sexta-feira, 8 de julho de 2016

Comungai bem, porque a comunhão bem feita apaga os pecados veniais e preserva dos mortais

 
D. — Agora, diga-me, Padre, como é que a Comunhão apaga os pecados veniais?
M. — A Comunhão é também remédio que cura e fogo que abrasa e purifica. Mas, antes de tudo diga-me: o que é pecado venial?
D. — É uma nódoa que afeia e deforma a alma, tornando-a muitas vezes asquerosa.
M. — Muito bem.
A Sagrada Comunhão é como o ferro em fogo que o médico usa para tirar manchas; aos poucos faz desaparecer as chagas e as manchas da alma. Nossa alma vai ficando cada vez mais limpa e formosa, e Nosso Senhor delicia-se em comunicar-lhe suas graças especiais.
D. — Ó Padre! Quanto bem nos traz a comunhão frequente! Nunca deveríamos deixar de comungar nem que fosse somente para conseguir esse único efeito.
M. —De fato assim deveria ser. Assim como todas as manhãs lavamos as mãos e o rosto para tirarmos o pó e as manchas e, por conseguinte, para ficarmos limpos, assim também todas as manhãs devemos lavar nossa alma, por meio da Santa Comunhão; Jesus Cristo institui-a para esse fim e a Igreja quer que a usemos como remédio cotidiano para as nossas faltas diárias.
D. — Nessas coisas tão belas eu nunca havia pensado. Quereria saber agora, como é que a Comunhão nos preserva dos pecados mortais.
M. — De duas maneiras: interna e externamente. Em primeiro lugar nos preserva internamente, nutrindo e fortificando nossa alma até torná-la quase invulnerável ao pecado. 
Para que melhor compreenda isso vou citar dois exemplos tirados do livro “As grandezas da Comunhão”.
Os missionários que estiveram na África, contam que lá existe um animal pouco maior que o gato de casa, chamado gato selvagem.
Esse animal vive sempre em luta com as serpentes, muito comuns naquelas regiões. Pois bem, nessas lutas ele quase sempre sai vencedor, pois que conhece uma erva que tem a propriedade extraordinária de o preservar das picadas venenosas das serpentes. Apenas as serpentes o atacam corre à procura daquela maravilhosa erva e assim está sempre em condições de lutar.
Ferido duas ou mais vezes recorre sempre àquela erva até conseguir esmagar entre os dentes a cabeça do inimigo.
Nós também estamos sempre em luta com a serpente infernal, que de mil formas ataca nossa alma.
Queremos sempre sair vitoriosos? Recorramos ao meio infalível, ao contraveneno por excelência, que é a comunhão frequente bem feita. Só assim o demônio ficará impotente contra nós.
...enquanto contemplamos a crucifixão e morte de Jesus, nosso pensamento voa para a Santa Missa.
* * *

Mitrídates, famoso rei do Ponto na Ásia Menor, foi um dos maiores inimigos dos Romanos; lutou contra eles durante quarenta anos. Além de muito esforçado e esperto era instruidíssimo: sabia falar vinte e duas línguas; mas tinha um triste defeito: era muito ambicioso e cruel, tanto que um dia seus súditos e soldados se revoltaram contra ele e o obrigaram a suicidar-se.
Nessa contingência, para esconjurar a ira de seus súditos procurou envenenar-se, mas inutilmente. Pois que, por mais veneno que ingerisse não conseguiu morrer, porque, conforme no-lo conta a história, ele se habituara desde pequeno a tomar todos os dias uma pequena quantidade de veneno, ficando assim aos poucos, imune aos seus deletérios efeitos.
Pois bem, se em nossas lutas espirituais queremos ser invulneráveis aos ataques do demônio, habituemo-nos, não a beber, veneno, mas sim a receber todos os dias a carne puríssima de Jesus. A Comunhão é verdade, não nos torna impecáveis; todavia, nos preserva do pecado, e preservar quer dizer precisamente que ela age de tal maneira, que nos torna capazes de resistir ao mal e nos dá a graça de não cairmos em pecado; e se alguma vez, por infelicidade, nele cairmos, ela dará a força para nos arrependermos e a sinceridade para confessá-lo.
Em segundo lugar, a comunhão nos preserva do pecado também externamente, pondo-nos a salvo dos múltiplos ataques de nossos inimigos espirituais infundindo-lhes medo e respeito.
Mais dois exemplos tirados do livro “As Grandezas da Comunhão” hão de convencê-lo dessa verdade.
* * *
Lê-se na história do povo de Israel, que para castigar a Faraó por não querer deixar partir para o deserto os Israelitas, Deus enviou um anjo para que exterminasse todos os primogênitos das famílias egípcias. E querendo Deus preservar os primogênitos hebreus, ordenou a Moisés que com sangue do cordeiro pascal salpicasse todos os portais das casas dos Israelitas. À meia-noite passou o anjo exterminador pelas casas dos egípcios e matou todos os primogênitos desde o primogênito do Faraó até o primogênito do ínfimo de seus escravos; mas não entrou e nem matou ninguém nas casas assinaladas com o sangue do cordeiro. Assim também a Comunhão nos salpica com o sangue de Jesus Cristo, verdadeiro cordeiro pascal e o anjo da tentação, o demônio, não se atreve a entrar em nossa alma para dar-lhe a morte com o pecado.
Contava um missionário das índias que algumas jovens da tribo de Diamfi, diariamente faziam longa caminhada e atravessavam com grande risco um caudaloso rio, unicamente para poder comungar. E quando regressavam para o meio da tribo se achavam continuamente expostas a perigos e escândalos, mas se alguém as queria induzir ao pecado, elas exclamavam:
— Nós comungamos todos os dias! Bastavam essas palavras para saírem vitoriosas enquanto que os tentadores se retiravam envergonhados e confundidos.
Daqui você pode se convencer de como a Comunhão frequente e bem feita pode preservar-nos dos pecados.
D. — Estou bem convencido disso, porém, permita que lhe faça ainda uma pergunta:
Se a Comunhão preserva dos pecados, como se explica o fato de muitos que comungam frequentemente caírem em pecados e perpetrarem escândalos?
M. — A explicação é fácil: a Comunhão, é verdade, preserva dos pecados, aumenta a graça em nós e nos põe de atalaia ante as tentações e maus desejos, porém, não devemos esquecer que ela não nos tira a liberdade. Santo Agostinho afirma que "Deus que nos criou sem nós, não nos salvará sem nós" isto é sem a nossa cooperação.
A Comunhão nos faz conhecer melhor o mal que há em nós; castiga, remorde, e se opõe ao pecado, todavia, não nos tira a liberdade. Em uma palavra a comunhão não nos torna impecáveis, mas sim nos afasta do pecado, da mesma forma que os remédios não nos tornam imortais, mas somente nos curam ou preservam das doenças.
D. — Muito bem, Padre. Queira dizer-me agora como é que a Comunhão nos une a Jesus Cristo.
A Multiplicação dos pães foi uma figura da Eucaristia 

( Comungai Bem, por Padre Luiz Chiavarino.  )

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