sábado, 24 de outubro de 2015

Da flagelação de Nosso Senhor Jesus Cristo - Santo Afonso Maria de Ligório

Escreve S. Paulo a respeito de Jesus Cristo: “Aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de escravo” (Fl 2,7). S. Bernardo acrescenta o seguinte a esse texto: “Não só a tomou a forma e escravo, para viver sujeito, mas a de mau escravo para ser açoitado”.

Foi revelado a S. Brígida que um dos algozes mandou que Jesus se despojasse por si mesmo de suas vestes; ele obedeceu e abraçou em seguida a coluna à qual foi amarrado e então flagelado tão cruelmente que seu corpo ficou todo dilacerado. Diz a revelação que os açoites não só feriam como também rasgavam suas carnes sacrossantas (Revel. 1.4 c. 70). E foi de tal maneira dilacerado, que se viam no peito as costelas descobertas. Quadra com isso o que escreve S. Jerônimo: “Os açoites retalharam o sacratíssimo corpo de Deus” (In Mt) e S. Pedro Damião, afirmando que os algozes tanto se fatigaram na flagelação que chegaram a perder as forças. Tudo isso há havia predito Isaías, quando dizia: “Ele foi quebrantado por nossos crimes” (53,5). Quebrantado significa o mesmo que moído, pisado. Ó meu Jesus, sou eu um dos vossos mais cruéis carrascos, que vos flagelei com os meus pecados; tende, porém, piedade de mim. Ó meu amável Salvador, é muito pouco um coração para vos amar. Não quero viver mais para mim mesmo, mas viver só para vós, meu amor, meu tudo. Digo-vos, pois, com S. Catarina de Gênova: “Ó amor, ó amor, não mais pecados”. Basta quanto vos ofendi; espero agora ser vosso e com vossa graça quero ser sempre vosso por toda a eternidade.


Santo Afonso Maria de Ligório - A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário