sábado, 20 de janeiro de 2018

Como Jesus nos amou na sua Paixão.

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Considerai que o eterno Pai amou tanto o mundo, que lhe deu seu único Filho, e o Filho amou tanto a vontade do Pai, que, vendo que ele tinha desejo de salvar a natureza humana, sem se lembrar da baixeza e mesquinhez dela, ofereceu voluntariamente um preço prodigioso pelo resgate: o seu sangue, os trabalhos e a  vida. Assim, este Salvador ofereceu o seu amor imenso para satisfazer a vontade do Pai e o resgate do mundo.
 Em cada mistério da Paixão dizia:  "Ó meu Pai a natureza humana que eu tanto amo resgatar-se-ia com uma só lágrima minha; mas isto não bastaria para reverência que eu devo ter à vossa vontade, e ao meu amor. Quero pois,que, além dos desfalecimentos no jardim das Oliveiras, que me açoitem, que me coroem de espinhos, que dilacerem o meu corpo, para que eu seja semelhante a um leproso sem forma nem beleza". Desta forma foi Jesus açoitado, coroado de espinhos, condenado, escarnecido, destinado a suportar os opróbrios e ignomínias, sofrendo a punição devida a todos os pecados e servindo de sacrifício geral pelo pecado, tendo-se tornado como um anátema, separado e abandonado de seu Eterno Pai.
 O Divino Salvador quis morrer nas chamas e ardores de amor, por causa da infinita caridade que nos deve e pela força e virtude do amor; isto é, morrer em amor, por amor, e para amor; é o que Ele mesmo dizia: "Ninguém me tira a vida, mas eu deixo-a; tenho poder para a perder e recuperá-la de novo". "Foi sacrificado, diz Isaias, porque o desejou"; sendo o seu corpo por direito, imortal e impassível, por causa da glória da sua alma, tornou-o mortal e passível por milagre e por amor. Quis até depois da morte, ter o lado aberto, para que todos vissem os pensamentos do seu coração, que não eram senão pensamentos de amor e simpatia, e que nos dirigíssemos a ele confiadamente e nos escondêssemos no seu lado e dele recebêssemos abundância de graças e bençãos. De maneira que o benigno Jesus, desde o primeiro momento de sua vida até hoje, tem sempre, por assim dizer, arrojado setas do seu amor e ferido as almas dos seus amantes, fazendo-lhes conhecer claramente que o não amam tanto quanto ele é amável. Oh! Meu Deus! podia Jesus por ventura mostrar maior amor aos pecadores do que oferecendo-se em perfeito holocausto por todos os seus pecados? Oh! que pena não vermos o coração de Jesus tal qual ele é! Se tal fosse, morreríamos de amor por Ele, porque somos mortais, como Ele morreu por nós enquanto foi mortal, e ainda agora morreria se não fosse imortal.
 Nada tem tanta força para mover um coração amoroso como ver um coração movido de amor por ele. Oh! prouvera a Deus que Nosso Senhor mudasse o nosso coração como mudou e de Santa Catarina de Sena, de sorte que não tivéssemos outro coração a não ser o seu, outra vontade a não ser a sua, outras afeições e desejos senão os de o amar e sermos todos seu! O pelicano, que vê os filhos feridos pela serpente, como um excelente médico formado na escola da natureza, fere-os por todo corpo com o bico, para com o sangue fazer sair o veneno que a mordedura  da serpente espalhara por todos eles; mas vendo-os mortos, fere-se a si mesmo e arroja sobre eles o seu sangue, para os vivificar com uma nova vida. Foi o seu amor que os feriu e é pelo mesmo amor que se fere também. As  abelhas, quando ferem, morrem quase  sempre feridas. Vendo pois o Salvador das nossas almas ferido de amor por nós até a morte na cruz, como deixaríamos nós de ser feridos por Ele? Mas, digo eu, feridos com uma chaga tanto mais amorosamente dolorosa, que nunca nós o amaremos tanto quanto merecem o seu amor e a sua morte. Ah! se a minha alma, a esposa de Deus crucificado sofredor, devo toda a minha vida ter muito gosto em me adornar com a sua libré, isto é: os cravos, os espinhos e as lanças. Lembra-te, ó minha alma, que o festim das suas núpcias foi o fel e o vinagre e não busques neste mundo a alegria e a bonança. É muita honra, ó Rei da glória, beber convosco o calix das dores, que nunca me  aconteça recusar essa bebida, porque, Deus meu, como diz Davi, é o calix dos vossos prediletos.
 A imagem de Jesus Cristo, pisado, ferido, trespassado, chagado e crucificado, foi sempre um belo espelho de amor, onde os anjos e santos nunca se cansam de se verem até ficarem abismados de júbilo, de contentamento, e cheios de piedade e consolação. Pois se a imagem de Abraão, dando o golpe de morte em seu único filho para o sacrificar, fazia enternecer e chorar o grande Gregório, Bispo de Nicéia, todas as vezes que o via, com quanto mais razão nos deve comover a imagem de Jesus Cristo sacrificando-se a si mesmo sobre a Cruz? Sacrifício que é origem de todas as graças que recebemos, fonte de todas as resoluções santas, de sorte que é por Ele que as conservamos, nutrimos, fortificamos e consumimos. Já que Jesus Cristo nos amou tanto, que a todos remiu, regando-nos com o seu sangue divino e chamando-nos a si sem excluir ninguém; já que se fez todo nosso para nos fazer todos seus, dando-nos a sua vida e morte para nos isentar da morte eterna, e fazer-nos conseguir o gozo da vida eterna, para que sejamos seus, não só nesta vida mortal, mas também na eterna, ah! que resta, e que conclusão devemos tirar, senão que, vivos, não devemos viver para nós, mas para Jesus Cristo, que morreu por nós; isto é, que lhe consagremos todos os momentos da nossa vida, encaminhando para a glória sua, todas as suas obras, pensamentos e afetos?! Oh alma minha! doravante vive entre os açoites e espinhos do Salvador e suspira humildemente. Viva Jesus, que quis morrer para que minha alma viva! Ah! Padre Eterno! que vos pode oferecer o mundo pelo presente que lhes fizestes do vosso Filho? Ah! para remir uma coisa tão vil como eu, deu-se e entregou-se a si mesmo, e, embora miserável, ainda hesito em dar-lhe  e abandonar-lhe o meu nada, a Ele que tudo me deu!

Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales. 

A PROPÓSITO DA DIFAMAÇÃO

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Conta-se que um discípulo do sábio Sócrates, querendo contar-lhe um fato que ouvira numa roda de conhecidos, começou assim :

— Ouve, mestre, o que se diz de um teu amigo...
— Para! para! — interrompeu-o o filósofo. — Já passaste por três peneiras o que me vais contar.?
— Por três peneiras!? — exclamou o discípulo, admirado.
— Sim, meu amigo, por três peneiras. Vejamos se o que me desejas contar pode passar por elas. A primeira é a verdade. Tens plena certeza do fato? Examinaste seriamente se é verdade?
— Não examinei, mas ouvi falar e...
— Bem — atalhou Sócrates — pois que não passa pela primeira, estás certo de que passará pela segunda peneira? Se o que me queres contar, se bem que duvidoso, é ao menos alguma coisa boa?
— Boa, propriamente, não é. Compromete...
— Ora — interrompeu novamente o mestre — se é duvidoso e mau o que me vens contar, vejamos se consegue salvar-se na última peneira. Tens motivos graves para contar o que ouviste? Será necessário que eu seja informado?
— Necessário, propriamente, não, mas...
Sorriu então, o filósofo e continuou sua lição, dizendo:
— Se o que me desejas contar é duvidoso, não é coisa boa, nem precisa ser conhecido por outros, melhor será não contá-lo.
A difamação é um pecado como a calúnia e a maledicência. Quem comete essa injustiça tem obrigação de reparar o dano causado ao próximo.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Como o Divino Salvador nos amou na sua Encarnação.

