sexta-feira, 14 de outubro de 2016

15 de Outubro Santa Teresa D’Ávila, Virgem


A Igreja comemora hoje o dia da grande filha do Carmelo, Santa Teresa, que nasceu em Ávila, na Espanha em 1515. A educação que os pais lhe deram e ao irmão Roderico, foi a mais sólida possível. Acostumada desde pequena à leitura de bons livros, o espírito da menina não conhecia maior encanto que o da vida dos santos mártires. Tanto a impressionou esta leitura que, desejosa de encontrar o martírio combinou com o irmão a fuga da casa paterna, plano que realmente tentaram executar, mas que se tornou irrealizável, dada a vigilância dos pais.
A idéia e o desejo do martírio ficaram entretanto, profundamente gravados no coração da menina. Quando tinha doze anos, perdeu a boa mãe. Prostrada diante da imagem de Nossa Senhora, exclamou: “Mae de Misericórdia, a vós escolho para serdes minha mãe. Aceitai esta pobre orfãzinha no número das vossas filhas”. A proteção admirável que experimentou durante toda a vida, da parte da Maria Santíssima, prova que esse pedido foi atendido.
Deus permitiu que Teresa por algum tempo, enfastiando-se dos livros religiosos, desse preferência a uma leitura profana, que poderia pôr-lhe em perigo a alma. Também umas relações demasiadamente íntimas com parentes um tanto levianas, levaram-na ao terreno escorregadiço da vaidade. O resultado disto tudo foi ela perder o primitivo fervor, entregar-se ao bem estar, companheiro fiel da ociosidade, sem entretanto chegar ao extremo de perder a inocência.

O pai, ao notar a grande mudança que verificava na filha, entregou-a aos cuidados das religiosas agostinianas. A conversão foi imediata e firme. Uma grave enfermidade obrigou-a a voltar para a casa paterna. Durante esta doença percebeu o profundo desejo de abandonar o mundo e servir a Deus, na solidão dum claustro. O pai, porém, opôs-se a este plano, no que foi contrariado por Teresa, que fugiu de casa, para se internar no mosteiro das Carmelitas em Ávila. No meio do caminho lhe Sobreveio uma grande repugnância pela vida religiosa e por um pouco teria desistido da idéia. Vendo em tudo isto uma cilada do inimigo de Deus e dos homens, seguiu resolutamente o caminho, e ao transpor o limiar do mosteiro, os receios e escrúpulos deram lugar a uma grande calma e alegria de coração.
Durante o tempo do noviciado foi provada por outro relaxamento no fervor religioso, que, aliás, pouco tempo durou. Deus mais uma vez lhe tocou o coração, mas de uma maneira tão sensível, que Teresa, debulhada em lágrimas, prostrada diante do crucifixo, disse: “Senhor, não me levanto do lugar onde estou, enquanto não me concederdes graça e fortaleza bastantes, para não mais cair em pecado e servir-vos de todo coração, com zelo e constância”. A oração foi ouvida, e de uma vez para sempre ficou extinto no coração de Teresa o amor ao rnundo e às criaturas e restabelecido o zelo pelas coisas de Deus e do seu santo serviço. Foi-lhe revelado que essa conversão era o resultado da intercessão de Maria Santíssima e de São José. Por isso teve sempre profunda devoção a São José, e muito trabalhou em difundir este culto na Igreja. Profunda era a dor que sentia dos pecados cometidos e dolorosas eram as penitências que fazia, se bem que os confessores opinassem que nenhuma dessas faltas chegara a ser grave. Em visões lhe foi mostrado o lugar no inferno, que lhe teria sido reservado, se tivesse prosseguido no caminho das vaidades. De tal maneira se impressionou com esta revelação, que resolveu restabelecer a Regra carmelitana, em todo o rigor primitivo. Esse plano embora tivesse a aprovação do Papa Pio IV, a mais decisiva resistência encontrou da parte do clero e dos religiosos. Teresa, porém, tendo a intuição de agir por vontade de Deus, pos mãos à obra e venceu.
Trinta e dois mosteiros (17 femininos e 15 masculinos) foram por ela fundados, e outros tantos reformados, e em todos, tanto nos conventos dos religiosos, como das religiosas, entrou em vigor a antiga regra.
Em sua autobiografia há capítulos (o 11 e os seguintes), que dão testemunho da intensidade de sua vida interior. O que diz sobre os quatro degraus de oração, isto é, sobre o recolhimento, a quietação, a união e o arrebatamento, é realmente aquilo que a oração da sua festa chama o “pábulo da celeste doutrina”. Graças extraordinárias a acompanhavam constantemente como fossem: comunicações diretas divinas, visões, presença visível de Cristo.
Um anjo traspassou seu coração com uma seta de fogo, fato este que
a Ordem carmelitana comemora na festa da transverberação do coração de Santa Teresa, em 27 de Agosto.
Doloroso foi o caminho da cruz pelo qual a Divina Providência a quis levar, e não faltou quem lhe envenenasse as mais retas intenções, quem em suas medidas de reforma visse obra do demônio, e intervenção direta diabólica. A calma lhe voltou quando em 1559 se confiou à direção de São Pedro de Alcântara.
Não tardou, que (1576) no seio da Ordem se levantasse uma grande tempestade contra a reforma. Veio a proibição de novas fundações, e Teresa viu-se obrigada a se recolher a um dos conventos. Parecia ter-se declarado o fracasso da sua obra: foi, quando interveio o rei Felipe II. A perseguição afrouxou só pouco a pouco, e em 1580 o Papa Gregório XIII declarou autônoma a província Carmelitana descalça.
Esta obra sobre-humana não teria tido o resultado brilhante que teve, se não fosse a execução da vontade divina, e se Teresa não tivesse sido pessoa toda de Deus, possuidora das mais excelentes e sólidas virtudes, dotada de grande inteligência e senhora de profundos conhecimentos teológicos.
Santa Teresa teve o dom de ler nas consciências e predizer coisas futuras. Não lhe faltou a cruz dos sofrimentos físicos e morais. No meio das maiores provações, nas ocasiões em que lhe parecia ter sido abandonada pelo céu e pela terra, era imperturbável sua paciência e conformidade com a vontade de Deus. No Santíssimo Sacramento achava a força necessária para a luta e para a vitória.
Sob o impulso de uma graça especial fez o voto de fazer sempre aquilo que a sua conciência lhe dizia ser o mais perfeito. Na oração ela atingiu o mais alto grau da vida mística. Os numerosos escritos asseguram-lhe um dos primeiros lugares entre os místicos.
Oito anos antes de deixar este mundo, foi-lhe revelada a hora da morte. Sentindo esta se aproximar, dirigiu uma fervorosa circular a todos os conventos de sua fundação ou reforma. Com muita devoção recebeu os santos Sacramentos, e constantemente rezava jaculatórias como esta: “Meu Senhor, chegou afinal a hora desejada, que traz a felicidade de ver-vos eternamente”. — “Sou uma filha de vossa Igreja. Como filha da Igreja Católica quero morrer”. — “Senhor, não me rejeiteis da vossa face. Um coração contrito e humilhado não haveis de desprezar”.
Santa Teresa morreu em 1582, na idade de 67 anos.
Logo após a morte, o corpo da Santa exalava um perfume deliciosíssimo.
Seu coração, apresentando larga e profunda ferida, acha-se guardado num precioso relicário na igreja das Carmelitas em Alba.

Fonte: Pagina do Oriente

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