domingo, 13 de dezembro de 2015

Como comemorar um Jubileu em honra ao maior golpe de Satanás contra a Igreja?

1) Em que consiste o jubileu da misericórdia?

 "Com efeito, abrirei a Porta Santa no cinquentenário da conclusão do Concílio Ecumênico Vaticano II. A Igreja sente a necessidade de manter vivo aquele acontecimento. Começava, então, para ela, um percurso novo da sua história.

“Hoje, ao cruzar a Porta Santa, queremos também recordar outra porta que, há cinquenta anos, os padres do Concílio Vaticano II escancararam ao mundo”,
Segundo Francisco, esta efeméride não pode “lembrar apenas a riqueza dos documentos” conciliares, definindo o Vaticano II como “um verdadeiro encontro entre a Igreja e os homens” de hoje.

“Um encontro marcado pela força do Espírito que impelia a sua Igreja a sair dos baixios que por muitos anos a mantiveram fechada em si mesma, para retomar com entusiasmo o caminho missionário”, precisou.

O Papa elogiou a dinâmica do Concílio Vaticano II (1962-1965) que levou a Igreja Católica a retomar “um percurso para ir ao encontro de cada homem no lugar onde vive: na sua cidade, na sua casa, no local de trabalho”.


2) Por que o Papa Francisco disse que a Igreja sente necessidade de manter vivo o CVII, e que ele foi um verdadeiro encontro entre a Igreja e os homens?


No encerramento do CVII, o Papa Paulo VI declarou:
'A Igreja do Concílio [Vaticano II] se ocupou bastante do homem, do homem tal qual ele se apresenta em nossa época, o homem vivo, o homem todo ocupado consigo mesmo, o homem que se faz centro de tudo aquilo que o interessa, mas que ousa ser o princípio e a razão última de toda a realidade... O humanismo laico e profano, enfim, apareceu na sua terrível estatura, e, em certo sentido, desafiou o Concílio. A religião de Deus que se fez homem encontrou-se com a religião do homem que se fez Deus.
'Que aconteceu? Um choque, uma luta, um anátema? Isso poderia ter acontecido, mas isso não aconteceu. A antiga história do samaritano foi o modelo da espiritualidade do Concílio. Uma imensa simpatia o [o Concílio] investiu inteiramente. A descoberta das necessidades humanas absorveu a atenção deste Concílio. Reconhecei-lhe ao menos este mérito, o vós humanistas modernos, que haveis renunciado à transcendência das coisas supremas, que saibais reconhecer o nosso novo humanismo: também nós, Nós, mais que qualquer outro, nós temos o culto do homem' (Paulo VI, Discurso de Encerramento do Vaticano II, 7 de Dezembro de 1965. O negrito é meu).

'Neste Concílio [Vaticano II] a Igreja quase se fez escrava da humanidade'.



3) O humanismo e o culto ao homem não me parece certo... Não é algo já condenado pela Igreja?

'É necessário que com todos os meios e trabalhos nós façamos desaparecer radicalmente a enorme e detestável maldade própria do nosso tempo, que substitui Deus pelo homem' (S. Pio X, Supremi Apostolatus, 14).


4) O humanismo propagado pelo CVII e louvado pelo Papa Paulo VI não está de acordo com os Papas pré-conciliares. O que mais provém do CVII e seus documentos (louvados pelo Papa Francisco na abertura do Jubileu da Misericórdia), que estão em desacordo?


I. Concepção “latitudinarista” e ecumênica da Igreja.


O concílio Vaticano II proclama «uma autêntica união no Espírito Santo» com as seitas heréticas (Lumen Gentium, 14), «certa comunhão com elas, se bem que imperfeita ainda» (Unitatis Redintegratio, 3).

Esta unidade ecumênica contradiz a encíclica Satis Cognitum de Leão XIII, que ensina que «Jesus não fundou uma Igreja que abraça várias comunidades que se assemelham genericamente, mas que são diferentes e não se acham ligadas por um vínculo que forme uma igreja única». Tal unidade ecumênica é contrária também à encíclica Humani Generis de Pio XII, que condena a idéia de reduzir a mera fórmula a necessidade de pertencer à Igreja Católica; é contrária igualmente à encíclica Mystici Corporis do mesmo Papa, que condena a concepção de uma Igreja «pneumática», a qual constitui, segundo a dita concepção, o laço invisível entre as comunidades separadas na fé. Tal ecumenismo é contrário igualmente aos ensinamentos de Pio XI na encíclica Mortalium animos: «Sobre este ponto é oportuno expor e rejeitar certa opinião falsa que está na raiz do problema supramencionado e desse movimento complexo com o que os acatólicos se esforçam por realizar uma união entre as igrejas cristãs. Os que aderem a tal opinião têm sempre na boca as palavras de Cristo: ‘... que todos sejam um...; ...e haverá um só rebanho e um só pastor’ (Jo 17, 21; 10, 16); e pretendem que com tais palavras Cristo expressa um desejo ou uma prece que nunca se realizou. De fato, pretendem que a unidade de fé ou de governo, que constitui uma das notas da verdadeira Igreja de Cristo, não existiu praticamente até o dia de hoje, e que ainda agora continua não existindo».