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O amor de Deus está sempre unido ao amor do próximo e nós amamos o próximo assim como amamos a Deus; por consequência, sendo infinito 

 amor de Jesus Cristo para com seu Pai em valor e mérito pela pessoa que o dá, o seu amor para com o próximo será também infinito. Eis as provas evidentes: Jesus Cristo, diz São Paulo, aniquilou-se para tomar a nossa humanidade e encher-nos da sua divindade, para elevar-nos à sua dignidade e dar-nos o divino titulo de filho de Deus; Ele, que habitava em si mesmo, querendo doravante habitar em nós; Ele, que tinha vivido desde toda eternidade no seio do Padre eterno, desejou tornar-se mortal no seio de sua Mãe temporal; e existindo sempre como Deus, quis tornar-se homem. 

Aos Leitores...


Salve Maria!

Como repararam o blogger está escasso de postagens, peço perdão pela ausência mas,  encontrava-me enfermo. Apesar de ainda estar, já possuo com a Divina graça forças necessárias para voltar a publicar. Peço que rezem por minha saúde. 
Voltarei a Postar no Blogger, na página do Facebook e em breve no Twitter e Instagram também. Agradeço a compreensão de todos e que tudo seja Para Maior Gloria de Deus.
Agradeço ao dono do Blogger O Segredo do Rosário pelo apoio. Fizemos uma parceria, e agora, caros leitores, teremos varias novidades. Principalmente de livros raros que ainda não existem em PDF ou Digitalizados. 

domingo, 24 de dezembro de 2017

9º Dia da Novena de Natal

Ascendit autem et Joseph… ut profiteretur cum Maria desponsata sibi uxore praegnante.
José foi também… para se recensear juntamente com sua esposa Maria que estava grávida. (Lc 2,4).
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Deus havia decretado que seu Filho nascesse não na casa de José, mas numa gruta, num estábulo, da maneira mais po­bre e mais penosa que possa nascer uma criança; e por isso dispôs que César publicasse um edito pelo qual cada um era obrigado a ir inscrever-se no lugar de sua origem.

sábado, 23 de dezembro de 2017

8º Dia da Novena de Natal

Apparuit gratia Dei Salvatoris nostri omnibus hominibus, erudiens nos, ut… pie vivamus in hoc saeculo, expectans beatam spem et adventum gloriae magni Dei et Salvatoris nostri Jesu Christi
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A graça de Deus nosso Salvador apareceu a todos os homens e nos ensinou a viver no século presente com piedade aguardando a beatitude que esperamos, e a vinda da glória de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo (Tt 2,11)
Considera que por essa graça de que aqui fala o apóstolo, entende-se o ardente amor de Jesus Cristo aos homensamor que não merecemos e que por essa razão é chamada graça.
Esse amor em Deus foi sempre o mesmo, mas não apareceu sempre. Foi, primeiramente, prometido por um grande número de profecias e anunciado por muitas figuras; mas apareceu manifestamente quando o Redentor nasceu, quando o Verbo eterno se mostrou aos homens sob a forma duma criancinha, reclinada sobre palha, chorando e tremendo de frio, começan­do assim a satisfazer pelas penas por nós merecidas, e fazen­do-nos conhecer o afeto que nos tinha pelo sacrifício que fez de sua vida por nós. Nisto conhecemos o amor de Deus, diz S. João, em ter ele dado a sua Vida por nós,Apareceu pois o amor do nosso Deus e apareceu a todos os homens: Omnibus hominibus, Mas por que não o conhece­ram todos, e, ainda hoje nem todos o conhecem? Eis como Jesus mesmo responde a essa pergunta .A luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à luz. Não o conheceram e não o conhecem porque não querem conhecê-lo, amando mais as trevas do pecado do que a luz da graça.   . 

