sábado, 30 de janeiro de 2016

Desobediência aparente, mas obediência real. - Mons. Marcel Lefebvre

    Somos incriminados porque escolhemos a suposta via da desobediência. Mas trata-se de entender precisamente sobre o que é a via da desobediência.       Penso que podemos em verdade dizer que se escolhemos a via da desobediência aparente, elegemos a via da obediência real.
     Então penso que aqueles que nos acusam escolheram talvez a via da obediência aparente mas da desobediência real. Porque os que seguem a nova via, os que seguem as novidades, os que aderiram aos novos princípios, contrários aos que nos foram ensinados pela Tradição, por todos os Papas e por todos os Concílios, esses tais elegeram a via da desobediência real.
     Porque não se pode dizer que se obedece hoje à autoridade desobedecendo a toda a Tradição. O sinal de nossa obediência é precisamente seguir a Tradição, esse é o sinal de nossa obediência: “Iesus Christus heri, hodie et in saecula”. Jesus Cristo ontem, hoje e por todos os séculos.
     Não se pode separar Nosso Senhor Jesus Cristo.        Não se pode dizer que se obedece ao Jesus Cristo de hoje e que não se obedece ao Jesus Cristo de ontem, porque então não se obedece ao Jesus Cristo de amanhã. Isto é muito importante. Por isso não podemos dizer: nós desobedecemos ao Papa de hoje e por isso mesmo desobedecemos também aos de ontem. Nós obedecemos aos de ontem, e por conseguinte, obedecemos ao de hoje, e por conseguinte obedecemos aos de amanhã. Porque não é possível que os Papas não ensinem a mesma coisa, não é possível que os Papas se desdigam, que os Papas se contradigam.

       E é por isso que estamos persuadidos de que sendo fiéis a todos os Papas de ontem, a todos os Concílios de ontem, somos fiéis ao Papa de hoje, ao Concílio de hoje e ao Concílio de amanhã e ao Papa de amanhã. Mais uma vez: “Iesus Christus heri, hodie et in saecula”. Jesus Cristo ontem, hoje e por todos os séculos.
      E se hoje, por um mistério da Providência, um mistério que para nós é insondável, incompreensível, estamos em uma aparente desobediência, realmente não estamos na desobediência, estamos na obediência.
      Por que estar na obediência? Porque cremos em nosso Catecismo, porque temos sempre o mesmo Credo, o mesmo Decálogo, a mesma Missa, os mesmos Sacramentos, a mesma oração: O Pai Nosso de ontem, de hoje e de amanhã. Eis aqui por que estamos na obediência e não na desobediência.
     Ao contrário, se estudamos o que se ensina hoje na nova religião, advertimos que eles já não têm a mesma Fé, o mesmo Credo, o mesmo decálogo, a mesma Missa, os mesmos Sacramentos, já não têm o mesmo Pai Nosso. Basta abrir os catecismos de hoje para se dar conta disso, basta ler os discursos que são pronunciados em nossa época para nos dar conta de que aqueles que nos acusam de estar na desobediência, são eles quem não seguem os Papas, são eles quem não seguem os Concílios, são eles quem estão na desobediência. Porque não se tem o direito de mudar nosso Credo, ao dizer que hoje os Anjos não existem, de mudar a noção do pecado original, de afirmar que Nossa Senhora já não é mais a sempre virgem, e assim por diante.
       Não existe o direito de substituir o Decálogo pelos Direitos do homem; pois bem, hoje já não se fala senão dos Direitos do homem e não se fala de seus deveres que constituem o Decálogo. Ainda não vimos que em nossos catecismos devemos substituir o Decálogo pelos Direitos do homem!... E isto é muito grave. Se ataca os Mandamentos de Deus, já não se defende a todas as leis que concernem à família, e assim por diante.
       A Santíssima Missa, por exemplo, que é o resumo de nossa Fé, que é precisamente nosso catecismo vivo, a Santíssima Missa está desnaturada, tornou-se equívoca, ambígua. Os protestantes podem dizê-la, os católicos podem dizê-la.
      Sobre isso, nunca disse e nunca segui àqueles que disseram que todas as Missas novas são Missas inválidas. Nunca disse coisa semelhante, mas creio que, de fato, é muito perigoso habituar-se a seguir a Missa nova porque já não representa nosso catecismo de sempre, porque há noções que se tornaram protestantes e que foram introduzidas na nova Missa.
      Todos os Sacramentos foram, de certa forma, desnaturados, tornaram-se como uma iniciação a uma coletividade religiosa. Os Sacramentos não são isso. Os Sacramentos nos dão a graça e fazem desaparecer em nós nossos pecados e nos dão a vida divina, a vida sobrenatural. Não estamos simplesmente em uma coletividade religiosa puramente natural, puramente humana.
      É por isso que estamos aderidos à Santa Missa. E estamos aderidos à Santa Missa porque é o catecismo vivo. Não é unicamente um catecismo que está escrito e impresso sobre páginas que podem desaparecer, sobre páginas que não dão a vida na realidade. Nossa Missa é o catecismo vivo, é nosso Credo vivo. O Credo não é outra coisa que a história, eu diria, o canto de certa forma da redenção de nossas almas por Nosso Senhor Jesus Cristo. Cantamos os louvores de Deus, os louvores de Nosso Senhor, nosso Redentor, nosso Salvador que se fez Homem para derramar seu sangue por nós e assim deu nascimento a sua Igreja, ao Sacerdócio, para que a Redenção continue, para que nossas almas sejam lavadas no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo pelo Batismo, por todos os Sacramentos, e para que assim tenhamos participação da natureza de Nosso Senhor Jesus Cristo mesmo, de sua natureza divina por meio de sua natureza humana e para que sejamos admitidos na família da Santíssima Trindade por toda a eternidade.



Mons. Marcel Lefebvre - O Golpe de Mestre de Satanás.

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