segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O que é o liberalismo?

"Não servirei"
 a) Antes de tudo, é a conseqüência mais imediata do humanismo, ou seja, da revolta da carne contra a santidade, do humano “não servirei” a Deus, do pôr-se o homem a si mesmo como fim último em lugar do Senhor.

b) Por isso mesmo, o liberalismo é pecado, como o diz D. Félix Sardá y Salvany no livro de mesmo nome (que se pode encontrar em statveritas.com.ar); e pecado sumo, razão por que foi condenado por Pio IX no Syllabus. (E para que não se pense que aquele é um livro de menor importância, vejamos algo do que diz a Nota Editorial daquela sua edição: “[...] A primeira [edição do livro] apareceu no final do ano de 1884. [...] A obra manuscrita foi previamente submetida à censura de esclarecidas personalidades e à do célebre P. Valentín Casajuana, da Companhia de Jesus, Professor em Roma. Uma vez publicada, valeu para seu Autor as aprovações mais altas e expressas da Igreja e os encômios mais apreciados de seus Hierarcas. A Sagrada Romana Congregação do Índice submeteu O Liberalismo É Pecado aos mais diligentes exames e deu uma sentença sumamente laudatória, ao mesmo tempo que desautorizava o folheto do Cônego D. de Pazos que queria ser una refutação da obra de Sardá. O Papa Leão XIII em pessoa quis formar um juízo do livro e o leu na versão italiana que se imprimiu para Sua Santidade. Deu-o também a ler a seu irmão, o Cardeal Pecci, e ambos conceberam dele o mais favorável conceito.
 Os Prelados do Equador fizeram sua a doutrina da obra em Pastoral coletiva que figura em várias de suas edições”. E eis a sentença da Sagrada Romana Congregação do Índice [idem]: ‘[...] Excelentíssimo Senhor: A Sagrada Congregação do Índice recebeu denúncia do opúsculo intitulado O Liberalismo É Pecado, cujo autor, D. Felix Sardá y Salvany, é sacerdote desta sua diocese: a qual denúncia se repetiu juntamente com outro opúsculo, intitulado O Processo do Integrismo [...] Refutação dos Erros Contidos no Opúsculo ‘O Liberalismo É Pecado’; o autor deste segundo opúsculo é D. de Pazos, cônego da diocese de Vich. Razão por que esta Congregação aquilatou com maduro exame um e outro opúsculo com as observações feitas; mas no primeiro nada achou contra a sã doutrina, merecendo antes louvor seu autor, D. Félix Sardá y Salvany, porque com argumentos sólidos, clara e ordenadamente expostos, propõe e defende a sã doutrina na matéria que trata, sem ofensa de nenhuma pessoa. Mas não formou o mesmo juízo do outro opúsculo, publicado por D. de Pazos, porque ele necessita de correção em alguma coisa. Ademais, não se pode aprovar o modo injurioso de falar de que o autor se vale, mais contra a pessoa do Sr. Sardá que contra os erros que se supõem no opúsculo deste escritor. Daí a Sagrada Congregação ter mandado que D. de Pazos seja admoestado por seu próprio Ordinário, para que retire quanto seja possível os exemplares de seu referido opúsculo; e doravante, se se promover alguma discussão sobre as controvérsias que podem originar-se, abstenha-se de quaisquer palavras injuriosas contra as pessoas, segundo a verdadeira caridade de Cristo: ainda com mais motivo porque o nosso Santíssimo Padre Leão XIII, ao mesmo tempo que recomenda muito que se desfaçam os erros, não quer nem aprova as injúrias feitas, principalmente, a pessoas destacadas em doutrina e piedade”.)

c) Se o liberalismo é o efeito mais imediato do humanismo, o modernismo condenado por São Pio X é o liberalismo que se quer católico. E a “nova teologia” que sairá vitoriosa no Concílio Vaticano II nada mais é que o modernismo com nova roupagem.

d) Na ordem das idéias, são os seguintes os três princípios liberais, de que tudo o mais nele decorre:

● soberania e independência do indivíduo com relação a Deus e sua autoridade;
● soberania e independência da sociedade com relação à Igreja e à lei natural, ou seja, a Deus;
● liberdade de pensamento, expressão e associação com relação à Revelação, à Igreja e à lei natural, ou seja, a Deus.


e) Derivam de tais princípios:
● a liberdade religiosa;
● a supremacia do Estado sobre a Igreja;
● o ensino laico sem nenhum laço com a Religião;
● o casamento não-sacramental;
● a arte não-ordenada ao fim último do homem;
● ciências e filosofia que se voltam contra o Criador e rejeitam ser instrumentalizadas pela teologia, e universidades sem a Sacra Ciência, as quais, como diz o Padre Calderón, são por isso mesmo como corpos mortos, sem alma.

Ou seja, em uma palavra: a absoluta secularização da vida dos povos.

f) Na ordem dos fatos, o liberalismo é um conjunto de obras e conseqüências que se inspiram naqueles princípios e seus corolários ou deles resultam. Exemplos:
● as perseguições à Igreja, às ordens religiosas, aos símbolos católicos;
● o indiferentismo religioso e o ateísmo;
● a guerra sistemática ao Catolicismo e a todas as suas sagradas tradições (como o matrimônio) em todos os meios de comunicação, em todas as artes;
● sistemas filosóficos e artísticos crescentemente anticristãos: racionalismo, idealismo, romantismo, existencialismo, marxismo, etc.;
● licenciosidade ou libertinagem moral crescente, com diversões e costumes cada vez mais bestiais;
● violência crescente (até entre pais e filhos e, sobretudo, contra o feto) e a crescente corrupção dos povos, do poder público e da economia;
● decadência cultural e civilizacional aguda;
● o capitalismo e o comunismo, ambos sistemas econômicos decorrentes do pecado liberal da avareza ou ganância, e que tendem a desagregar a família e tirar ao homem o tempo para a religião e a contemplação, transformando-o em peça de um enorme e impessoal maquinismo;
● o crescente domínio das mentes pela propaganda política, que é o motor mesmo da democracia liberal, e pela propaganda econômica, que é o motor mesmo do reino das megacorporações capitalistas, da grande indústria vinculada ao capital financeiro, dos fundos de pensão e da rede cada dia mais vasta e estreita das ONGs;
● enfim, o mundo atual, ou seja: a fusão da mega-economia capitalista com métodos neo-esquerdistas de gestão e governo, tudo condimentado pelo “é proibido proibir” do Maio de 68 francês e tendente a um governo mundial (ou, em termos escatológicos, a preparar a vinda do reino do Anticristo).




Fonte: http://contraimpugnantes.blogspot.com.br/2009/09/nosso-papel-e-divisao-de-aguas.html

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