quinta-feira, 16 de junho de 2016

O SS. NOME DE JESUS

 Teu nome é como um perfume derramado (Ct 1, 2)
Que o sagrado Nome de Jesus seja como o óleo derramado de que fala a Esposa dos Sagrados Cânticos, seria fácil para mim demonstrá-lo, se para testemunhas desta verdade eu quisesse aqui demonstrar certas almas amantes às quais não apenas este nome dulcíssimo tocou seus ouvidos, que já penetra no coração, e aí dentro se espalha, se difunde com uma delicadíssima unção de afetos
delicadíssimos. Mas porém neste dia eu quero fazer uma prova da virtude deste nome sobre o coração de um pecador o mais obstinado, a fim de - se possível - medicá-lo docemente com este mesmo óleo; enquanto por outro lado eu satisfaço com você o dever do meu assunto.
1. Efeitos do nome de Jesus
Então, portanto, será manifestado que o nome de Jesus se chama com toda razão "óleo derramado", quando espargido neste coração, aí produza efeitos em tudo semelhante àqueles que o óleo sensível costuma produzir em relação aos membros do corpo e ao uso humano.
A - O nome de Jesus amolece o coração endurecido do pecador
Ora entre os muitos efeitos eu considero em primeiro lugar o amolecer; e isto para opô-lo àquela dureza que um coração obstinado apresente em primeiro lugar como forte obstáculo à sua cura. Vejamos pois se este nome valha por si para enternecê-lo e comovê-lo. O que quer dizer Jesus, senão Salvador? Isto é um Deus que para manifestar ao homem o excessivo amor com que Ele o ama "desde sempre", desce do Céu, para que o homem possa subir; enfim morre, para doar-nos a vida, e vida eterna. E um amor tão benéfico não servirá para tornar agradável, e penetrar mesmo o coração mais duro? Antes à medida que este óleo, com uma mais distinta consideração, for se espalhando e dilatando, veremos aquele coração todo amolecido arrepender-se por não ter até agora retribuído o amor, e ter compensado uma bondade tão benéfica só com injúrias e ofensas.
B - O nome de Jesus conforta e corrobora o coração desalentado do pecador
Para assegurar-nos da perfeita sanidade de um coração tão enfermo, não basta vê-lo diluir-se quase liquefeito em afetos de uma terna compunção; porque bem depressa se apresenta a segunda oposição em seu restabelecimento, que é a pusilanimidade, ou se já a desconfiança. O pecador de fato tornado insensível aos próprios males, vendo-se prostrado por terra pelo peso de tantas iniqüidade que o
oneram, desconfia de poder jamais ressuscitar. O conhecimento, que sempre mais cresce, pelo excessivo numero e pela deformidade monstruosa de suas culpas parece que se debilita e sempre mais vai enfraquecendo a esperança de obter o perdão. Donde se vê clara a necessidade de re-valorizar o ânimo já quase extraviado ou perdido. Este é justamente um outro efeito do óleo; fortificar os membros; enquanto se sabe pelas histórias daqueles famosos gladiadores, que antes de descer ao circo e dar provas de suas forças, ungiam os musculosos braços e os duros membros, para adquirir novo vigor e redobrado alento para o novo perigo. Mas quem mais estará de ânimo tão abatido, que não sinta imediatamente erguer-se mais vigorosa no seio a esperança só ao ouvir este nome, Jesus? Pois ele significa um Salvador, não já particular de poucos, mas universal de todos: "Cristo, de fato, morreu por todos", escreve S. Paulo (2Cor 14, 15); não é circunscrito pelo tempo; "porque vive para
sempre, possui um sacerdócio eterno. É por isso que lhe é possível levar a termo a salvação daqueles que por ele vão a Deus, porque vive sempre para interceder em seu favor" (Hb 7, 24-25); não é limitado pelo numero de culpas, encontrando-se junto Dele misericórdia sem nenhum anexo que a determine ou restrinja, "a misericórdia está em Deus"; e uma redenção superabundante e sem medida, "e uma copiosa redenção superabundante e sem medida, "e uma copiosa redenção junto dele" (SI
129, 7); daí se pode sempre verificar que "onde abundou a iniqüidade superabunda ainda mais a graça" (Rm 5, 20). Portanto, "por este nome sereis, ó Senhor, propício ao meu pecado, que é muito grande" (SI 24, 11), assim gritava Davi, mostrando de que confiança possa corroborar um coração desconfiado à admirável união deste nome divino.