Esse ecumenismo, condenado pela moral e pelo direito canônico, chega a permitir que os Sacramentos da Penitência, da Eucaristia e da Extrema-Unção se recebam de «ministros acatólicos» (cânon 844 do código novo), e favorece «a hospitalidade ecumênica» ao autorizar os ministros católicos a administrar o sacramento da Eucaristia aos acatólicos.

II. Governo colegial-democrático da Igreja

A doutrina, já sugerida pelo documento Lumen Gentium do concílio Vaticano II, será recolhida explicitamente pelo novo código de direito canônico ao ensinar que o colégio dos bispos unido ao Papa goza igualmente do poder supremo, e isso de modo habitual e constante (cânon 336).

Esta doutrina do duplo poder supremo é contrária ao ensinamento e à prática do Magistério eclesiástico, especialmente no concílio Vaticano I (Denz. 3055) e na encíclica de Leão XIII Satis Cognitum: só o Papa goza de tal poder supremo, que comunica na medida em que o considera oportuno e em circunstâncias extraordinárias.

A este grave erro se liga a orientação democrático-eclesial, que faz residir o poder no «povo de Deus», como o ratifica o direito novo. Tal erro jansenista é condenado pela bula Auctorem Fidei de Pio VI (Denz. 2602).

A tendência a fazer participar a «base» no exercício do poder, se reconhece na instituição do sínodo [permanente dos bispos] e das conferências episcopais, dos conselhos presbiterais e pastorais, e na multiplicação das comissões romanas e nacionais, bem como das que há no seio das congregações religiosas (veja-se a respeito o concílio Vaticano I, Denz. 3061 — Novo Código de Direito canônico, cânon 447).

III. Os falsos direitos naturais do homem

A declaração Dignitatis humanae do concílio Vaticano II afirma a existência de um falso direito natural do homem em matéria religiosa, contrariamente aos ensinamentos pontifícios que negam formalmente tamanha blasfêmia.

Assim, Pio IX na encíclica Quanta cura e no Syllabus, Leão XIII nas encíclicas Libertas Praestantissimum e Immortale Dei, Pio XII no discurso Ci riesce aos juristas italianos negam que a razão ou a revelação fundamentem semelhante direito.

O Vaticano II crê e professa de maneira absoluta que «a verdade não pode impor-se senão com a força própria da verdade», o que se opõe formalmente aos ensinamentos de Pio VI contra os jansenistas do concílio de Pistóia (Denz. 2604). O concílio Vaticano II chega ao absurdo de afirmar o direito a não aderir à verdade nem segui-la: o direito a obrigar os governos civis a já não fazer discriminações por motivos religiosos, estabelecendo a igualdade jurídica entre a religião verdadeira e as falsas.

Tais doutrinas se fundam em um conceito falso da dignidade humana, que deriva dos pseudofilósofos da Revolução Francesa, agnósticos e materialistas, os quais foram condenados no passado por São Pio X no documento pontifício Notre Charge Apostolique.

O Vaticano II prognostica que da liberdade religiosa nascerá uma era de estabilidade para a Igreja. Gregório XVI, em contrapartida, reputa por desfaçatez suma afirmar que a liberdade imoderada de opinião seria benéfica para a Igreja.

O Concílio expressa um princípio falso na Gaudium et Spes ao considerar que a dignidade humana e cristã deriva do fato da Encarnação, a qual restaurou essa dignidade em beneficio de todos os homens. O mesmo erro se afirma na encíclica Redemptor hominis de João Paulo II.

IV. Uma concepção errônea do poder do Papa

Certamente, o poder do Papa na Igreja é um poder supremo, mas não pode ser absoluto nem ilimitado, dado que está subordinado ao poder divino, que se expressa na Tradição, na Escritura Sagrada e nas definições promulgadas pelo Magistério eclesiástico (Denz. 3116).

