sexta-feira, 23 de outubro de 2015

DEVEMOS ORAR À VIRGEM MARIA



DEVEMOS ORAR À VIRGEM MARIA


Como bom protestante, o tal crente começa naturalmente pelo ódio à SS. Virgem.

Esta primeira objeção é uma prova de má fé e do erro dos protestantes. Elucidamos bem esta doutrina, pois é como o ponto de mira das objeções protestantes. Em si, tal objeção é simplesmente ridícula. Há certas coisas que não se provam, porque constituem um princípio de vida, de desenvolvimento ou de organização natural. Os princípios do bom-senso não precisam de provas, senão a consciência individual e universal. E estamos aqui diante de um tal princípio.


I. Prova do bom senso

O bom senso nos diz, o coração nos prova, e a experiência universal confirma que uma mãe tem sempre perto de seu filho um crédito todo particular. Tu honrarás a tua mãe todos os dias de tua vida, disse o santo homem Tobias (Tob 4, 3), repetindo a lei divina dada por Deus: Honra teu pai e tua mãe (Êx 20, 12).

É um laço sagrado, imortal, que liga o filho aos pais durante a vida e se perpetua a eternidade, pois no céu como na terra o filho será sempre o filho de seus pais.

Este princípio aplica-se à SS. Virgem, com mais razão ainda do que a outras criaturas, pois é dela, e só dela, por operação do Espírito Santo, que o filho de Deus recebeu a sua humanidade. Ecce Virgo Concipiet (Is 7, 14). Ele nasceu de uma Virgem.

Deve-se concluir pois que hoje ainda na glória do céu, Maria, sendo a Mãe do Filho de Deus, Maria de quem nasceu Jesus, que se chama Cristo (Mt 1, 16), conserva com seu divino Filho relações de maternidade, e em consequência tem direito às honras a que ela tinha direito e recebia aqui na terra.

Isabel prostrou-se diante da Virgem, com amor e veneração, exclamando admirada: Donde me vem a dita que a mãe do meu Senhor venha ter comigo? (Lc 1, 43). Hoje o mundo deve continuar a mesma veneração e o mesmo brado de amor, para honrar a Mãe de Jesus, que continua sempre a ser mãe do Senhor.

* * *

Por que este rancor, este ódio, contra a pura Mãe de Jesus? Será um meio de agradar ao Filho, insultar sua santa Mãe?

Pobre protestante, diga-me: se insultassem a sua mãe com o intuito de agradar-lhe, que é que responderia o amigo? — Diria, de certo: Quem insulta a minha mãe, insulta a mim, e quem a honra, honra a mim!

E o amigo diria muito bem; mostraria que é bom filho, e que, como tal, considera inseparavelmente unidos o respeito ao filho e à mãe —a honra da mãe e do filho.

Mas, então, Jesus não será bom filho?... Ele não exigirá, Ele, Deus, aquilo que nós, homens, exigimos tão imperiosamente?

É ele, Deus, que pôs no fundo de nossa alma este respeito, este brio, este zelo pela honra de nossa mãe, e ele, vindo a este mundo, ele, o autor da lei, não a cumpriria... não daria exemplo?... Ele seria menos digno, menos brioso, do que nós?

Não está vendo que é um absurdo!

Neste caso, Jesus Cristo seria menos virtuoso, menos homem, que o último dos homens... que o mais celerado, o qual, após ter perdido toda honra social, e todo brio, conserva ainda o respeito à sua mãe! Que insulto ao próprio Deus!

Eis aonde o leva o seu ódio à Igreja Católica, pobre protestante! A Igreja Católica honra e invoca a santa e pura Mãe de Jesus, como sendo Mãe do Redentor, e como tal, sendo-lhe unida por inquebrantáveis laços de intimidade, de dignidade, de amor, que fazem dela a mais santa, a mais bela e a mais poderosa de todas as criaturas, exaltadas e glorificadas por Deus.

Não é isto o que anuncia o anjo Gabriel, proclamando-a escolhida entre as criaturas, repleta de todas as graças, e unida a Deus com uma intimidade única?

Ave, cheia de graça! O Senhor é convosco! Bendita sois vós entre as mulheres (Lc 1, 28).

