terça-feira, 18 de outubro de 2016

A madeira da verdadeira cruz


Felizes os que sofrem as perseguições da justiça: esta bem aventurança, a última na categoria, é a primeira na estima, e considero-a como a suprema felicidade da vida presente. Os que são injustamente perseguidos tem mais semelhança com o Salvador e levam uma vida oculta com Jesus Cristo em Deus; parecem maus e são bons; parecem mortos e estão vivos; pobres e são ricos, tolos e são sábios, detestados pelos homens e benditos por Deus. As perseguições são parcelas da cruz de Nosso Senhor, e não podemos perder delas a menor porção.
Vi há tempos, uma rapariga que levava à cabeça um cântaro cheio de água e em cuja superfície colocara um pedaço de madeira. Perguntei-lhe para que, e ela me respondeu que era para a água não verter. Ora daqui por diante convém colocar a cruz no centro de nossas orações, para determos o movimento dos nossos afetos com esta madeira, afim de que não derramem em inquietações e turbações de espírito.
Sofrer é quase o único bem que neste mundo podemos praticar; porque raramente praticamos algum bem que lhe não juntemos o mal. Nosso Senhor nunca esta tão certo de nós como quando sofremos com paciência por seu amor. Vigia sempre sobre nós quando repousamos em seu seio e faz com que tiremos proveito das nossas tribulações.
É onde poderemos nós exercitar os grandes atos de invariável união do coração à vontade de Deus, da mortificação do nosso amor próprio, do amor da própria abjeção, em uma palavra, da nossa crucifixão, senão nestes rudes e perigosos assaltos? Não vos disse já muitas vezes que vos despojásseis de todas as criaturas, para vos unirdes a Jesus Cristo crucificado? Coragem pois; Deus é que quer despojar assim os nossos corações. Não é um rigor, é uma doçura. Animai-vos: contanto que o vosso coração se conserve fiel, não vos dará peso superior às vossas forças, e ajudar-vos-á a levá-lo, quando vir que vos abaixais para conduzirdes o feixe que vos entregar.
Bem aventurados os crucificados! Neste mundo a nossa herança é a cruz; mas no outro será a glória. Tudo passa. Após poucos dias desta vida mortal que nos faltam, virá a infinita eternidade. Pouco nos importa que tenhamos aqui comodidades ou não, contanto que sejamos felizes por toda a eternidade. Seja vossa consolação a eternidade santa que vos espera, e o serdes cristão, filho de Jesus Cristo e regenerado com o seu sangue, porque a nossa glória consiste em Jesus Cristo ter morrido por nós.

Felizes os que sofrem as perseguições da justiça: esta bem aventurança, a última na categoria, é a primeira na estima, e considero-a como a suprema felicidade da vida presente. Os que são injustamente perseguidos tem mais semelhança com o Salvador e levam uma vida oculta com Jesus Cristo em Deus; parecem maus e são bons; parecem mortos e estão vivos; pobres e são ricos, tolos e são sábios, detestados pelos homens e benditos por Deus. As perseguições são parcelas da cruz de Nosso Senhor, e não podemos perder delas a menor porção.
Vi há tempos, uma rapariga que levava à cabeça um cântaro cheio de água e em cuja superfície colocara um pedaço de madeira. Perguntei-lhe para que, e ela me respondeu que era para a água não verter. Ora daqui por diante convém colocar a cruz no centro de nossas orações, para determos o movimento dos nossos afetos com esta madeira, afim de que não derramem em inquietações e turbações de espírito.
Sofrer é quase o único bem que neste mundo podemos praticar; porque raramente praticamos algum bem que lhe não juntemos o mal. Nosso Senhor nunca esta tão certo de nós como quando sofremos com paciência por seu amor. Vigia sempre sobre nós quando repousamos em seu seio e faz com que tiremos proveito das nossas tribulações.
É onde poderemos nós exercitar os grandes atos de invariável união do coração à vontade de Deus, da mortificação do nosso amor próprio, do amor da própria abjeção, em uma palavra, da nossa crucifixão, senão nestes rudes e perigosos assaltos? Não vos disse já muitas vezes que vos despojásseis de todas as criaturas, para vos unirdes a Jesus Cristo crucificado? Coragem pois; Deus é que quer despojar assim os nossos corações. Não é um rigor, é uma doçura. Animai-vos: contanto que o vosso coração se conserve fiel, não vos dará peso superior às vossas forças, e ajudar-vos-á a levá-lo, quando vir que vos abaixais para conduzirdes o feixe que vos entregar.
Bem aventurados os crucificados! Neste mundo a nossa herança é a cruz; mas no outro será a glória. Tudo passa. Após poucos dias desta vida mortal que nos faltam, virá a infinita eternidade. Pouco nos importa que tenhamos aqui comodidades ou não, contanto que sejamos felizes por toda a eternidade. Seja vossa consolação a eternidade santa que vos espera, e o serdes cristão, filho de Jesus Cristo e regenerado com o seu sangue, porque a nossa glória consiste em Jesus Cristo ter morrido por nós.

 Quais são as melhores cruzes.