O poder do Papa está subordinado ao fim para o qual lhe foi conferido, e limitado por este. Tal fim é definido claramente pelo Papa Pio IX na constituição Pastor Aeternus do concílio Vaticano I (Denz. 3070). Seria um abuso de poder intolerável modificar a estrutura da Igreja e pretender apelar para o direito humano contra o direito divino, como se faz na liberdade religiosa, na “hospitalidade” eucarística autorizada pelo direito novo, na afirmação de dois poderes supremos na Igreja.

Salta aos olhos que, nestes casos e em outros semelhantes, é um dever para todo e qualquer sacerdote e para todo e qualquer fiel católico resistir e negar obediência. A obediência cega é uma absurdidade, pois ninguém está isento de responsabilidade por ter obedecido aos homens antes que a Deus (Denz. 3115), ao passo que a resistência em questão deve ser pública se o mal é público e constitui motivo de escândalo para as almas (Suma Teológica II-II, q. 33, a. 4).

V. Concepção protestante da missa

Trata-se de uma concepção mais protestante que católica, e que explica tanto tudo o que se exaltou indevidamente quanto o que se diminuiu. Contrariamente aos ensinamentos do concílio de Trento na sessão XXII, contrariamente à encíclica Mediator Dei de Pio XII, exagerou-se o papel dos fiéis na hora de participar da missa e rebaixou-se o do presbítero, reduzido a mero presidente; exagerou-se o papel da liturgia da palavra e diminuiu-se a importância do sacrifício propiciatório; exaltou-se a ceia comunitária, secularizando-a — tudo isso à custa da fé na presença real operada pela transubstanciação e do respeito devido a ela, ao passo que com a supressão da língua sagrada se pluralizaram os ritos até ao infinito, profanando-os com acréscimos mundanos ou pagãos, e difundiram-se traduções falsas, em detrimento da fé verdadeira e da piedade autêntica dos fiéis.

E, no entanto, os concílios de Florença e de Trento haviam anatematizado todas essas mudanças e afirmado que o cânon da missa remontava aos tempos apostólicos. Os Papas São Pio V e Clemente VIII insistiram na necessidade de evitar alterações e mudanças, conservando perpetuamente este rito romano consagrado pela tradição.



5) Sendo tais documentos tão contraditórios com a Doutrina, sendo um concílio Pastoral e não dogmático, tendo em vista que houve um rompimento brusco com 2.000 anos de Igreja, não podemos seguir ou obedecer tal Concílio, pois obedecendo a ele, estaríamos desobedecendo à todos os Papas pré-conciliares e ao próprio Magistério. Sendo assim, o Concílio Vaticano II foi um golpe de mestre de Satanás, segundo Mons. Marcel Lefebvre.

Poderíamos comemorar e participar de um jubileu que comemora um golpe de mestre que Satanás deu na Igreja? Que consistiu na perda imensurável de almas e da fé dos leigos e até do próprio clero?

Segundo as palavras do próprio Papa Francisco:

“Trata-se, pois, de um impulso missionário que, depois destas décadas, retomamos com a mesma força e o mesmo entusiasmo. O Jubileu exorta-nos a esta abertura e obriga-nos a não descurar o espírito que surgiu do Vaticano II, o do Samaritano, como recordou o Beato Paulo VI na conclusão do Concílio”, explicou.

“Atravessar hoje a Porta Santa compromete-nos a adotar a misericórdia do bom samaritano”, concluiu.

Ora, o que é o Samaritano do CVII?

O Papa Paulo VI responde:

 " A antiga história do samaritano foi o modelo da espiritualidade do Concílio. Uma imensa simpatia o [o Concílio] investiu inteiramente. A descoberta das necessidades humanas absorveu a atenção deste Concílio. Reconhecei-lhe ao menos este mérito, o vós humanistas modernos, que haveis renunciado à transcendência das coisas supremas, que saibais reconhecer o nosso novo humanismo: também nós, Nós, mais que qualquer outro, nós temos o culto do homem'

O samaritano segundo a interpretação do Papa Paulo VI no CVII não foi nada mais do que o culto ao homem.

"O Concílio favoreceu de uma maneira inconcebível a difusão de erros liberais. A destruição da Igreja avança a passos rápidos." Mons. Marcel Lefebvre em "Acuso o Concílio".

Seria possível comemorar tal desgraça sobre a Igreja?
Concilio favoreceu de uma maneira
inconcebível a difusão dos erros liberais

Concilio favoreceu de uma maneira
inconcebível a difusão dos erros liberais

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