sábado, 2 de janeiro de 2016

Catecismo do Modernismo - Baseado na Pascendi de São Pio X - Parte II

OS ERROS MODERNISTAS

P. Seguindo uma forma ordenada na apresentação dos erros do Modernismo, quantos tipos de personagens Modernistas nós precisamos considerar?R. "Para procedermos com ordem em assunto tão complicado, convém primeiro notar que cada Modernista representa e resume em si muitos personagens, isto é, o de filósofo, o de crente, o de teólogo, o de historiador, o de crítico, o de apologista, o de reformador. Todos esses personagens precisam ser distinguidos, um por um, por aqueles que querem conhecer devidamente o seu sistema e penetrar nos princípios e nas conseqüências das suas doutrinas."

A FILOSOFIA RELIGIOSA DOS MODERNISTAS

P. Começamos, pois, com o filósofo. Que doutrina é utilizada pelos Modernistas como fundamento para sua filosofia religiosa?R. "Os Modernistas fundamentam sua filosofia religiosa na doutrina denominada Agnosticismo."

P. Qual é o fundamento do Agnosticismo?R. "De acordo com essa doutrina, a razão humana fica inteiramente reduzida à consideração dos fenômenos, isto é, só das coisas perceptíveis aos sentidos e pelo modo como são perceptíveis; ela não tem direito nem aptidão para transpor estes limites. E daí se segue que não é dado à razão elevar-se a Deus, nem lhe reconhecer a existência, nem mesmo por intermédio dos seres visíveis."

P. Que concluem os Modernistas dessa doutrina?R. "Que Deus não pode ser de maneira nenhuma objeto direto da ciência; e também, com relação à história, não pode ser considerado assunto histórico."

P. De acordo com tais premissas, que resulta da teologia natural, dos motivos de credibilidade e da revelação externa?R. "Postas estas premissas, todos percebem com clareza qual não deve ser a sorte da teologia natural, dos motivos de credibilidade, da revelação externa. Tudo isto os Modernistas rejeitam e relegam ao Intelectualismo, que chamam de sistema ridículo, morto já há muito tempo."

P. As condenações da Igreja restringem a ação dos Modernistas?R. "Nem o fato de a Igreja ter formalmente condenado erros tão monstruosos os abala."

P. Que definição do Concílio do Vaticano (I) pode ser citada contra os Modernistas?R. "O Concílio Vaticano (I) assim definiu:
"Se alguém disser que Deus, um e verdadeiro, Criador e Senhor nosso, por meio das coisas criadas não pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana, seja anátema" (De Revel., can. I);
e também:
"Se alguém disser que não é possível ou não convém que, por divina revelação, seja o homem instruído acerca de Deus e do culto que lhe é devido, seja anátema" (Ibid., can.II);
e finalmente:
"Se alguém disser que a divina revelação não pode tornar-se crível por manifestações externas, e que por isto os homens não devem ser movidos à fé senão exclusivamente pela experiência interna ou inspiração privada, seja anátema" (De Fide., can. III).

P. De que modo os Modernistas passam do Agnosticismo, que é puro estado de ignorância, para o Ateísmo científico e histórico, que, ao contrário, é estado de positiva negação? E, por isso, com que lógica eles passam do não saber se Deus interveio ou não na história do gênero humano a tudo explicar na mesma história pondo Deus à parte, como se na realidade não tivesse intervindo?

R. A questão pode ser entendida do seguinte: "Há para eles um princípio fixo e determinado: a ciência e a história devem ambas ser atéias, e em suas raias não deve haver lugar senão para osfenômenos, repelindo de uma vez Deus e tudo o que é divino."

P. Dessa absurda doutrina, o que precisamos deduzir a respeito da augusta Pessoa de Cristo, dos mistérios de Sua vida e morte, de Sua ressurreição e ascensão ao céu?R. "Logo veremos tudo isso."


P. De tudo o que foi dito, está claro que "o agnosticismo é apenas a parte negativa da doutrina dos Modernistas". Há uma parte positiva?R. "A parte positiva consiste naquilo que eles denominam imanência vital."

P. Como os Modernistas passam do agnosticismo para a imanência vital?
R. "Eis como eles passam de uma parte a outra: A Religião, quer a natural quer a sobrenatural, precisa de uma explicação, como qualquer outro fato. Ora, quando a teologia natural é destruída, quando o caminho para a revelação é interceptado pela rejeição dos motivos de credibilidade e quando toda revelação exterior é absolutamente negada, é claro que não se pode procurar fora do homem essa explicação. Deve-se, pois, procurá-la no próprio homem; e, visto que a religião não é de fato senão uma forma da vida, a sua explicação certamente deve se encontrar na vida do homem. Daqui procede o princípio da imanência religiosa."

