terça-feira, 20 de outubro de 2015

Fim, meios e obras do padre zeloso


Se queremos que Deus recompense os trabalhos que consagramos à salvação das almas, não nos devemos deixar mover nem pelo respeito humano, nem pela nossa própria honra e interesse, mas só pelo amor de Deus e da sua glória. De contrário, o fruto dos nossos labores seria um castigo e não uma recompensa. “Grande seria a nossa loucura, dizia o bem-aventurado José Calasanzio, se trabalhando como trabalhamos, esperássemos dos homens uma recompensa temporal”. É muito arriscada, diz Sto. Tomás, a missão de salvar as almas. E S. Gregório diz do padre: Quantas pessoas um homem tem a governar, outras tantas, por assim dizer, são as almas de que há de prestar contas ao soberano Juiz. Com auxílio de Deus, pode-se exercer o ministério sem pecar e com merecimento; mas quem não o exerce com o fim de agradar a Deus, será privado do socorro divino, — e então como poderá eximir-se de pecado? Como procederão os que, segundo S. Boaventura, “recebem as santas Ordens, não na intenção de salvarem as almas, mas com os olhos em sórdidos lucros?” Ou, segundo S. Próspero, “não para se tornarem melhores, mas para se enriquecerem; não para se santificarem, mas para serem honrados?” Quando um eclesiástico procura ser provido num benefício, pergunta acaso, quantas almas tem a ganhar para Deus? Não, responde Pedro de Blois; o que pergunta é quanto rende. Conforme a expressão do Apóstolo, muitos padres “procuram os seus interesses e não os de Jesus Cristo”. “Abuso detestável! exclama o venerável João de Avila, fazer servir o Céu à terra!” Observa S. Bernardo que N. Senhor ao recomendar as suas ovelhas a S. Pedro, lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas, e não: ordinha ou tosquia as minhas ovelhas. E lê-se na Obra imperfeita: Somos obreiros contratados por Jesus Cristo; portanto assim como ninguém chama um operário só para comer, também nós não fomos chamados pelo Salvador somente para cuidarmos dos nossos interesses, mas para a glória de Deus. Donde S. Gregório conclui que os padres não devem comprazer-se em estar à frente dos outros homens, mas sim em lhes fazer bem. É pois a glória de Deus o único fim que o padre se deve propor, trabalhando no bem das almas.

(Retirado do Livro: A Selva, por Santo Afonso)

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