sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Meditação - As virtudes do Bom Ladrão e a segunda palavra de Jesus na Cruz, por Santo Afonso de Ligório

    09/10/2015 - Sexta-Feira - As virtudes do Bom Ladrão e a segunda palavra de Jesus na Cruz.

     Amen dico tibi: Hodie mecum eris in paradiso - Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no paraíso. (Luc. 23,43)

     Para que o nome de Jesus Cristo ficasse eternamente difamado, os judeus crucificaram-no entre dois ladrões, como usurpador sacrílego da divindade; cumprindo assim a profecia de Isaiais: Et cum sceleratis reputatus est - Ele foi colocado no número dos malfeitores. O Senhor permitiu esta malícia diabólica afim de nos dar um belo exemplo de conversão sincera, e ao mesmo tempo, uma prova eximia de sua infinita misericórdia.
     Refere São Lucas que dos dois ladrões um ficou obstinado e outro se converteu. Este, vendo que seu companheiro perverso blasfemava contra o Senhor, pôs-se a repreende-lo dizendo que eles eram castigados conforme mereceram, mas que Jesus era inocente e não tinha feito mal algum. E depois, volvendo-se para o próprio Jesus, disse: Domine, memento mei, cum veneris in regnum tuum. - Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. Com estas palavras reconheceu-o por seu verdadeiro Senhor, e, segundo observa Arnoldo de Chartres, deu provas das mais belas virtudes: Ibi credit, poenitet, praedicat, amat, confidit et orat - Ele crê, arrepende-se, prega, ama, confia e ora.
    Na cruz o bom ladrão praticou a fé, crendo, como diz São Gregório, que Jesus Cristo, depois de morto, havia de entrar triunfante no reino de sua g lória. Praticou a penitência, confessando que merecia a morte e não se atrevendo, na palavra de Santo Agostinho, a esperar o perdão antes da confissão de suas culpas. Pregou, exaltando a inocência de Jesus. Praticou sobretudo o amor para com Deus, aceitando com resignação a morte em expiação de seus pecados. Pelo que São Cipriano não hesita em chamá-lo de verdadeiro mártir, batizado em seu próprio sangue. Felizes de nós, se, tendo seguido o ladrão em seus desvarios, o imitarmos também na sua conversão sincera a Deus!
     A suplica do bom ladrão respondeu Jesus unicamente prometendo-lhe para o mesmo dia o paraíso: "Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no paraíso." Escreve um sábio escritor que, em virtude desta promessa, o Senhor no mesmo dia, e imediatamente depois da morte, se lhe mostrou a descoberto e tornou-o felicíssimo, muito embora não lhe comunicasse todas as delícias do céu antes de ai entrar.
     Consideremos neste fato a bondade de Deus, que sempre concede mais do que se lhe pede; porquanto, como observa Santo Ambrósio, o bom ladrão pediu tão somente a Jesus Cristo que se lembrasse dele, e no mesmo instante Jesus Cristo lhe promete e lhe dá o paraíso. Observa além disso São João Crisóstomo, que antes do bom ladrão ninguém merecera a promessa do paraíso. Realizou-se então o que Deus disse pela boca de Ezequiel, que, quando o pecador se arrepende de seus pecados, com coração sincero, Deus os perdoa de tal modo, como se não se lembrasse mais das injúrias recebidas: Si autem impius egerit poenitentiam, omnium iniquitatum eius non recordabor.
     Consideremos ainda que, para o mau ladrão a cruz parecida com a impaciência foi a causa de maior perdição no inferno, ao passo que para o bom ladrão a cruz padecia com paciência se tornou a escada do paraíso. - Feliz de ti, ladrão santo, que tivestes a ventura de unir a tua morte a de teu Salvador! Ó meu Jesus, doravante consagrou-Vos toda a minha vida, e peço-Vos a graça de, na hora da morte, poder unir o sacrifício de minha vida ao que oferecestes a Deus sobre a cruz. Pelos méritos desse vosso sacrifício espero morrer em vossa graça, amando-Vos com amor puro e livre de todo o afeto terreno, afim de continuar a amar-Vos com todas as minhas forças por toda a eternidade. - Ó Maria, minha aflita Mãe, alcançai-me a santa perseverança.

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