P. Parece que os Modernistas, partidários do agnosticismo, encontram somente no homem e em sua vida a explicação da religião. Para explicar essa imanência vital, o que eles apresentam como primeiro estímulo e primeira manifestação de todo fenômeno vital, especialmente o da religião?R. "O primeiro movimento, por assim dizer, de todo fenômeno vital – e a religião, como tem sido dito, pertence a esta categoria – deve ser sempre atribuído a uma necessidade ou impulso; suas origens, porém, falando mais especificamente da vida, devem ser atribuídas a um movimento do coração, chamado de sentimento."

P. Segundo estes princípios, qual é o fundamento da fé e, conseqüentemente, da religião?R. "Como Deus é o objeto da religião, devemos concluir que a fé, princípio e base de toda a religião, funda-se num sentimento que nasce de uma necessidade da divindade."

P. Essa "necessidade da divindade", de acordo com os Modernistas, pertence ao âmbito do consciente?R. "Tal necessidade da divindade, não se fazendo sentir no homem senão em certas e especiais circunstâncias, não pode de per si pertencer ao âmbito do consciente."

P. Onde se oculta essa "necessidade da divindade"?R. "Oculta-se primeiro abaixo da consciência, ou, usando uma expressão tirada da filosofia moderna, na subconsciência, onde sua raiz fica também oculta e incompreensível."


P. Se alguém perguntar como essa necessidade da divindade, que o homem sente em si mesmo, rebenta em religião, o que os Modernistas dirão?R. A resposta dos Modernistas será: "A ciência e a história acham-se presas entre dois limites: um externo, que é o mundo visível; outro interno, que é a consciência. Chegando a um ou outro destes limites, não se pode ir mais adiante, porque além deles acha-se o incognoscível. Diante deste incognoscível, quer se ache ele fora do homem e fora de todas as coisas visíveis, quer se ache ele oculto na subconsciência do homem, a necessidade da divindade, sem nenhum ato prévio da inteligência, como o quer o fideísmo, gera no ânimo já propenso à religião um certo sentimento especial que, quer como objeto quer como causa interna, tem envolvida em si a realidade divina, e assim de certo modo une o homem com Deus. É precisamente a este sentimento que os Modernistas dão o nome de fé, e consideram-no como o princípio da religião."
P. A filosofia Modernista se restringe somente ao sistema acima mencionado?
R.
 "Não termina aí o filosofar, ou melhor, o desatinar desses homens."

P. O que os Modernistas ainda encontram nesse seu "sentimento da divindade"?R. "Os Modernistas não encontram nesse sentimento somente a fé; mas, com a fé e na mesma fé, do modo como a entendem, sustentam que também se acha a revelação."

P. A revelação? Mas como?R. "E o que mais, dizem eles, se pode exigir para a revelação? Aquele sentimento religioso, que se manifesta na consciência, já não será talvez revelação ou, pelo menos, princípio de revelação? Ou ainda, não será revelação o próprio Deus, ao manifestar-se à alma, embora um tanto indistintamente, neste mesmo sentimento religioso? E eles ainda acrescentam: sendo Deus ao mesmo tempo objeto e causa da fé, essa revelação é de Deus como objeto e também provém de Deus como causa: isto é, tem a Deus ao mesmo tempo como revelante e revelado."

P. Que doutrina absurda deriva dessa filosofia, ou melhor, desse delírio Modernista?R. "Segue a absurda afirmação dos Modernistas, segundo a qual todas as religiões, sob aspecto diverso, são igualmente naturais e sobrenaturais."

P. O que se segue disso?R. "Segue-se que eles transformam ‘consciência’ e ‘revelação’ em sinônimos."

P. Que lei suprema e universal os Modernistas derivam dessa doutrina?R. "A lei segundo a qual a consciência religiosa é apresentada como regra universal, em pé de igualdade com a revelação, à qual todos devem se sujeitar."

P. Todos, incluindo até a suprema autoridade da Igreja, devem se sujeitar a esta lei?R. Sim. "Todos devem se sujeitar, até mesmo a suprema autoridade da Igreja, seja quando ensina, seja quando legisla em matéria de culto ou disciplina."



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