terça-feira, 10 de novembro de 2015

A liberdade religiosa condenada pelos Papas (Parte II) - Monsenhor Marcel Lefebvre

O que é condenado

    O que é comum em todas estas condenações pontificiais é a liberdade religiosa, chamada de "liberdade de consciência" ou "liberdade de consciência e de cultos", a saber: o direito reconhecido a todo homem de exercer publicamente o culto da religião que haja escolhido, sem ser incomodado pelo poder civil.

II

O motivo da condenação

     Como terão notado nos textos precedentes, os papas mostraram cuidadosamente as causas e denunciaram as origens liberais do direito à liberdade religiosa: trata-se de denunciar principalmente o liberalismo naturalista e recionalista, que pretende ser a razão humana o único árbitro do bem e do mal (racionalismo); que pertence a cada um decidir se deve adorar ou não (indiferentismo); e finalmente que o Estado é a origem de todo o direito (monismo estatal).
     Daí certos teólogos modernos acharam que se podia tirar três teses:
     1 - Os papas não condenaram a liberdade religiosa em si, mas somente porque ela aparecia "como consequência de uma concepção naturalista do homem" ou que "ela procedia da primeira premissa do racionalismo naturalista", ou das duas outras: "mais do que as consequências, são os princípios que são aqui considerados: "A Igreja condena o racionalismo, o indiferentismo e o monismo estatal", simplesmente.
     2 - Ante as expressões concretas dos princípios modernos (luta com o poder temporal do papado, laicização das Constituições, espoliação da Igreja, etc.), faltou aos papas "a serenidade necessária para julgar com objetividade o sistema das liberdades modernas, e distinguir o verdadeiro do falso"; "era inevitável que o primeiro reflexo de defesa fosse uma atitude de condenação total", era difícil para estes papas "reconhecer um valor num conteúdo onde a motivação era hostil aos valores religiosos... assim se fez cara feia durante um longo tempo ao ideal representado pelos direitos do homem, porque não se lograva reconhecer neles a longínqua herança do Evangelho.
    3 - Mas hoje é possível redescobrir a parte de verdade cristã contida nos princípios da Revolução de 1789 e reconciliar assim a Igreja com as liberdades modernas, com a liberdade religiosa em particular. O Padre Congar foi o primeiro a traçar o caminho que se deve seguir neste ponto: "A reconciliação da Igreja com um certo mundo moderno não podia ser feita introduzindo as idéias deste mundo moderno tal como são. Isto supunha um trabalho em profundidade mediante o qual os princípios permanentes do catolicismos tivessem um desenvolvimento novo assimilando, depois de filtrados e em caso de necessidade purificados, as conquistas deste mundo moderno."
     Roger Aubert foi um ano depois um eco final a este modo de ver as coisas: sobre os colaboradores de "L'Avenir", jornal católico-liberal de Lamennais, no século XIX, diz:
      "Eles não haviam tido bastante cuidado em repensar os princípios que permitiam, com os discernimentos e as purificações necessárias, assimilar ao cristianismo as ideias de democracia e de liberdade que, nascidas fora da Igreja, se desenvolveram em um espírito hostil a ela."


Do Liberalismo à Apostasia - Monsenhor Marcel Lefebvre

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