sexta-feira, 22 de abril de 2016

Respostas irrefutáveis as objeções protestantes sobre a Eucaristia por Júlio Maria de Lombaerde, Parte I


I.        A presença real

        A palavra Eucaristia provém de duas palavras gregaseu-cháris: ação de graça, e designa a presença real e substancial de Jesus Cristo sob as aparências de pão e vinho.

        Os protestantes hodiernos, pelas suas contínuas mudanças, são milhares de divisões em seitas, não acreditam mais na presença de Jesus na hóstia sagrada.
        Lutero, menos tolo que seus netinhos, sempre acreditou na presença real de Cristo na Eucaristia, e encarregou-se de responder ele mesmo às  objeções de seus degenerados filhos.
        Em carta a seu amigo Argentino (De euch. Dist. I, art.) falando sobre o texto evangélico “Isto é o meu corpo”, ele diz: “Eu quereria que alguém fosse assaz hábil para persuadir-me de que na Eucaristia não se contém senão pão e vinho: esse me prestaria um grande serviço. Eu tenho trabalhado nessa questão a suar; porém confesso que estou encadeado, e não vejo nenhum meio de sair daí. O texto do Evangelho é claro demais” (Textus Evangelicus est nimis apertus).
        O mesmo Lutero diz ainda: “Que me apresentem a sua Bíblia, e mostrem-me onde se acham estas palavras: “Isto é o sinal do meu corpo!” Uns torturam o pronome isto; outros apegam-se ao verbo é; um terceiro dilacera a palavra corpo; outros, enfim, tratam como algoz o texto inteiro (alii totum textum excarnificant). (In Ap. Com. Dom. V, 17, p. 100).

II.      A negação desta verdade

        Escutai o vosso pai, ó protestantes, só esta desviação e mudança é uma prova clara de que estais fora da verdade.
        A verdade não muda: O vosso ensino mudou e muda; está, pois, errado.
        Escutai ainda Lutero refutar a vossa ousadia: “A despeito de todos os meus desejos. – diz ele, – e de todos os meus esforços, jamais pude impelir o meu espírito a essa negação atrevida” (Ep. Cor. amic.).
        Em outra parte ele diz: “A negação da presença real é uma evidente blasfêmia, uma negação da veracidade divina”. Ele chama aqueles que a negam: “Um bando de miseráveis endiabrados”.
        Mas então, ó protestantes, qual é a vossa religião? Não é a da Bíblia. Pois a Bíblia diz o contrário. Não é de Jesus Cristo, pois Cristo diz o contrário. Não é a da Igreja católica, ela também diz o contrário. Não é a de Lutero, pois o próprio Lutero diz o contrário.
        Donde vem a vossa religião?... donde? ... se não vem nem de Deus, nem dos homens? Donde vem? Respondei: só sendo do demônio!
        Pobres protestantes, a vós, também, Cristo poderia repetir as palavras que dirigiu aos fariseus (Jo 8, 43-45): Por que não podeis ouvir a minha palavra? Vós tendes por pai o demônio, e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque não há verdade nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas a mim, quando falo a verdade, não credes.
        Eis o que Cristo vos brada... Ele afirma que está presente e vós o negais.
        Lutero, vosso pai, apesar de seu desejo de negar este mistério, declara ser impossível fazê-lo, porque o evangelho é claro demais – e entretanto vós, protestantes, tendes a ousadia de fazer tal negação. Só o demônio: Vos ex patre diabolô estis (Jo 8,44).

III.    Os culpados do erro

        Tenho dó e compaixão dos pobres ignorantes, iludidos pelos pastores satânicos, que enganam por interesse ou orgulho; porém sinto a indignação invadir-me contra aqueles que Lutero chama “um bando de miseráveis endiabrados”.
        Notai isso, pastores! O epíteto não é meu, é um mimo do vosso pai Lutero.
        Vós, pastores, ou sois ignorantes estupendos, ou sois perversos desavergonhados.
        No primeiro caso, precisais estudar para conhecer a verdade; no segundo caso, é preciso criar sinceridade não enganar os pobres cristãos, que fazeis apostatar, renegar a fé de seus pais, para adotar uma seita em que vós mesmos não acreditais, nem podeis acreditar.
        Um homem inteligente não pode acreditar no protestantismo, porque é uma balbúrdia, um labirinto sem saída, uma pura negação.
        Sois vós os culpados, ó pastores, vós que vos intitulais “ministros”, sem missão e sem autoridade. Vós que explicais a Bíblia, dizendo ao mesmo tempo que a Bíblia não precisa de explicação, porque é clara como a água cristalina. Sois vós os culpados!
        Ó fariseus, sois bem aqueles mestres mentirosos, que introduzem seitas de perdição, dos quais predisse S. Pedro (2 Ped 2,1) e que depois, reconhecendo o erro – pois é impossível que um homem de bom-senso não o reconheça – sustentais este erro por orgulho ou por sórdido interesse.
        Se S. Paulo ainda estivesse na terra, vos escreveria com mais veemência ainda do que escrevia aos Romanos (2, 19-23).
        Confiais, ó pastores, que sois guias dos cegos, e luz dos que estão nas trevas; instruidores dos néscios, mestres de crianças, que tendes a forma da ciência e da verdade na lei. Vós, pois, que ensinais aos outros, não vos ensinais a vos mesmos? Vós que pregais, que vos gloriais na lei, desonrais a Deus pela transgressão da lei.