Descubramos um pouco, eu vô-lo peço um abuso que se encontra no espírito de bastante pessoas; não estimam e nem querem levar as cruzes, que se lhes entregam, se forem grandes e pesadas. Por exemplo: um religioso submeter-se-á voluntariamente a grandes austeridades, como jejuar, trazer cilício, usar rudes disciplinas, e repugnar-lhe-á obedecer quando lhe mandarem que não jejue, que descanse e outras coisas, nas quais há mais satisfação do que trabalho. Ora, ficai sabendo que vos enganais se pensais que há menos virtude em vos vencerdes nisto do que nas coisas mais difíceis; porque o mérito da cruz não consiste no seu peso; mas na maneira de o levar. Ainda direi mais; há algumas vezes mais virtudes em levar uma cruz de palha do que uma pesada de madeira, porque quanto mais leves são as cruzes, tanto mais abjetos são, e portanto menos conformes à nossa inclinação, que sempre procura as aparências. É certo que há mais virtude em não proferir uma palavra proibida pelos nossos superiores, ou não levantar a vista para contemplar um objeto que desejamos ver do que trazer o cilício, porque depois de o colocarmos não temos necessidade de pensar mais nisso, e nas coisas pequenas é preciso ter uma continua atenção sobre nós mesmos para não cairmos na imperfeição.
Compreendei agora que por estas palavras Jesus Cristo: "toma a tua cruz", se entende que devemos receber com agrado e indiferentemente as contrariedades e mortificações, que venham, embora sejam leves e de pouca importância, estando certa dos que o mérito da cruz não consiste no seu peso mas na perfeição com que é levada.
É muito bom mortificar a carne; porém mais do que tudo é necessário purificar os nossos afetos e aliviar os nossos corações. Deus diz-nos: "Rasgai e dilacerai os vossos corações, porque contra eles é que se levanta a minha indignação". É o que praticamos nas pequenas mortificações repetidas muitas vezes e cumpridas fielmente. Sofrer um pequeno desdém com doçura, praticar uma coisa por obediência quando sentimos repugnância, não se queixar quando há motivo para isso, sofrer os defeitos das pessoas com que vivemos; é em ocasiões idênticas que convém dilacerar o coração, sacrificar a vontade própria, o gênio, as inclinações naturais; e dar a Deus provas do nosso amor e felicidades.
Oh! Deus! direi vós, é um grande sacrifício; convém atender muito a nós mesmos para renunciar à nossa vontade e rejeitar o que pede o amor próprio; porque ele tem artifícios para nos enganar e distrair a nossa atenção de nós mesmos. É verdade; mas eis aqui o remédio: Os que navegam, e se aproximam das sereias correm perigo, porque elas cantam tão bem, que extasiam e adormecem os que remam; de sorte que alguns, para evitar o perigo fazem-se amarrar a um dos mastros. É preciso que também assim façamos quando as sereias do amor próprio, das repugnâncias, nos vierem cantar aos ouvidos, para nos atrair e fazer que lhes obedeçamos; importa que nos amarremos ao mastro do navio, que é a cruz de Nosso Senhor, o qual nos ordena, se queremos ser seus discípulos, que tomemos a cruz e o sigamos. Mas notai que Deus diz a nossa própria cruz, e isto serve para contrariar a extravagância de muitos, que quando os mortificam, se impacientam e confundem dizendo que se lhes fizessem o mesmo que fazem a outros, o receberiam de boa vontade: e o mesmo dizem das doenças, estimando as que Deus dá aos outros e não às que a eles envia para o seu bem. Ora isto não é levar a cruz como Nosso Senhor quer que a levemos e nos ensinou com seu exemplo. Se pois queremos levar a nossa cruz e segui-lo devemos, à sua imitação, receber com indiferença todas as que nos vierem, sem escolha ou exceção.
Beijai muitas vezes amorosamente as cruzes que Nosso Senhor vos põe às costas. Não vejais senão de madeira preciosa o odorífera; merecem mais o nome de cruzes quando são de madeira vil e nojenta.
Confesso-vos que este pensamento vem-me muitas vezes ao espírito e só sei este ditado. Sem dúvida é do Cântico dos Cânticos; é um pouco triste, mas é harmonioso e belo: "Meu pai: faça-se a vossa vontade e não a minha".
Madalena vê a Nosso Senhor e procura-o; não o vê na forma que deseja; é por isso que não fica contente de o ver assim e o procura para contemplar doutra forma; quer vê-lo revestido de glória e não como um jardineiro; mas afinal conhece que é Ele quando lhe diz: "Maria".
Olhai; é Nosso Senhor vestido de jardineiro que encontrais todos os dias nas ocorrências das mortificações ordinárias da vida. Quereríeis que vos oferecesse outras mortificações mais belas? Oh! Deus meu as mais belas não são as melhores. Não tendes fé que Ele vos diga: "Maria, Maria?" Não, antes que o contempleis vestido de glória. Ele quer plantar no vosso jardim flores pequeninas, mas à sua vontade; por isso, Ele esta assim vestido. Estejam dora avante os nossos corações unidos ao seu e as nossas vontades ao seu agrado.

Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales

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