quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Deus pensa em nós e contempla-nos com amor, apesar de nossas fraquezas.


Perguntais-me se Nosso Senhor pensa em vós e vos olha com amor? Sim, pensa em vós, e não só em vós, mas no menor cabelo de vossa cabeça. É um artigo de Fé; ninguém o pode duvidar. Também sei que o não duvidais, mas exprimes por esta forma a avidez, desalento e insensibilidade em que se encontra a parte inferior da vossa alma.
 "Verdadeiramente Deus esta aqui, e eu não o sabia", dizia Jacó; isto é, nem o supunha, nem tinha dele sentimento algum. Não podeis também duvidar que Deus vos olhe com amor; porque olha amorosamente para os maiores pecadores do mundo, por pouco desejo que eles tenham de se converter. Ah! dizei-me: não tendes intenção de pertencer a Deus? Não quereis servi-lo fielmente? E quem vos dá esse desejo e intenção senão Ele com o seu amoroso olhar? Não examinais se o vosso coração lhe agrada, e se o contemplardes bem é impossível que não vos agrade: porque é um coração tão doce, tão suave, tão condescendente, tão amoroso para com estas miseráveis criaturas, contanto que reconheçam a sua miséria, tão generoso para com os miseráveis, tão bom para com os penitentes! Ah! quem não amará este coração divino, tão cheio de ternura para conosco! Dizeis, com razão, que tendes tentações, porque o vosso coração esta sem ternura para com Deus; porque se sentísseis ternura, teríeis consolação e se sentísseis consolação, não sentirias desassossego. Mas o amor de Deus não consiste em consolações e ternura, porque desta forma Jesus Cristo não teria amado seu Pai quando estava triste até a morte e exclamava: "Meu Pai, meu Pai, porque me abandonaste?" e era então que praticava maior ato de que se pode imaginar. Enfim quereríamos ter um pouco de consolação e de doçura em nossas carnes, isto é, ter o sentimento de amor e ternura e por consequência a consolação; e quereríamos igualmente estar sem imperfeição; mas é preciso ter paciência de pertencer à natureza humana e não à angélica. Não nos devem agradar as imperfeições; pelo contrário, devemos dizer com o santo Apóstolo: "Oh! quanto sou miserável! quando me livrarei deste corpo mortal?" Mas não nos devem amedrontar nem tirar a coragem; devemos daí tirar submissão, humildade e desconfiança de nós mesmos, mas não desânimo e prostração do coração, e muito menos desconfiança do amor de Deus para conosco. 
 Assim como a fraqueza e a enfermidade do filho desagradam a mãe e no entanto ela não só  não deixa de o amar por isto, mas o ama com ternura e compaixão, da mesma forma Deus, por não amar as nossas imperfeições e pecados veniais, não deixa por isso de nos amar eternamente; de maneira que Davi disse com razão à Deus: "Tende piedade de mim, Senhor, porque estou enfermo". Ora isto basta, vivei tranquilos: Nosso Senhor contempla-vos com tanto mais amor quanto mais fraco sois.Nunca permitais que o vosso espírito alimente pensamentos contrários, e quando o tiverdes, não os fiteis, mas afastai a vista de sua iniquidade, e voltai-vos para Deus com uma corajosa humildade, para lhe falar da sua inefável bondade, pela qual vos ama apesar de serdes pobres, abjetos e doentes.
 Ah! que grandes obrigações devemos a Deus, e quanta confiança devemos ter, porque o que a sua misericórdia começou em nós, o terminara e dará tanto acréscimo a este óleo de boa vontade que temos, que todos os nossos vasos se encherão, bem como muitos dos nossos vizinhos! É conveniente fechar sobre nós a porta, isto é, retirarmos o nosso coração cada vez mais para a sua divina bondade.

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