terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Instruções sobre a Quaresma


 A quaresma são os quarenta e seis dias, da quarta-feira de cinzas ao domingo de pascoa, em que jejuam os cristãos , exceto nos domingos. 
 Afirmam os santos padres (como se pode ver em Cornelio a Lapide, Bellarmino, etc.) que foi a quaresma instituição dos Apóstolos, para honrarmos e imitarmos o jejum de Cristo N. S., satisfazermos a justiça divina, e assim preparar-nos a digna celebração da pascoa.
 Nesse tempo sagrado, substituindo a Igreja o luto às profanas alegrias, bradando a Deus a implorar o seu auxilio, a pedir-lhe a conversão dos pecadores, exorta-nos, e como que nos obriga, a entrarmos em conta conosco. Façamos-lhe  a vontade, cumpramos com o preceito do jejum e juntemos a essa penitencia exterior a do coração, sondando o abismo de nossas lagrimas da compuncção e no sangue de cristo frequentando mais os sacramentos, ouçamos Missa todas as vezes que pudermos, apliquemo-nos a lição espiritual à oração, à consideração das verdades eternas, à pratica das boas obras, façamos esmolas mais generosas, sirvam as nossas privações para sustento do pobre. Desta sorte apagaremos, nestes dias da salvação, nossas culpas passadas, e fortalecer-nos-emos contra as tentações futuras.
 Foi religiosamente praticado este jejum desde o tempo dos Apóstolos. Que vergonha para nossa tibieza e covardia a piedade e o rigor dos primeiros cristãos! Privam-se, não só da carne, como de muitos outros alimentos; era depois das vésperas a unica refeição do dia: comiam só para não morrer, sem tantas sensualidades. Só nos princípios do século XIII consentiu a Igreja que adiantassem até ao meio dia a refeição da tarde. Asseveram S. Bernado e Pedro Blezense (12º seculo) que bem como elles jejuavam os fieis até a bocca da noite.
 Nunc Usque ad Vésperam jejunábunt nobiscum pariter univérsi reges, er principes, clerus et pópulus. nobis et ignóbiles, simul in unum dives et pauper. (Serm. 3 in Quadrag.)

 Em memoria desta antiga disciplina rezam-se as vésperas na quaresma antes da comida, e desta indulgente antecipação da hora veio a consoada, a qual não deve ser mais uma refeição completa.
 Unamos cada dua nosso jejum ao de Christo S. N., em testemunho da nossa obediência à Igreja nossa Mãe, do nosso agradecimento por tantos benefícios, para expiação dos nossos pecados e dos de nossos irmãos , para o alivio das almas do purgatório, e para alcançar a graça de livrar-nos de tal pecado e de praticar tal virtude.

(Texto retirado do livro, Manual do Christão de Goffiné, edição 1936)

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