C - O nome de Jesus é defesa para as i nsídias interiores e exteriores
E eis já confortado o pecador para ressuscitar. Mas nem por isto ele está perfeitamente curado, embora se possa crer que sua saúde está muito perto. Pois que ele, quase como um enfermo que veja debilitado sua natureza por longa e grave enfermidade e lânguida as forças, embora ainda confie com o auxílio de outros levantar-se de pé, teme porém e quase se desespera de poder por si mesmo
manter-se por algum tempo, sem uma lutuosa e fácil recaída. Portanto ele está suspenso ainda se possa uma vez levantar-se resolutamente. Para fazer, além disso, que ele proceda a uma deliberação tão importante é preciso prever todas as causas de onde ele possa racionalmente temer uma nova
queda, preveni-las, e assegurá-lo de todas estas com um remédio eficaz que as impeça inteiramente de qualquer ação, de qualquer efeito. Algumas, portanto, destas causas são internas, outras externas. As internas são a ignorância, a malícia as paixões. As externas são o demônio, e as ocasiões,
as seduções, os escândalos do mundo. Ora nós temos para opor, quanto às primeiras, uma clara luz contra as trevas do intelecto; um alimento verdadeiro contra os alimentos desregulados da vontade; e
um remédio salutar contra as desordens dos sentidos. Tudo isto se verá agir por este nome santíssimo, que como um óleo derramado, deve servir de luz, de nutrição, de remédio, sendo estas justamente as propriedades do óleo sensível, como muito bem notou S. Bernardo.
a - O nome de Jesus é luz
Realmente antes que se espalhasse este nome, todo o mundo estava em densa treva. Mas apenas o Apóstolo o elege para ser levado quase como chama acesa na mão "diante do Rei das nações" (At 9, 15), ele já começa a gritar: "despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz.
Comportemo-nos honestamente como em pleno dia" (Rm 13, 12, 13).
b - O nome de Jesus é alimento
Não somente luz é o nome de Jesus, é também alimento. Quando mais - prossegue o mesmo S. Bernardo - que tu te recordaste dele sem sentir subitamente um grande conforto? Que outro objeto enriquece de igual modo a mente de quem o considera? Que coisa mais" valha para reparar os sentidos fatigados, para robustecer a virtude, para nutrir os bons e honestos costumes, para fomentar castas afeições? Muito árido e sem sabor é para a alma qualquer alimento, se não for aspergido e condimentado por este óleo.
c - O nome de Jesus é remédio
Este é, além disso, remédio contra as desregradas paixões. De fato ao pronunciar este nome, se apresenta logo ao nosso espírito um Homem o mais perfeito e ao mesmo tempo Deus; o qual por isso, como espelho de toda virtude e fonte de toda graça, não só convida com doce exemplo, mas muito mais anima com eficaz auxílio e reprimi-las e moderá-las.
d - O nome de Jesus nos defende das insídias do mundo e do inferno
Tente agora o mundo de perverter com as máximas de seus dogmas mentirosos, seduzir com agradáveis ilusões, de corromper com falsas amizades; será vã qualquer arte, qualquer maquinação, todo esforço para entreter um coração que já está ungido por este nome resolva denodadamente fugir-lhe das mãos. De fato aqueles gladiadores, dos quais falamos pouco antes, que combatiam
nus, se ungiam não só para fortalecer-se, mas para tornar ainda mais difícil ao adversário prendê-los e segurá-los no ardor da peleja. Assim como em um pergaminho liso e ungido de óleo por quanto uma estulta mão se obstine em escrever não conseguirá mais imprimir nem sombra de tinta, assim igualmente e muito mais impossível se torna - por tudo quanto foi dito até agora - que em um coração no qual foi espalhada a unção deste nome admirável, se prenda ou fixe alguma impressão que lhe venha de fora para seu prejuízo. Ruja, pois, o inferno, arme-se, coloque -se em ordem de batalha e ponha para fora todas suas forças para a última prova. Já o Salmista nos anima a desprezar
todo assalto dizendo que este nome não só é santo, mas que é também terrível: "Santo e terrível é seu nome" (SI 110, 9); quase querendo dizer que como este nome de Jesus é um óleo todo suave que se difunde sobre o coração de quem o invoca com fé, assim também é óleo fervente e abrasador que se derrama sobre seus inimigos para colocá-los em fuga vergonhosa e exterminá-lo.
