quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O jovem na escolha do estado, por São João Bosco

Nos seus eternos desígnios, Deus marcou a cada um de nós uma determinada condição de vida e as graças relativas.Como em todos os casos, também neste, que é de capital importância, deve o cristão procurar conhecer á vontade divina, imitando assim a Jesus Cristo, que protestava ter vindo ao mundo somente para cumprir a vontade do seu Eterno Pai.

É pois de suma importância, meus filhos, que procureis enxergar bem claramente neste assunto, para não vos iniciardes em estados e ocupações as quais o Senhor não vos destina.A uma alma favorecida por Deus de modo singular, manifestou Ele por via extraordinária o estado a que a chamava.Vós não pretendais tanto, mas consolai-vos com a segurança de que Deus vos guiará pelo reto caminho, contanto que da vossa parte não descuideis dos meios oportunos para tomar uma prudente determinação.

Um destes meios é conservar-se ilibado durante a infância e juventude, ou reparar com uma sincera penitência os anos passados infelizmente no pecado.
Outro meio é a oração humilde e perseverante.Será bom repetir com São Paulo: Senhor, que quereis que eu faça? Ou então com Samuel: falai, Senhor, que o vosso servo vos escuta; ou com o Salmista: Ensinai-me a fazer a Vossa vontade, porque sois Vós o meu Deus, ou alguma outra efetuosa aspiração semelhante a estas.


Quando tiverdes de chegar a uma determinação, dirigi-vos a Deus com as mais especiais e freqüentes orações; aplicai para este fim a Santa Missa que ouvirdes, aplicai algumas comunhões.Podereis também fazer alguma novena, algum tríduo, alguma abstinência, visitar algum santuário célebre.

Recorrei também a Nossa Senhora, que é a Mãe do bom conselho; a São José, seu esposo, que sempre foi fidelíssimo ás ordens divinas; o Anjo da guarda, aos vossos
Santos Padroeiros.

Ótima coisa seria, sendo possível, antes de tomar uma decisão de tamanha importância, fazer os exercícios espirituais ou algum dia de retiro.

Prometei que haveis de fazer a vontade de Deus, aconteça o que acontecer e apesar da desaprovação de quem julga de acordo com o ponto de vista do mundo.
Acontecendo que os pais onu outras pessoas de respeito quisessem dissuadi-vos do caminho ao qual Deus vos chama, lembrai-vos que então é o caso de por em prática o grande aviso do Evangelho, isto é, de obedecer de preferência a Deus que aos homens.Não esqueçais absolutamente o respeito e a honra que lhes deveis; respondei e tratai sempre com humildade e mansidão, mas sem prejudicar o supremo interesse da vossa alma.Tomai conselho sobre o modo de vos haverdes e confiai naquele que tudo pode.Consultai pessoas prudentes e amigas de Deus, especialmente o confessor, declarando com toda a clareza o vosso caso e as vossas disposições.


Quando São Francisco de Sales manifestou em sua casa que Deus o chamava ao sacerdócio, os pais lhe observaram que, na qualidade de primogênito da família, devia ser seu apoio e sustentáculo, que a inclinação ao estado eclesiástico provinha de uma devoção indiscreta e que ele poderia perfeitamente tornar-se santo também vivendo no mundo; e até, para melhor levá-lo secundar as suas intenções, propuseram-lhe um casamento muito vantajoso.Mas nada pôde demovê-lo do seu propósito.Antepôs constantemente à vontade de Deus á vontade dos pais, a quem amava com toda a ternura e dedicava profundo respeito.Preferiu renunciar a todas as vantagens temporais, a ter que faltar á graça da vocação.E os pais, que, não obstante alguma idéia menos reta, derivada do ponto de vista mundano, eram pessoas piedosas, mais tarde tiveram que declarar-se satisfeitos com a resolução do filho.

Retirado do Livro: O Jovem Instruído, parte I por São João Bosco.

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