Medite bem isto, meu caro protestante... Reflita sobre cada uma dessas expressões divinas, e verá que, iniciando as suas caducas e grotescas objeções com insultos à Mãe de Jesus, está refutando de antemão a própria doutrina protestante, que cai necessariamente, perante o bom senso, a lógica e a sagrada escritura, que nos ensinam o contrário.


II. O que é orar

Devemos orar à Virgem Maria, isto é bem provado pela sagrada escritura, como vou mostrar-lhe aqui irrefutavelmente, porém, antes, é preciso bem determinar o que é orar, pois os protestantes não o entendem ou fingem não entendê-lo.

Orar, como sendo a expressão do culto, quer dizer, prestar homenagem,louvar, exaltar, suplicar, embora nem toda homenagem e toda exaltação seja uma oração.

No triste afã de fabricar objeções, os protestantes pretendem que orar é uma adoração, porque, dizem eles, vem de adorar. É ignorância ou perversidade. Orar e adorar são dois termos radicalmente distintos. Podem manchar e desmanchar, mas não existe entre estes dois termos nenhuma relação de significação.

Adoramos a Deus; e oramos a Deus e aos Santos, sem adorá-los.

O culto, que prestamos à Mãe de Deus, é o culto de honra e de invocação, que a teologia traduz por hiperdulia, ou suma veneração, completamente distinto do culto de adoração, prestado só a Deus, e o simples culto de veneração (dulia), prestado aos outros santos.

Dirigindo-se a Deus, os católicos dizem em suas preces: Tende piedade de nós! Dirigindo-se a Mãe de Deus, eles dizem: Rogai por nós! Dirigindo-se aos santos, dizem: Intercedei por nós!

Três palavras que exprimem a diferença do culto prestado a estas três categorias.

Diga, amigo protestante, não é isto lógico, razoável, legítimo? Faça calar um instante o seu obcecado ódio à Igreja Católica e pondere o seguinte raciocínio:


III. O que é honrar e invocar

Como já disse, o culto da SS. Virgem consta de dois atos: a honra e a invocação. Ora, haverá coisa mais justa que honrar aquela que foi honrada pelos próprios anjos, pelo próprio Deus? Ela é a Mãe de Deus, e por este título ocupa lugar glorioso e único na criação. Ela foi na terra a criatura mais santa e é no céu a mais poderosa de todos os eleitos.

Além disso, ela é a nossa Mãe, conforme a palavra do Apóstolo, que chama Cristo o primogênito entre muitos irmãos (Rom 7, 29). Somos irmãos espirituais de Jesus Cristo; Jesus é o filho da SS. Virgem; somos, pois, filhos espirituais da SS. Virgem, que é verdadeiramente a nossa Mãe.

Ecce Mater tua: Eis a tua Mãe (Jo 19, 26). Sendo a nossa Mãe, a SS. Virgem têm o direito a uma honra e a um culto acima das honras e do culto que tributamos às outras criaturas.

Honramos e exaltamos os grandes homens da terra, os heróis, os gênios, os beneméritos da humanidade; e não honraríamos, nem exaltaríamos aquela a quem devemos o Redentor, o Filho de Deus, numa palavra: a salvação! O bom senso se revoltaria contra a asserção negativa!

E não somente honramos os benfeitores da humanidade; nós fazemos os seus retratos, erigimos-lhes estátuas e monumentos; e não o faríamos para a mais bela, a mais santa e mais benfazeja das criaturas, que é a Virgem Mãe de Deus? O coração humano se revoltaria contra a asserção negativa!

Tiremos a conclusão: é, pois, lícito, é lógico é necessário honrar a SS. Virgem.

Honrá-la não é o bastante. É preciso invocá-la, pois a invocação é uma parte constitutiva do culto. As honras prestadas exaltam a grandeza e a virtude. A invocação exalta o poder e a bondade.

Maria SS. é grande pela sua qualidade de Mãe de Deus e pelas exímias virtudes que a adornam. Ela é poderosa e bondosa como a mãe dos homens; poderosa para poder ajudá-los; bondosa para querer fazê-lo.