IV.   Quem tem razão?

        A Igreja católica, apoiada sobre a palavra positiva de Cristo, diz: Jesus Cristo está verdadeiramente presente na Eucaristia.
        O protestante hodierno diz: “Cristo não está presente, porque eu digo que não está”; é a única razão da negação.
        Quem dos dois terá razão: Cristo-Deus – ou o protestante revoltoso?
        Vamos examinar o fato, não somente com um texto, mas com uma série de textos, que o crente (se ainda acredita na Bíblia) terá a bondade de verificar e de meditar, porque é uma página divina, que vou citar aqui, a qual se devia ler de joelho e em atitude de adoração.
        Eis, em S. João, os termos de que Jesus Cristo serviu, falando a primeira vez deste grande sacramento (6, 48-59): 48. Eu sou o pão da vida: vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. 50. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. 51. Eu sou o pão vivo, que desci do céu. 52. Se alguém comer deste pão, viverá eternamente, e o pão que eu darei é a minha carne, para a vida do mundo.
        Que clareza nestas palavras!... Que quer dizer isso, ó crente:Eu sou o pão vivo – o pão que eu darei é a minha carne. É ou não é a carne de Cristo? É ou não é Cristo que será o pão que deve ser comido?... Deixe de cegueira e compreenda a palavra de Deus. Deus sabia falar e compreendia a significação das palavras!... Ou o amigo quer dar a Cristo uma lição de gramática ou sintaxe?

V.     Uma página divina

                E não é só isso!... Cristo continua, cada vez mais positivo e mais claro: 54.Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 55. O que comer a minha carne e beber o meu sangue terá a vida eterna. 56. Porque a minha carne é verdadeiramente comida, e o meu sangue é verdadeiramente bebida. 57. O que come a minha carne e bebe o meu sangue, fica em mim e eu nele. 58. O que me come... viverá por mim. 59. Este é o pão que desceu do céu... O que come este pão, viverá eternamente.
        Quanta página divina! Oh! Diga-me, pobre crente, trata-se do corpo de Cristo feito pão para ser comido ou não? – Ou trata-se simplesmente de um pedaço de pão de padaria? ... Minha carne é comida – O que me come... Não é isso o próprio Jesus Cristo feito pão para ser comido? Como se pode interpretar isto de outro modo? Ou o amigo não acredita na Bíblia, na palavra de Cristo, ou deve confessar que Cristo se deu verdadeiramente como comida aos homens, na sagrada eucaristia.
        Então: Ou rasgue sua bíblia, ou faça-se católico! Não há logicamente outra saída. Protestante não pode ficar! Ou ateu o católico. Ou não acredite em nada, ou tem de acreditar no ensino católico!

VI.   Cristo e o protestante

        Cristo afirma, repete, reafirma, e explica que o pão que ele vai dar é o seu próprio corpo – que seu corpo é uma comida – que seu sangue é uma bebida – que é um pão celeste que dá a vida eterna. E tudo isso é positivo, repetido mais de 50 vezes, sem deixar subsistir a mais leve hesitação.
        E tu, ó protestante, tens a audácia de dizer: Cristo não está na Eucaristia! O corpo de Cristo não é comida. Tudo isso é uma imagem, é uma representação, é uma ceia, onde se come um pedaço de pão em lembrança de Cristo.
        Pobre, pobre protestante!... tu és um cego, ou um ímpio – ou tu és mais que o próprio Deus, ou tu és Satanás.
        Cristo diz: Este pão é o meu corpo. O protestante exclama: Não, Senhor, é um pedaço  de pão!
        Cristo ajunta: Minha carne é verdadeiramente comida. O protestante objeta: Não, Senhor, este pão não é tua carne!
        Cristo completa: O que me come...viverá por mim. O protestante insiste: Não, Senhor, não comemos a ti, é simplesmente um pedaço de pão!
        Cristo repete: O que come a minha carne, fica em mim. O protestante blasfema: Não, Senhor, não é a tua carne, porque eu não o quero; é uma ceia, uma simples lembrança!... Tu estás enganado, ó Cristo, não entendes a bíblia... De tudo o que tu afirmas, nada é verdade. Este pão do céu não existe... Este pão não é o teu corpo... Este vinho não é o teu sangue. Teu corpo não é comida. Teu sangue não é bebida.

  Continua...

Apologética Católica com o Padre Júlio Maria de Lombaerde, + 1944

(Retirado do Livro "Luz nas Trevas - Respostas irrefutáveis as objeções protestantes".)

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