domingo, 28 de fevereiro de 2016

A misericórdia de Nossa Senhora.


Havia uma coisa que não decepcionava nunca: era o amor materno. A boa mãe só não era solidária com o pecado do seu filho; fora disto, era todo o resto solidariedade integral até o fim. Isso inclusive contra o marido, contra quem fosse: filho dela é o filho dela; não tinha mais conversa.

Essa noção se reporta a Nossa Senhora, pois, se é assim, é ou deve ser a mãe, então, Nossa Senhora— que é Mãe de Nosso Senhor Jesus Christo, mãe de todos os homens e mãe de todas as mães—tem essa disposição materna elevada a um grau inimaginável, de maneira que, com cada um de nós, aconteça o que acontecer e peque como pecar, está no caso de se acercar dela e dizer: “Minha Mãe, vede que canalha está aqui. Eu sei que sou vosso filho, e vós sabeis que sois minha Mãe. E, em nome disto, eu confio em vossa misericórdia, pois eu sei que, se Judas Iscariotes tivesse vindo pedir-vos perdão ou simplesmente tivesse querido ver-vos, com o bolso ainda cheio com as trinta moedas da infâmia, vós não o rejeitaríeis. E vós conversaríeis com ele e, durante o mesmo tempo, pediríeis a vosso Divino Filho a graça de ele [Judas] jogar fora as moedas, para, depois, poder começar uma conversa. Bom, minha Mãe, por pior que eu tenha feito, eu não fiz o que fez Judas. Se eu tivesse a desgraça de ser Judas, com a mesma confiança eu iria a vós. Porque, se eu sei quem eu sou, eu, sobretudo, sei quem sois vós. Eu conheço minha infâmia, mas conheço a vossa santidade. E, por isso, gemendo sob o peso dos meus pecados me prostro aos vossos pés. Não desprezeis minhas súplicas; eu sei que merecem desprezo, mas não de vós que sois Mãe. Mas dignai-vos de ouvir propícia [propícia quer dizer “bondosa”] e alcançar-me o que vos rogo”. Eu sei, de antemão, que eu teria caminho aberto para o perdão da pior infâmia.

Não é o caso de se desesperar! Desesperar nunca! Porque, ela existindo, não se desespera. Nós temos esperança, mesmo na mais pavorosa das situações. Tomando em consideração isso, eu tenho que dizer mais: que, se nesta hora, fosse-me dado ver a disposição dela ao meu respeito, se me fosse dado vê-la, eu perceberia que ela estaria me olhando com tal bondade que me racharia a alma e me converteria. Eu veria nela uma tristeza enorme pelo meu pecado, é certo que eu veria. Mas, por cima mesmo dessa tristeza, um começo de alegria (...) E, com esse começo de alegria, um começo de benefício (...) Eu venho e ela me começa a atrair mais a ela, enchendo-me de dor, enchendo-me de vergonha. Eu vou renascendo.
Quem é ela? Mãe de um miserável, Mãe de Judas e Mãe de Jesus Christo. Que diferença!

No Nosso Senhor morrer, é absolutamente certo que ela fez o milagre desse gênero, porque o bom ladrão se converteu. O bom ladrão não pode ter se convertido, sem que ela tenha pedido por ele. Se o bom ladrão se converteu, é por que ali estava Nossa Senhora, que — vendo o Filho dela sofrer daquele jeito, caminhar para aquela morte — não se deixou absorver só sobre isso, mas também foi mãe daquele miserável. E rezou ao Cordeiro de Deus pelo bandido. E o bandido se arrependeu.

Quem sabe se ela rezou depois de ver o bandido dizendo injúria, particularmente atroz contra ela...
Quem sabe se ele clamou injúrias contra ela, e ela rezou ainda mais... Com certeza, rezou pelo outro bandido também, mas este recusou. O bandido bom não recusou. 

O primeiro santo canonizado na história é um bandido. E este não foi canonizado por um Papa (deve suficiente ser canonizado por um Papa), mas ele foi canonizado pelo próprio Jesus Christo.


É frequente que, uma alma tendo recebido de Nossa Senhora a graça de uma grande emenda, salvo de um grande apuro qualquer, ela recebe, no mesmo instante, algo como se tivesse tido um contato com Nossa Senhora; e, nesse momento, fica algo para à vida inteira.


(Discurso do Sr. Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, transcrito do áudio: https://www.youtube.com/watch?v=HXJXDsllMe0). 

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