Ora, nós, aqui na terra, somos pobres pecadores, somos necessitados e fracos; precisamos de auxílio, de forças e de generosidade. A quem pedi-los? Aos homens? Os homens sabem apenas dar esmola material; só Deus pode sustentar e fortificar a alma. É dele, pois, que devemos receber a esmola espiritual.

E esta esmola é transmitida aos homens, pelas mãos da SS. Virgem. Ela é cheia de graça (Lc 1, 28) para poder transmitir aos homens a graça, como o canal transmite aos campos, ressequidos pelo sol, as águas do oceano.

Tal um canal repleto, que recebe as águas e as transmite aos campos, assim a Virgem Maria recebe de Deus as graças divinas para comunicá-las aos homens.

Maria, diz S.Bernardo, está colocada entre Jesus Cristo e os homens para ser o canal que esse divino Salvador derrama sobre a humanidade... Deus escolheu Maria, diz ainda o mesmo doutor, para ser o canal das graças, e ele quer que as alcancemos todas pela sua intercessão (Sermo de Aquaeductu).

Maria SS. pode, pois, ajudar-nos, porque é Mãe de Deus... Ela quer ajudar-nos, porque é nossa Mãe. Ela nos ajuda, porque é o ofício de que o próprio Deus a encarregou.

É, pois natural, lógico e lícito invocá-la. Se o não fosse, Deus não deveria tê-la feito tão grande, tão poderosa e tão bondosa; senão estas prerrogativas ficariam como sepultadas nela, sem ter por onde e sobre que exercer-se. E Deus nada faz inutilmente.

Devemos, pois, concluir, pela aproximação da vontade de Deus, do poder e bondade de Maria SS., e de outro lado, das nossas necessidades, que devemos invocar a Mãe de Deus, do mesmo modo que o pobre e necessitado deve invocar ao rico, para manifestar-lhe as suas precisões e obter dele o auxílio necessário.

Eis o que o bom senso e a razão nos ensinam acerca do culto de Maria SS. que nos mostram a liceidade e a necessidade de honrar e de invocar a santa e imaculada Mãe de Jesus.

Resta-me provar que tal prática está em pleno acordo com a bíblia. É o que farei irrefutavelmente com os textos da Sagrada Escritura.


IV. Prova bíblica

Vamos agora à prova positiva... às provas da bíblia. O protestante que sempre anda com a bíblia, devia ter encontrado muitos e decisivos passos que provam claramente o que acabamos de dizer.

Infelizmente, como justo castigo do seu orgulho, eles são, como diz o Evangelho, de olhos obcecados e coração endurecido, de modo que não enxergam com os olhos e não entendem no coração (Jo 12, 40).

Tome a sua bíblia, caro protestante, e medite bem cada uma das provas que vou citar aqui. Para completa compreensão, e para não deixar a mínima dúvida, nem a menor saída da verdade, vou provar-lhe quatro coisas pelos textos da bíblia que resumem e como que esgotam o assunto:

1º Que podemos orar aos santos;
2º Que devemos orar aos santos;
3º Que Deus escuta as orações dos santos;
4º Que Deus recomenda de recorrer às orações dos santos.

Eis quatro coisas formidáveis, meu caro crente, que vão muito além do seu pedido. Não somente citarei um texto da bíblia, mas citarei dezenas de textos, para mostra-lhe que orar à Virgem Maria é bom, é permitido, é aconselhado, é recomendado por Deus mesmo.

A conclusão de cada uma destas provas será a seguinte (convém indicá-la logo, para poupar-lhe raciocínios e delongas): Se Deus escuta as preces dos santos, é sinal de que tais preces lhe agradam; se ele recomenda de recorrer às orações dos santos, é sinal de que ele quer que os homens orem aos santos. E se Deus escuta aos santos e recomenda de recorrer a eles por serem seus amigos, com mais razão ele escuta a Santíssima Virgem e recomenda de recorrer a ela, por ser sua Mãe.

Provar que se pode e deve orar aos santos, é provar, pois, que se pode e que se deve orar à Virgem Maria, a mais santa dos santos, a rainha dos santos.

(Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes por Pe. Júlio Maria)


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