta novidade, e em cada sítio os bispos tomavam diferentes posturas com respeito a ela, segundo lhes ditava seu próprio zelo, o Papa Estevão, de santa memória, bispo da Sé Apostólica, se somou com maior força que nada à oposição de seus colegas, pois entendia - acertadamente, a meu ver - que devia superar a todos na devoção à fé tanto quanto os superava pela autoridade de sua Sé. 

Escreveu então uma carta à África e decretou nestes termos: "Nenhuma novidade, mas só o que tem sido transmitido". Sabia aquele homem santo e prudente que a mesma natureza da religião exige que tudo seja transmitido aos filhos com a mesma fidelidade com a qual tenha sido recebido dos pais, e que, ademais, não nos é lícito levar e trazer a religião por onde nos pareça, mas que melhor somos nós os que temos que segui-la por onde quer que ela nos conduza.


Commonitorium por São Vicente de Lérins.

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