terça-feira, 30 de agosto de 2016

o amor de Cristo que ultrapassa todo o conhecimento, Por Santa Rosa de Lima

O Salvador fez ouvir a sua voz e disse com incomparável majestade: «Saibam todos que depois da tribulação se segue a graça; reconheçam que, sem o peso das aflições, não se pode chegar à plenitude da graça; compreendam que com o aumento dos trabalhos cresce simultaneamente a medida dos carismas. Não se deixem enganar: esta é a única escada verdadeira do Paraíso, e sem a cruz não há caminho por onde se possa subir ao Céu».
Ao ouvir estas palavras, senti dentro de mim um forte impulso para me ir colocar no meio da praça e gritar bem alto a todas as pessoas de qualquer idade, sexo, estado e condição: «Ouvi, ó povos; ouvi, ó gentes: da parte de Cristo e com as suas próprias palavras, eu vos digo: Não podemos alcançar a graça, se não padecermos aflições; são precisos trabalhos sobre trabalhos para alcançar a íntima participação da natureza divina, a glória dos filhos de Deus e a perfeita formosura da alma».


O mesmo estímulo me impelia fortemente a proclamar a beleza da graça divina; e causava me angústia, suores e ânsias. Parecia me que já não podia reter a alma no cárcere do corpo e que ela romperia os laços da sua prisão para ir por todo o mundo, livre e sozinha e com grande agilidade, dizendo:
«Oh se os mortais conhecessem o que é a graça divina, como é bela, nobre e preciosa, quantas riquezas encerra, quantos tesouros, quantas alegrias e delícias em si contém! Usariam sem dúvida toda a diligência, trabalhos e cuidados em procurar penas e aflições; andariam todos pelo mundo em busca de moléstias, enfermidades e tormentos, em vez de fortunas, para conseguir o inestimável tesouro da graça. Esta é a recompensa e o mais alto lucro da paciência. Ninguém se queixaria da cruz nem dos sofrimentos que porventura lhe advêm, se conhecesse a balança em que são pesados para serem distribuídos pelos homens».

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