terça-feira, 20 de outubro de 2015

O ADMIRÁVEL MUNDO ANGÉLICO

“E ouvi a voz de muitos anjos em volta do trono... 
e era o número deles milhares de milhares”. ( Ap 5,11)

ALÉM DO MUNDO VISÍVEL e material, criou Deus também o mundo invisível e espiritual, o admirável mundo angélico. A existência dos anjos foi negada na Antiguidade, entre judeus, pela seita dos saduceus (cf. At 23, 8). Mais tarde, por certas seitas protestantes, como os anabatistas. Em nossos dias ela tem por adversários os ateus, materialistas e positivistas, que não crêem senão naquilo que seus olhos vêem e seus sentidos apalpam. Os racionalistas, para encontrar uma excusa aparentemente racional à sua incredulidade, alegam que os anjos foram inventados pelos judeus no tempo do cativeiro da Babilônia, por imitação das entidades ali cultuadas; ou, então, consideram os anjos como simples modo poético e simbólico de referir-se às virtudes divinas e aos vícios humanos... Contra todos esses, falam os dados da razão, a crença comum dos povos e a revelação divina.



Os anjos existem

Pela simples razão, independentemente da revelação, o homem pode chegar de algum modo ao conhecimento da existência dos anjos. Com efeito, a existência de seres puramente espirituais não repugna à razão. E um exame da criação, à mera luz do intelecto pode levarmos à conclusão de que a existência de criaturas puramente espirituais convém à harmonia do Universo, pois assim estariam representados os três gêneros possíveis de seres: os puramente espirituais, acima do homem; outros, puramente materiais, abaixo do homem; por fim, seres compostos, dotados de matéria e espírito — os homens. E a crença comum dos povos, constante em todos os lugares e em todas as épocas, sempre afirmou a existência desses seres de natureza superior aos homens e inferior à divindade. Uma coisa, porém, é a mera possibilidade da existência de seres puramente espirituais, e outra é a sua realidade objetiva. A existência dos anjos (e dos demônios, anjos decaídos) seria para nós um problema insolúvel, não houvesse a tal respeito especial revelação divina por meio da Escritura e da Tradição,* que nos garantem a certeza da existência dos anjos. * Tradiçâo, em sentido amplo, é o conjunto de idéias, sentimentos e costumes, como também de fatos que, numa sociedade, se transmitem de maneira viva de geração geração. Em sentido estrito teológico, chama-se Tradição o conjunto de verdades reveladas que os apóstolos receberam de Cristo ou do Espírito santo, e transmitiram, independentemente Sagradas Escrituras, à Igreja, que as conserva e transmite sem alteração. Essa revelação foi feita a nossos primeiros pais, e se conservou na Humanidade, por via de transmissão oral pelos Patriarcas. Com o tempo (e também por obra do demônio, sem dúvida), essa revelação primitiva foi-se corrompendo, restando dela meros vestígios no paganismo antigo e no atual. Nas brumas desse paganismo encontramos seres incorpóreos, ora malfazejos ora benignos, quase sempre cultuados como divindades ou quase-divindades. Para preservar o povo judeu da contaminação por essa deformação politeísta pagã, os Autores sagrados, durante largo período, evitaram mencionar nominalmente o espírito das trevas. E, pela mesma razão, não se encontram muitos pormenores no Antigo Testamento sobre a natureza dos anjos e dos demônios, embora sejam mencionados a cada passo. A revelação definitiva só se verifica Nosso Senhor Jesus Cristo. Porém, a Bíblia não traz toda a revelação sobre o mundo angélico, sendo necessário recorrer à Tradição, Esta, como se sabe, encontra-se recolhida nos documentos dos Santos Padres* e escritores eclesiásticos dos primeiros tempos, assim como nos documentos do Magistério - Papas e Concílio - na Liturgia e nos monumentos da Antiguidade cristã (catacumbas cemitérios, etc.). *Chamam-se Santos Padres ou Padres da Igreja certos escritores eclesiásticos antigos, que se distinguiram pela doutrina ortodoxa e santidade de vida e são reconhecido Igreja como testemunhas da tradição divina. A existência dos anjos é uma verdade de fé,* provada pela Escritura e pela Tradição. A Sagrada Escritura refere-se inúmeras vezes a seres racionais, inferiores a Deus e superiores aos homens; logo, segundo ela, esses seres, que nós denominamos anjos, existem. * Verdade de fé é aquela que se encontra na Revelação e é proposta pela Igreja aos fiéis como verdade que se deve crer. A negação pertinaz de uma verdade de fé constitui a heresia. Essa verdade foi definida solenemente como dogma pelo concílio IV de Latrão (1215): “Deus.., desde o princípio do tempo criou do nada duas espécies de seres — os espirituais e os corporais, isto é, os anjos e o mundo”. De forma igual se expressa o I Concílio do Vaticano (1870).

(Retirado do livro: ANJOS E DEMÔNIOS A LUTA CONTRA O PODER DAS TREVAS)

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