domingo, 4 de outubro de 2015

CATECISMO SOBRE O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA


Todas as boas obras reunidas não equivalem ao Santo Sacrifício da Missa, porque são obras dos homens, e a Missa é obra de Deus. O martírio não é nada em  comparação: é o sacrifício que o homem fez a Deus da sua vida; a Missa é o sacrifício que Deus fez ao homem do Seu Corpo e do Seu Sangue.


Oh! Como o sacerdote é algo de grande! Se ele se compreendesse, morreria... Deus lhe obedece: ele diz duas palavras, e Nosso Senhor desce do Céu à sua voz e encerra-se numa pequena hóstia. Deus detém os seus olhares sobre o altar. "Lá está, diz Ele, Meu Filho bem amado, em quem pus todas as Minhas Complacências". Aos méritos do oferecimento dessa vítima ele nada pode recusar. Se tivéssemos fé, veríamos a Deus oculto no padre como uma luz por detrás de um vidro, como vinho misturado com água. Depois da Consagração, quando eu seguro nas mãos o Santíssimo Corpo de Nosso Senhor, e quando estou nas minhas horas de desalento, só me vendo digno do inferno, digo: "Ah! Se ao menos eu pudesse levá-lo  comigo!  O  inferno seria doce junto Dele, não me custaria ficar nele toda a eternidade a sofrer, se nele estivéssemos juntos...

Mas então não haveria mais inferno; as chamas do amor apagariam as da justiça". Como é belo! Depois da Consagração, Deus está aqui como no Céu!... Se o homem conhecesse bem este mistério, morreria de amor. Deus nos poupa por causa  da nossa fraqueza. Um sacerdote, depois da Consagração, duvidava um  pouco de que as suas  poucas palavras pudessem ter feito Nosso Senhor descer sobre o altar; no mesmo instante viu a hóstia toda vermelha e o corporal tinto de sangue. Se nos dissessem: "A tal hora devem ressuscitar um  morto", correríamos bem depressa para vê-lo. Mas a Consagração que muda o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de um Deus, não é um milagre bem maior do que ressuscitar um morto? Deveríamos empregar ao menos um quarto de hora para nos prepararmos a ouvir bem a  missa. Dever-nos-íamos aniquilar diante de Deus, a exemplo do seu profundo aniquilamento no sacramento da

Eucaristia, fazer o nosso exame de consciência; porquanto, para bem assistir à missa é preciso estar em estado de graça. Se conhecêssemos o valor do Sacrifício da Missa, ou, antes,  se  tivéssemos fé, teríamos muito mais zelo em assistir a ele. Meus filhos, estais lembrados da história que eu vos contei daquele santo sacerdote que rezava pelo amigo; aparentemente Deus lhe fizera conhecer que ele estava no purgatório; veio-lhe ao pensamento que ele nada podia fazer de melhor do que oferecer o Santo Sacrifício da Missa pela alma do amigo.

Quando chegou ao momento da Consagração, ele tomou a hóstia entre os dedos e disse: "Pai santo e eterno, façamos uma troca. Vós tendes a alma de meu amigo que está no purgatório, e eu tenho o Corpo de Vosso Filho, que está em minhas mãos; pois bem! Livrai meu amigo, e eu vos ofereço  Vosso Filho com todo o merecimento da sua Morte e Paixão". De fato, no momento da elevação, ele viu a alma do amigo, toda radiante de glória, que subia ao Céu. Pois bem! Meus filhos, quando quisermos alcançar alguma coisa do bom Deus, façamos assim também. Depois da Sagrada Comunhão, oferecemos-lhe seu Filho bem amado com todos os merecimentos da sua Morte e Paixão; ele não nos poderá recusar nada.

(Abbé A. Monnin Espírito do Cura d’Ars NOS SEUS CATECISMOS, HOMILIAS E CONVERSAÇÃO)

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