terça-feira, 19 de julho de 2016

A REALIDADE DO PURGATÓRIO – VI

O ato heroico

Consiste em oferecer a Deus em favor das Almas do Purgatório todos os trabalhos de satisfação que praticamos em nossa vida e todos os sufrágios que serão oferecidos para nós depois de nossa morte.
Se Deus premia tão abundantemente a mais insignificante esmola dada por um pobre homem em Seu nome, que imensa recompensa Ele não dará a aqueles que oferecem seus trabalhos de satisfação em vida e morte pelas Almas que Ele ama tanto.
Este ato não evita que os sacerdotes ofereçam Missas pelas intenções desejadas, ou que os laicos não rezem por algumas pessoas ou outras intenções.

As esmolas ajudam as Santas Almas
São Martim deu a metade de seu manto a um pobre mendigo, apenas para dar-se conta depois que se o havia dado a Cristo. Nosso Senhor apareceu ao Santo e lhe agradeceu.
O Beato Jordan, da Ordem Dominica, nunca podia recusar dar esmolas quando se o pediam no nome de Deus. Um dia havia esquecido seu moedeiro. Um pobre homem implorava uma esmola pelo amor de Deus. Em vez de descartá-lo, Jordan, então um estudante, lhe deu seu mais apreciado cinto, o qual apreciava muito. Pouco tempo depois, entrou em uma Igreja e encontrou seu cinto circundando a cintura de uma imagem de Cristo Crucificado.
Ele, também, havia dado suas esmolas a Cristo.
Todos nós damos esmolas a Cristo.

Conclusão
Dar todas as esmolas que possamos.
Pedir todas as Missas que estejam em nosso poder.
Escutar todas as Missas, quantas mais, melhor.
Oferecer todas nossas penas e sofrimentos pela liberação das Almas do Purgatório.

São Alfonso Maria de Ligório dizia que, ainda que as santas Almas não podem já lograr méritos para si mesmas, podem obter para nós grandes graças.
Não são formalmente falando, intercessores, como o são os Santos, mas através da doce Providência de Deus, podem obter para nós assombrosos favores e livrar-nos dos demônios, enfermidades e perigos de toda classe.
Está mais além de toda dúvida, como já temos dito, que nos devolvem milhões de vezes cada coisa que façamos por elas.

AS ALMAS NOS DEVOLVEM MILHÕES DE VEZES CADA COISA QUE FAÇAMOS POR ELAS

Os seguintes feitos, um dos poucos de todos os que poderíamos mencionar, são suficientes para mostrar quão poderosas e generosas amigas são estas Almas.

Uma pobre menina empregada na França chamada Jeanne Marie escutou uma vez um sermão sobre as Santas Almas, o qual deixou uma impressão indelével em sua mente. Foi profundamente movida pelo pensamento do intenso e incessante sofrimento que suportavam as pobres Almas, e se horrorizava ao ver quão cruelmente eram esquecidas e deixadas de lado por seus amigos da Terra. OUTRA COISA QUE A IMPRESSIONOU PROFUNDAMENTE É OUVIR QUE HÁ MUITAS ALMAS QUE ESTÃO TÃO PERTO DA SUA LIBERTAÇÃO, QUE UMA SÓ MISSA SERIA SUFICIENTE PARA ELAS; MAS QUE SÃO RETIDAS LARGO TEMPO, ATÉ ANOS, APENAS PORQUE ESTE ÚLTIMO E NECESSÁRIO SUFRÁGIO FOI ESQUECIDO OU NEGADO! Com uma fé simples, Jeanne Marie resolveu que, custasse o que custasse, ela teria uma Missa pelas Pobres Almas cada mês, especialmente pelas mais próximas ao Céu.
Ela ganhava pouco, e às vezes com dificuldade, mas nunca falhou em sua promessa. Em uma ocasião foi a Paris com sua patroa, e a menina caiu enferma. Pelo qual se viu obrigada a ir ao Hospital.
Desafortunadamente, a enfermidade precisou de longo tratamento, e sua patroa teve que regressar para casa, desejando que sua empregada logo se reunisse com ela.
Quando ao final a pobre empregada pode deixar o hospital, e ali havia deixado todos os seus recursos, de maneira que apenas lhe restava na mão um franco...
Que fazer? Aonde ir? De repente, um pensamento cruzou sua mente e se lembrou de que não havia oferecido esse mês uma Missa em favor das Pobres Almas. Mas tinha apenas um franco! Apenas lhe bastaria para comer.
Como tinha confiança que as Almas do Purgatório lhe ajudariam, foi até uma Igreja e pediu para falar com um sacerdote, para que oferecesse uma Missa, em favor das Almas do Purgatório.
Ele aceitou, ainda que jamais imaginasse que a modesta soma que a menina ofereceu era o único dinheiro que a pobre menina possuía. Ao terminar o Santo Sacrifício, nossa heroína deixou a Igreja. Certa tristeza nublou seu rosto, e se sentiu totalmente perplexa.
Um jovem cavaleiro, tocado por sua evidente decepção, lhe perguntou se tinha algum problema e se podia ajudá-la. Ela lhe contou sua história brevemente, e finalizou dizendo quanto desejava trabalhar.
De alguma maneira se sentiu consolada pela forma com que o jovem a escutava, e recobrou a confiança.
"Será um prazer ajudar-te", disse.
"Conheço uma dama que neste momento está buscando uma servente. Vem comigo".
E dito isto lhe guiou até uma casa não muito longe e lhe pediu que ela tocasse o sino, assegurando-lhe que encontraria trabalho.
Em resposta ao toque de sino, a dama da casa abriu, ela mesma, a porta e perguntou a Jeanne Marie que queria.
"Madame (disse ela), me disseram que você está buscando uma empregada. Não tenho trabalho e me agradaria ter o posto".
A dama estava perplexa e replicou: "Quem poderia haver dito que necessitava de uma empregada? Faz apenas um par de minutos que acabo de despedir a que tinha; acaso se encontrou com ela?". "Não, Madame, a pessoa que me informou que você necessitava de uma empregada foi um jovem cavaleiro".
"Impossível!, exclamou a Senhora, "nenhum jovem, de fato, ninguém, poderia saber que necessitava de uma empregada".
"Mas, madame, disse a menina, apontando um quadro na parede, esse é o homem que me disse".
"Não, minha menina, esse é meu único filho, que é morto há mais de um ano! "Morto, não", assegurou a menina," foi o que me trouxe até aqui, e ainda me guiou até a porta. Vi a cicatriz na fronte. Eu o reconheceria onde quer que estivesse".
Logo, lhe contou toda a história, com seu último franco, e de como ela obtinha Missas pelas Santas Almas, especialmente pelas mais próximas ao Céu.
Convencida ao final da veracidade da história de Jeanne Marie, a dama a recebeu com os braços abertos.
"Vem, mas não como minha empregada, mas como minha querida filha. Tu tens enviado a meu queridíssimo filho ao Céu. Não tenho dúvida de que ele foi o que te trouxe a mim".

[CONTINUA]

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