quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

DO AMOR QUE DEUS NOS MOSTROU NASCENDO MENINO.

Fazendo-se homem por nosso amor, podia o Filho de Deus aparecer no mundo em estado de homem perfeito, como Adão, quando foi criado; mas como as crianças ganham ordinariamente mais o afeto dos que as vêm, quis mostrar-se na terra sob a forma duma criancinha, e até da mais pobre e abjeta de todas as crianças que jamais nasceram. “O nosso Deus quis nascer assim, diz S. Pedro Crisólogo, porque se queria fazer amar”. O profeta Isaías havia predito que o Filho de Deus nasceria criança e assim se daria todo a nós, por amor. Nasceu-nos um Menino, foi-nos dado um Filho.
Ah! meu Jesus, meu soberano Senhor e verdadeiro Deus, quem vos moveu a deixar o céu e a nascer numa gruta senão o vosso amor pelos homens? Quem vos fez descer do vosso trono elevado acima dos astros, para vos estender sobre palha? Porque vejo-vos agora deitado entre dois animais quando antes vos rodeavam os coros dos anjos? Abrasais de santo amor os Serafins, e eis que tremeis de frio num estábulo! Dais movi-mento aos céus e aos sóis, e eis que não podeis mudar de lugar sem o concurso de um braço estranho! Provedes ao ali-mento dos homens e dos animais, e tendes necessidade dum pouco de leite para sustentar a vida! Sois a alegria do céu, co-mo pois vos ouço gemer e chorar? Dizei-me: quem vos reduziu a tanta miséria? “Quem é o autor de todas essas mudanças? pergunta S. Bernardo; é o amor”, responde ele, é o vosso amor para com os homens.
Afetos e Súplicas.
Ó caro Menino, dizei-me: que viestes fazer na terra? dizei-me: que viestes aqui buscar? Ah! eu vos entendo: viestes mor-rer por mim a fim de livrar-me do inferno; viestes procurar-me, que sou ovelha perdida, a fim que para o futuro me não afaste mais de vós e vos ame. Ó meu Jesus, meu tesouro, minha vi-da, meu amor, meu tudo, se vos não amar a quem amarei? Onde posso achar um pai, um amigo, um esposo, mais amável do que vós, e que mais do que vós me tenha amado? Amo-vos, meu Deus, amo-vos, meu único Bem! Pesa-me de ter vivi-do tantos anos, não só sem vos amar, mas ofendendo-vos e desprezando-vos. Perdoai-me, meu amado Redentor, arrependo-me de vos haver tratado assim, arrependo-me de toda a minha alma. Perdoai-me e dai-me a graça de me não separar mais de vós e de vos amar no resto de minha vida. Ó meu a-mor, dou-me todo a vós; aceitai-me, e não me repitais como mereço.
Maria, sois minha Advogada, e por vossas preces, obtendes de vosso divino Filho tudo o que desejais; pedi-lhe que me perdoe e me conceda a santa perseverança até a morte.

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