3. - A obstinação do pecador não pode ser vencida senão com a intervenção da graça
Eis-me, portando, ó meus irmãos pecadores, qual óleo precioso seja pela minha mão derramado sobre vossas chagas a fim de curá-las sem dor, com toda doçura. Estais melhorando? Amoleceu-se o vosso coração tão duro? Mas onde está uma só lágrima? Onde um suspiro, um gemido? Onde um sinal por pequeno que seja da vossa emenda? Diremos ser ineficaz o remédio que eu vos trago? As Escrituras divinas são claras; antes passam muito além chegando a dizer não haver outra salvação a esperar-se, salvo neste nome. Avante, pois, andai! Tenha-se porém ao invés este vosso coração impressos
ou esculpidos outros nomes, infames nomes daqueles ídolos impuros que vós amais. Existem estes mais doces; formam também aos poucos vossas mais caras delícias. Virá o dia, - e não está talvez distante - quando estendidos sobre um leito de morte, se transformem em amargo absinto para vós, estes nomes, não mais vos sejam agradáveis estes ídolos. Sim, virá este dia; e recolhendo então sobre os lábios moribundos, já frios, todo o espírito angustiado, vos esforçareis de chamar mais vezes com voz rouca trêmula: Jesus, Jesus! E oh! Felizes de vós se assim vos acontecer de invocá-lo com fé também naquele momento! Eu certamente vos animaria a esperar muito, a esperar tudo. Mas o que seria se ao invés naquela hora a tantos males vossos transbordasse o mais grave, o sumo de todos que é o desespero? Infelizmente aconteceu a muitos iguais a vós e acontece todo dia e poderá acontecer também a vós por sugestão do Demônio e muito mais pela malícia do vosso coração que se endurece cada dia mais; poderia acontecer que recusando tomar um remédio tão salutar, morrêsseis impenitentes obstinados. Não mais óleo de suavidade para vós este nome, que tão ingratamente
recusastes vivendo, mas aceso então no furor da justiça já próxima e ameaçadora, ardendo horrivelmente em fogo, esperando quase à passagem", da alma celerada para investi-Ia com suas chamas, vingando assim a injúria e a afronta já recebida. Infelizes de vós! Que rio de lágrimas poderá extinguir um incêndio tão forte? Que confusão encontrar lá vosso Juiz severo, aquele que vós antes negastes como salvador benigno! Que horror ver sair contra rugindo qual leão feroz e cheio deira, aquele Cordeiro tão manso que se deixou matar por vosso amor? Que desespero ver sacramentada a vossa eterna condenarão por aquele mesmo Sangue que já foi derramado pela vossa salvação?
Mas eu não quero terminar com dureza um argumento por sua natureza tão doce; nem devo sofrer que por causa de só alguns se perturbem ainda mais estas almas tão devotas que neste dia têm um motivo para consolar-se. Que mais vos direi? Sede pois cruéis contra vós mesmos; eu não cessarei por isto de amar-vos e de desejar ardentemente a vossa salvação. Nem deixarei jamais de chorar sobre vosso extremo perigo, sem, porém, perder a esperança de reconquistar-vos até o último momento. Atirar-me-ei aos vossos pés para banhá-los com minhas lágrimas, pedindo-vos e esconjurando-vos para ter piedade de vós mesmos. Que se nada conseguir ganhar de vós este meu pranto, eu me voltarei a este mesmo Jesus, a este amor crucificado.
4. - Oração
"Não a nós, Senhor"; não às nossas palavras, não às nossas lágrimas, não ao nosso zelo, "mas ao vosso nome dai glória" (SI 113, 9). Vós que sabeis abrir o caminho ao coração humano mesmo quando o homem insensato vos fecha toda entrada, oh! vós, pela vossa infinita clemência infundi qual óleo este vosso nome no coração daqueles obstinados, para que amoleça; amolecido se fortaleça para
confiar-se a vós em tudo, para que jamais não desesperem de ressuscitar; ressuscitados sejam iluminados, alimentados, preservados, e sintam todos os outros efeitos que para produzi-los o vosso nome, amável nome de Jesus, descido do céu já se espalhou como óleo derramado por todo o mundo. Ao vosso nome, ó Jesus, seja honra louvor, bênção e ação de graças por todos os séculos.

(Páginas de Vida Cristã - Pe. Gaspar Bertoni)

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