quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Sobre o Sacramento do Matrimônio - Ai daquele edifício em que Satanás põe a primeira pedra!, por Santo Antonio Maria de Claret

     É um erro, meu irmão, e até uma heresia condenada, dizer-se que o estado de Matrimônio é mau. Não há dúvida que o de Virgindade e Continência é o mais perfeito, mas isto não impede que o do Matrimônio seja santo, justo e perfeito no seu tanto, e que possam ser perfeitos, justos e santos aqueles que vivem nele com verdadeiro temor e amor de Deus, como na história se lê de muitos que no dito estado se têm santificado, cumprindo bem com suas obrigações. É Este estado é santo por ser obra de Deus; pois Ele o instituiu logo após ter criado nossos pais Adão e Eva em estado de Inocência; confirmou-o depois do Dilúvio, e na Lei da Graça o elevou a Sacramento, fazendo dele um dos sete. 
     Além do mais, vindo o Filho de Deus para remir o Gênero Humano, quis nascer de uma mulher casada, posto que a mais pura e a mais casta das virgens; convidado para as Bodas de Caná da Galiléia, longe de recusar-se, assistiu-as, e nelas fez aquele milagre admirável de converter a água em vinho, o mais generoso. E não só é santificado este estado por sua instituição antiga e sua elevação a Sacramento, senão também por sua significação; pois significa a união de Cristo com a Igreja, como disse o Apóstolo São Paulo. Ó, se os contraentes pudessem avaliar bem a significação, a instituição e a elevação do Matrimônio à categoria de Sacramento! Decerto eles se preparariam melhor para recebê-lo, pois é sabido que os Sacramentos dão a Graça segundo as disposições de quem os recebe. Ó, como se preparariam de antemão com uma boa Confissão geral, pedindo ao Senhor perdão de todas as faltas da juventude! Não se tornariam indignos da Graça daquele Sacramento, como muitos, infelizmente, se tornam, cometendo pecados em seus tratos ilícitos. 

     Não Basta dizer: - nos casaremos depois, não; essa desculpa tem tanto valor como a do ladrão de uvas, que tirando-as sem serem de sua legítima propriedade viesse a dizer que já tinha intenção de comprá- las. E assim como não faria bom vinho aquele que colhesse as uvas antes do tempo ou sem estarem bem sazonadas, assim tão pouco conseguiriam a paz, a união e as demais felicidades aqueles que, com promessas de casamento, não aguardam as coisas para o seu tempo próprio. Portanto, todo aquele que deseje alcançar a graça que necessita, disponha-se a bem recebê-la, pedindo a Deus, que não lhe a recusará, contanto que, ouça a Missa da bênção nupcial em que se contêm importantes deprecações a Deus Nosso Senhor, isto é, que o Matrimônio torne santo os contraentes, que lhes infunda o divino amor, lhes dê forças para suportar os trabalhos de seu novo estado, lhes abençoe os frutos do Casamento e lhes encha das bênçãos do Céu. 
    O Demônio, desejando a ruína e perdição das almas, procura fazer com que os fiéis não compreendam a virtude dos Sacramentos, os recebam em pecado, sem fervor nem devoção, porque ele sabe que estes benefícios são espirituais, e é preciso recebê-los com fervor e boa vontade para que deles tirem o maior proveito aqueles que os recebem. 
    É assim que com astúcia diabólica muitas vezes o Demônio prepara desordens consideráveis por ocasião da celebração das bodas, tais como despesas excessivas, deleites repreensíveis e escandalosos, banquetes onde muitas vezes impera o grande pecado da intemperança; gracejos e palavras desonestas, e até jogos, danças e cantos impudicos, que só servem para excitar atos reprováveis, produzindo verdadeiras ruínas espirituais. Ai daquele edifício em que Satanás põe a primeira pedra! 
    A fábrica mal fundada não tarda a ruir por terra, disse Jesus Cristo Nosso Senhor, e certamente pode bem edificar uma casa quando os seus alicerces estão assentes sobre o pecado. As desgraças são sem conta, porque sobre elas tem grande poder o demônio Asmodeo, conforme disse o Arcanjo Rafael; e então, perdidos estarão também os bens temporais, a saúde, e a própria vida, tanto para eles como para seus descendentes. E a história nos conta que 7 maridos morreram nas mãos do demônio, vítimas de suas paixões libidinosas. 
    Oxalá, que os recém casados se recordassem daqueles santos jovens da Lei Antiga, Tobias e Sara, que na primeira noite de suas bodas diziam: “Não é justo que encetemos nossas relações sem consideração alguma, como os pagãos que ignoram a Deus; façamos primeiramente uma oração à sua divina Majestade, para que nos livre do demônio”. E foram livres do demônio, e o Senhor os encheu de graças espirituais e de bens corporais e temporais, e não só a eles, mas também aos seus pais. Ditosos aqueles que procuram imitar estes santos noivos; como eles, também alcançarão as graças do Céu. Aqueles que procederem de modo contrário, deixando-se levar por seus desejos arrebatados, ó, esses se verão estrangulados nas mãos do Espírito das trevas. 

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