terça-feira, 23 de agosto de 2016

A alma confiante, ainda que cheia de faltas

O venerável diretor de Santa Margarida Matria, o beato Cláudio de la Colombière, pregava continuamente este mesmo assunto. Vale a pena reproduzir aqui um trecho de uma carta sua dirigida a uma pessoa esmagada sob o peso das suas faltas. Dificilmente encontraremos um eco mais fiel e um resumo mais prático dos ensinamentos que São Francisco de Sales vai dar-nos adiante: . "Se eu estivesse em seu lugar, haveria de consolar-me assim. Diria ao meu Deus com confiança: 'Senhor, eis uma alma que está no mundo para que exerçais a vossa admirável misericórdia e para a fazer brilhar em presença do Céu e da terra. Há almas que Vos glorificam com a sua fidelidade e constância, revelando a eficácia da vossa graça, a vossa doçura e a liberalidade para os que Vos são fiéis. Eu Vos glorificarei dando a conhecer como sois bom para com os pecadores, como a vossa misericórdia supera toda a maldade, como nada é capaz de esgotá-la, e como nenhuma recaída, por mais vergonhosa e criminosa que seja, deve levar um pecador ao desespero. Eu vos ofendi gravemente, ó meu amável Redentor, mas ainda pior seria se eu vos fizesse a gravíssima injúria de pensar que não sois suficientemente indulgente para me perdoar. O vosso inimigo e meu estende-me cada dia novos laços, mas será em vão, porque me fará perder tudo menos a esperança que tenho na vossa misericórdia; ainda que caísse cem vezes, ainda que os meus crimes passassem a ser cem vezes mais horríveis do que o são hoje, continuaria a esperar em Vós.'

Depois disso, parece-me que não me afligiria sobre o modo como reparar a minha falta nem com o escândalo que tivesse dado... E recomeçaria a servir a Deus com mais fervor que antes, e com a mesma tranquilidade que teria se nunca o tivesse ofendido. . A venerável Madre Maria Sales Chappuis, cuja ocupação, dizia ela, era "sondar o Coração de Deus", não hesitava em afirmar: "Mesmo que, de cada vez que respiramos, caíssemos numa falta, se outras tantas vezes nos levantássemos e recomeçássemos a ser fiéis, as nossas quedas não nos prejudicariam, O Senhora olha menos para as nossas faltas do que para o proveito que tiramos delas, se as empregamos para humilhar-nos diante d'Ele e fazer-nos pequenos e dóceis. É uma graça muito grande para uma alma chegar a conhecer as suas faltas. Este conhecimento fá-la descobrir a bondade de Deus e o preço dos méritos do divino Salvador."
A arte de aproveitar as próprias faltas, segundo São Francisco de Sales

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