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

7º Dia da Novena de Natal

In própria venit, et sui eum non receperunt.
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Veio para o que era seu, e os seus o não receberam (Jo 1, 11)
Um dia, durante as festas do Natal, S. Francisco de Assis andava chorando e suspirando pelos caminhos e florestas, e parecia inconsolável. Perguntaram-lhe a causa de sua dor e ele respondeu: “Como quereis que eu não chore, vendo que o amor não é amado? Vejo um Deus amar o homem até a loucura, e o homem ser tão ingrato a esse Deus!” Se a ingratidão dos homens afligia tanto o coração de S. Francisco, imaginemo-nos quanto mais afligiu o coração de Jesus Cristo.
Apenas concebido no seio de Maria, ele viu a cruel ingrati­dão, que devia receber dos homens. Viera do céu para acender na terra o fogo do amor divino; esse único motivo o levou a dei­xar-se imergir num abismo de dores e opróbrios: Vim trazer o fogo sobre a terra, e que quero senão que se inflame? E via um abismo de pecados que os homens iriam cometer depois de receberem tantas provas de seu amor! Eis, diz S. Bernardino de Sena, o que lhe causou uma dor infinita.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Santo Afonso de Ligório - Preparação para a morte

Foto de Ad Majorem DEI Gloriam.

"Santa Rosa de Lima assegurava que, ao comungar, parecia-lhe que recebia o sol. O rosto da Santa resplandecia de tanta luz, que deslumbrava aos que a viam, e da boca exalava tal calor, que a pessoa que lhe dava de beber depois da comunhão sentia a mão quente como se a tivesse junto a um forno. 

6º Dia da Novena de Natal

Factus sum sicut homo sine adjutorio, inter mortuos liber.
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Tornei-me como um homem sem socorro, abandonado entre os mortos (Salm. 87,5).
Considera os sofrimentos de Jesus Cristo no seio de sua Mãe, onde esteve como numa prisão, durante nove meses. É verdade que as outras crianças se acham no mesmo estado, mas não lhe sentem os incômodos, porque os não conhecem. Jesus, ao contrário, tinha pleno conhecimento deles, pois des­de o primeiro instante de sua vida, teve o perfeito uso da razão: Possuía os sentidos e não podia servir-se deles; tinha olhos e não podia ver; tinha língua e não podia falar; tinha mão e não podia estendê-las; tinha pés e não podia andar, de sorte que durante nove meses teve de ficar no seio de Maria como um morto encerrado num sepulcro: Como um homem sem socorro, abandonado entre os mortos. Era livre, porque voluntariamente se fizera prisioneiro de amor naquele cárcere; mas o amor o privava da liberdade e lá o conservava tão estreitamente preso, que não podia mover-se: ele era livre, porém, entre os mortos. Ó paciência do Salvador! exclama S. Ambrósio ao considerar os sofrimentos de Jesus no seio de Maria.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Não há iguarias mais apetitosas para o demônio, que as almas dos eclesiásticos.

Foto de Ad Majorem DEI Gloriam.

"Diz o autor da Obra imperfeita: Há de ver-se no dia do juízo o padre pregador despojado da sua dignidade, e arrojado para o meio dos infiéis e hipócritas, e dada a um leigo a estola que lhe era destinada. Eis o que todo o padre deve meditar bem: Escutai isto, ó sacerdotes... porque é do vosso julgamento que se trata.

5º Dia da Novena de Natal

Oblatus estquia ipse voluit.
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Foi oferecido porque ele mesmo quis (Is 53,7).
Desde o primeiro instante que o Verbo divino se viu feito homem e criança no seio de Maria, ofereceu-se sem reserva aos sofrimentos e à morte, para resgatar o mundo: Foi oferecido porque ele mesmo quis. Sabia que todos os sacrifícios de bodes e touros, oferecidos a Deus no passado, não podia satisfazer pelos pecados dos homens, que só uma pessoa divi­na podia pagar o preço de sua redenção: Eis por que, escreve S. Paulo, desde sua entrada no mundo ele diz: Não quisestes hóstia nem oblação, mas me formastes um corpo… Então eu disse: Eis-me que venho. Meu Pai! todas as vítimas que vos foram oferecidas até agora, não foram suficientes e não podiam sê-lo para desarmar vossa justiça; destes-me este corpo passível a fim de que pela efusão do meu sangue eu vos apla­que e salve os homens. Eis-me pronto: Ecce venio; aceito tudo e me submeto em tudo à vossa santa vontade.