sexta-feira, 15 de julho de 2016

A REALIDADE DO PURGATÓRIO – III

DURANTE QUANTO TEMPO A ALMA SOFRE?

A extensão em tempo pela qual as almas permanecem no Purgatório depende de:
a) O número de suas faltas;
b) A malícia e a deliberação com que essas foram realizadas;
c) A penitência, feita ou não, a satisfação feita, ou não, pelos pecados cometidos durante a vida;
d) E também depende dos sufrágios oferecidos por eles depois de suas mortes.
O que se pode dizer com segurança é que o tempo em que as almas passam no Purgatório é, por regra geral, muito mais longo que a gente possa imaginar.

Extraímos algumas citações de livros que falam da vida e das revelações dos Santos.
São Luís Bertrand: seu pai era um exemplar cristão, como naturalmente se podia esperar, sendo o pai de tão grande santo. Em um tempo desejou ser um Monge Cartuxo, até que Deus lhe fez ver que não era Sua vontade.
Quando morreu, ao logo de largos anos de praticar cada virtude cristã, seu filho completamente ao cuidado dos rigores da justiça Divina, ofereceu algumas Missas e elevou as mais ferventes súplicas pela alma do qual o amou tanto.
Uma visão de seu pai no Purgatório o obrigou a multiplicar centenas de vezes seus sufrágios. Agregou as mais severas penas e largos jejuns a suas Missas e orações. Assim oito anos completos passaram antes que obtivesse a liberação de seu pai.

São Malaquias tinha uma irmã ainda no Purgatório, o qual fez que redobrasse seus esforços, e assim mesmo, apesar das Missas, orações e heroicas mortificações oferecidas pelo Santo, ela permaneceu vários anos retida!

Conta-se que uma santa monja em Pamplona, a qual conseguiu liberar várias Carmelitas do Purgatório, que permaneceriam ali pelo término de 30 a 40 anos! Monjas Carmelitas no Purgatório por 40, 50 o 60 anos!
QUAL SERÁ O DESTINO DAQUELES QUE VIVEM IMERSOS NAS TENTAÇÕES DO MUNDO, E COM SUAS FORTES DEBILIDADES?

São Vicente Ferrer, depois da morte de sua irmã, orou com incrível fervor por sua alma e ofereceu várias Missas por sua libertação.
Ela apareceu ao Santo ao final de seu Purgatório, e lhe contou que se não fosse por sua poderosa intercessão ante Deus, ela haveria estado ali por indeterminado tempo.
Na Ordem Dominicana é regra geral orar pelos Superiores no aniversário de suas mortes. Alguns destes têm morrido vários séculos atrás! Eles foram homens eminentes por sua piedade e sabedoria.
Esta regra não seria aprovada pela Igreja se não fosse necessária e prudente.
Não queremos significar com isto que todas as almas estão retidas por tempos iguais nos fogos expiatórios.
Algumas têm cometido faltas leves e tem feito penitência em vida. Portanto, seu castigo será muito menos severo.
Todavia, os exemplos que temos postos aqui são muito oportunos.
SE ESSAS ALMAS, QUE GOZARAM DO TRATO, QUE VIRAM, SEGUIRAM, E TIVERAM A INTERCESSÃO DE GRANDES SANTOS, FICAM RETIDAS LARGO TEMPO NO PURGATÓRIO, QUE SERÁ DE NÓS QUE NÃO GOZAMOS DE NENHUM DESSES PRIVILÉGIOS?

NOSSO SENHOR NOS ENSINA QUE DEVEREMOS RENDER CONTAS POR CADA PALAVRA QUE DIZEMOS E QUE NÃO DEIXAREMOS A PRISÃO ATÉ QUE TENHAMOS PAGADO ATÉ O ÚLTIMO CENTAVO.

Porque uma expiação tão prolongada? As razões não são difíceis de entender.
A malícia do pecado é muito grande, o que a nós nos parece uma pequena falta em realidade uma seria ofensa contra a infinita bondade de Deus, é suficiente ver como os Santos se condoeram sobre suas faltas.
Somos fracos, é nossa tendência, é verdade. Mas, então, Deus nos oferece generosamente abundantes graças para fortalecermos; dá-nos a luz para ver a gravidade de nossas faltas, e a força necessária para vencer a tentação.
Se todavia somos fracos, a falta é toda nossa.
Não usamos a luz e a fortaleza que Deus nos oferece generosamente; não rezamos, não recebemos os Sacramentos como deveríamos.
Um eminente teólogo remarca que se as almas são condenadas ao Inferno por toda a eternidade pelo pecado mortal, não há que se assombrar que outras almas devessem ser retidas por largo tempo no Purgatório por ter cometido deliberadamente incontáveis pecados veniais, alguns dos quais são tão graves que, ao tempo de cometê-los, o pecador escassamente distingue se são mortais ou veniais.
Também, eles podem ter cometido alguns pecados mortais pelos quais tiveram pouco arrependimento e fizeram pouca ou nenhuma penitência.
A culpa tem sido remitida pela absolvição, mas a pena devida pelos pecados terá que ser paga no Purgatório.
Nosso Senhor nos ensina que deveremos render contas por cada palavra que dizemos e que não deixaremos a prisão até que tenhamos pagado até o último centavo.
Os Santos cometeram poucos e leves pecados, e ainda eles sentem muito e fazem severas penas. Nós cometemos muitos e gravíssimos pecados, e nos arrependemos pouco e fazemos pouca ou nenhuma penitência.

Pecados Veniais
Seria difícil calcular o imenso número de pecados veniais que um católico comete.

1) Há um infinito número de faltas no amor, egoísmo, pensamentos, palavras, atos de sensualidade, também em formas variantes, como faltas de caridade no pensamento, palavra, obra, e omissão. Sensualidade, vaidade, zelos [ciúmes], tibieza e outras inumeráveis faltas.

2) Há pecados por omissão que não pagamos.
Amamos tão pouco a Deus, e Ele clama centenas de vezes por nosso amor. Nós O tratamos friamente, indiferentemente e até com ingratidão.
Ele morreu por cada um de nós.
Temos-lhe agradecido como se deve? Ele permanece dia e noite no Santíssimo Sacramento do Altar, esperando por nossas visitas, ansioso de ajudar-nos.
Quão pouco nós vamos a Ele! Ele anseia vir a nós na Santa Comunhão, e O recusamos.
Ele Se oferece a Si mesmo por nós cada dia no Altar na Missa e dá oceanos de graças àqueles que assistem ao Santo Sacrifício.
Ainda alguns são tão preguiçosos de ir a Seu Calvário! Que desperdício de graças!

3) Nossos corações estão cheios de amor a nós mesmos, duros.
Temos casas felizes, ótima comida, muitas roupas, e abundância de todas as coisas.
Muitos de nossos próximos vivem na fome e a miséria, e lhe damos tão pouco, enquanto que vivemos no desperdício e gastamos com nós mesmos sem necessidade.

4) A vida nos foi dada para servir a Deus, para salvar nossas almas.
Muitos cristãos, sem dúvida, estão satisfeitos de rezar cinco minutos à manhã e cinco à noite! No resto das 24 horas estão dedicados ao trabalho, descanso e prazer.
A verdade é que hoje em dia poucos pensam em Deus durante o dia.
O grande objetivo de seus pensamentos são eles mesmos. Eles pensam e trabalham e descansam para satisfazer a si mesmos.
Deus ocupa um pequeníssimo espaço em seus dias e suas mentes.
Isto constitui uma tristeza a Seu Amantíssimo Coração, o qual sempre pensa em nós.

[CONTINUA]

Nenhum comentário:

Postar um comentário